quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O genial libanês
Aos que me privilegiam com sua atenção peço desculpas por tê-los remetido ao sudeste asiático já que a idéia inicial era escrever sobre o fundador da primeira escola grega de filosofia e um dos Sete Sábios, o pré-socrático de ascendência fenícia Tales de Mileto.
Encontrava-me a três mil anos de distância na aprazível companhia de Aristóteles e depois de não tantos anos assim na de Hegel e Nietzsche, todos admiradores incondicionais do genial libanês quando o próprio Tales me remeteu ao Vietnã ao contemplar a multiplicidade na unidade, na proposição de que tudo provem do UM e o UM se resume a apenas uma palavra: água.
E o que foi o Vietnã senão a transformação da diversidade numa unidade dolorosa que contemplou somente a morte? Do Vietnã ao Afeganistão e dali ao Iraque e à Palestina eis que a História é novamente violentada, para gáudio dos roedores que se locupletam com o tirano planetário Bush e de seu mestre o psicótico Sharon.
Um rato não pode engendrar outra coisa que não um rato.
Os anti-semitas Bush e Sharon precisam entender que a força e a violência podem muito, mas não podem tudo. Despojados de sua natureza humana, erigiram a brutalidade em ciência. Eles querem governar a humanidade pelo terror. Os Estados Unidos continuam ocupando o Iraque e o Afeganistão e Israel continua mantendo mais de quatro milhões de semitas palestinos no maior campo de concentração do mundo.
Acreditar em paz estadunidense e israelense é o mesmo que acreditar na cura do remédio pela doença.
Tales que me perdoe.
Obs-Este artigo foi escrito em 2003. Mudaram os governantes de Israel e Estados Unidos, mas a opressão permanece.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Da Imprensa à “emprensa”
A Imprensa virou emprensa. E graças a esse comportamento as algemas mentais estão se partindo.
Ela já não consegue mais enganar.
Se é verdade que jamais houve, de fato, liberdade de imprensa, mas liberdade de empresa, isso era às ocultas, hoje é às escâncaras.
Nenhum interesse supera o interesse do patrão. É a regra do sistema.
E como o sistema traz dentro de si o vírus de sua própria destruição,somos testemunhas privilegiadas da travessia do Rubicão.
Ou alguém duvida?
Leitores e telespectadores migram aos milhares e milhões diariamente em busca de alternativas. E elas não faltam.
Na falta de leitores e telespectadores, resta à mídia recolher as migalhas que lhe proporcionam os “recrames”.
Quem vende mentiras não vende publicidade, vende recrames.
Das ofertas de prestações intermináveis.
Das empresas de agiotas e usurários.
Tudo produto do mesmo esgoto.
E, incrível, a mídia mentirosa, hipócrita e corrupta vive das benesses fornecidas até por uma de suas vítimas, o governo.
Não é um paradoxo?
Seria se aquele garboso não viesse a público para explicar que eles eram “governo e não poder”...
Mas como não são poder? Para que servem as eleições então?
Afirmar que vencer uma eleição não significa assumir o poder, é acreditar na eternidade do sistema.
E eu me recuso a crer que um sistema possa ser eterno!
A História está aí para provar isso.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
A homenagem de Rafael
Mas quem foi esse muçulmano que os árabes chamavam simplesmente de Ibn Rushd e o Ocidente de Averroes?
O orientalista francês Ernest Renan, que não era simpatizante dos árabes ou dos muçulmanos, escreveu que na Europa Renascentista “Averroes e os árabes eram para os Livres Pensadores do Norte da Itália um santo e uma senha”. E que ninguém podia “aspirar ao título de filósofo a menos que jurasse por Averroes”.
Erasmo de Rotterdam, Descartes, John Locke, Kant e Spinoza, para citarmos alguns, beneficiaram-se também de sua sabedoria. Eram tão profundas as questões filosóficas de Ibn Rushd que um dos Doutores da Igreja, Santo Tomas de Aquino, passou a vida tentando explicar uma delas que versava sobre Essência e Existência, questão essa que perdura até hoje.
Averroes foi apenas um entre tantos sábios muçulmanos. Esses mesmos muçulmanos que hoje são vítimas de uma campanha difamatória encetada pelos murídeos da mídia ocidental.
Depois de desumanizarem os palestinos, para que a humanidade assista passivamente aos massacres diários, querem, porque querem, vender a imagem de que todo muçulmano é terrorista. Como se os muçulmanos tivessem sido responsáveis pela Inquisição, pelas duas guerras mundiais e pelas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Mas como o assunto de hoje não é sobre cloacas e congêneres, deixemos os roedores midiáticos e ouçamos o que o grande humanista Francesco Petrarca tem a dizer:
“Cícero pôde ser orador depois de Demóstenes; Virgílio pôde ser poeta depois de Homero e agora, depois dos árabes, não deveríamos nos atrever a escrever”.
Que o diga Dante Alighieri.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O Divino Plágio
E muita indignação dos italianos que tudo fizeram para que ela não fosse editada na Itália.
A obra, que até hoje é ignorada no Brasil, está dividida em 4 capítulos, com 33 subdivisões e mais de 100 intertítulos. A que está em meu poder é uma segunda edição, com 611 páginas - 468 sobre o plágio e 143 sobre a repercussão e, naturalmente, a polêmica.
O professor Asin Palácios, que era membro da Real Academia Espanhola, não satisfeito em demonstrar as semelhanças entre os textos de A Divina Comédia e dos autores muçulmanos, ainda se deu ao luxo de transcrevê-los e compará-los, quando necessário, em latim, espanhol e árabe. Além desse perfeccionismo, ele explica como os textos islâmicos teriam chegado até Dante. Outro trabalho de pesquisa primoroso mostra como aconteceu a absorção do Islam pela Europa Cristã. E mais: com minúcias, descreve as estreitas analogias entre Dante e o sufista cordobês Ibn Masara, para concluir que A Divina Comédia é na verdade uma compilação de textos dos místicos e filósofos muçulmanos e não “uma genial fantasia criadora de Dante”. Ou “um monumento solitário em meio dos desertos medievais”, como gostam de se referir a ela os cultores das orelhas de livros.
Outro ponto fascinante da obra é o que diz respeito à polêmica. São dezenas de argumentos e contra-argumentos, envolvendo os maiores eruditos europeus da época, que desfilam um saber raramente visto nos dias atuais. É uma obra de leitura difícil. Exige um mínimo de conhecimento do Alcorão e de autores islâmicos como Ibn Masara, Ibn Arabi, Ibn Al Muqqafa, Al Ghazali, Qazwini, Al Jahiz, Damiri, Abu Bakr Ibn Abu ad-Dunya, Abdallah Ibn Dinar, Abd-Ar-Rahman Ibn Said Aslam. Isto, para citar os mais conhecidos.
As “semelhanças” são totais. Ali se encontram o mesmo inferno, o mesmo paraíso e até as viagens. A ascensão de Dante e Beatriz, por exemplo, através das esferas do Paraíso, é uma cópia literal da ascensão alegórica de um místico e de um filósofo que se lê em Futuhat, obra do grande sufista murciano Ibn Arabi.
E para que não paire nenhuma dúvida sobre sua infatigável pesquisa, Asin Palácios não satisfeito em reconstituir os passos percorridos por Dante em busca da “inspiração”, cita ainda os tradutores do árabe para o latim, francês e espanhol das obras dos filósofos muçulmanos, a data em que aquelas traduções teriam ocorrido e a pedido de quem. A tradução para o castelhano, por exemplo, foi feita pelo médico do rei Afonso, o Sábio, Abraham Alfaquim, a pedido do próprio rei. A tradução para o latim foi feita por Bonaventura de Siena.
De qualquer forma e independentemente do fato de A Divina Comédia ser um plágio, nem por isso o nome de Dante Alighieri deve ser atirado ao limbo. Não deixa de ser positivo em plena Idade das Trevas, alguém utilizar textos islâmicos. O que deve ter irritado o professor Asin Palácios, profundo conhecedor da literatura árabe, é a insistência de alguns considerarem A Divina Comédia como uma “obra original”. O que confirma mais uma vez que tudo aquilo que chamamos de original é, na verdade, produto direto de nossa ignorância. Insisto. La Escatologia Musulmana en la Divina Comédia, não é uma obra fácil e não pode ser lida de forma burocrática. É uma obra para ser lida, relida e estudada. Com certeza o leitor ficará, além do mais, deslumbrado com as revelações contidas nas entrelinhas que os místicos muçulmanos nos legaram.
A propósito, o professor, erudito, arabista e membro da Real Academia Espanhola Miguel Asin Palácios era padre.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Sobre invasões e ocupações
Errado.
Quando um grupo de famílias realiza assentamentos em terras improdutivas dá-se o nome de ocupação, correto?
Errado.
De acordo com os pilantras da mídia, quando um país invade outro país dá-se o nome de incursão.Veja-se o caso da invasão americana no Iraque e Afeganistão.
E essa mesma mídia quando brasileiros ocupam terras brasileiras improdutivas denomina o fato de invasão. Ou seja, quando você invade e arrasa um país e assassina sua população não realiza uma invasão, mas incursão. E quando você ocupa uma terra improdutiva para fazê-la produzir você não realiza uma ocupação, mas invasão.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Um fato irrelevante
O drama de sua vida passa pela necessidade diária de continuar batalhando pela sobrevivência, fazendo extras que ajudem a moralizar o salário mínimo de aposentado. As dificuldades não são poucas. Foi proibido pelos filhos de ficar doente sob pena de ter que se virar sozinho. São quatro os filhos, todos empregados com carteira assinada, eleva a voz com orgulho. Dois casados, nenhum ganha mais de 600 reais por mês. Vivem espremidos num casebre que nos fins de semana recebe alguns tijolos que o tempo deverá transformar em cômodos. O dele, avisaram, será o último, mas ele acha que vai morrer antes. É que ultimamente tem sentido umas dores esquisitas e uma tontura teimosa. Médico, nem pensar, porque da última vez perdeu dois dias na fila do hospital. E no dia da consulta, marcado para dois meses depois, o doutor faltou.
Preocupava-o o fato de ainda não ter garantido seus quatro palmos de terra. Ele que sempre sonhou com uma campa e uma lápide com o nome gravado.
Sempre procurou Deus, mas nunca o encontrou.
Estamos nos aproximando das catraias que fazem o transporte entre Vicente de Carvalho e Santos. O balanço das águas por pouco não o atira ao mar, atrapalhando o bico que faz nos arredores do Mercado Municipal.
Morreu no dia seguinte sem dar a Deus a oportunidade de uma segunda chance.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Pobres de nós
Quem falou que o crime não compensa?
Pobre Caldeia, pobre Nabucodonosor.
Ao invés dos Jardins Suspensos, uma das sete maravilhas do mundo, prisioneiros pendurados pelas mãos a lembrar a crucificação, ou arrastados como animais num matadouro, a lembrar o aparheid na África do Sul.
Quem falou que o crime não compensa?
Pobre Babilônia, pobre Hamurabi.
Bibliotecas destruídas, museus saqueados, escolas fechadas, a lembrar que a invasão não se satisfaz apenas em exaurir a riqueza do país. É preciso também apagar sua história e sua cultura.
Quem falou que o crime não compensa?
Pobre Suméria, pobre Gilgamesh.
Eis que a tão louvada e celebrada democracia ocidental mostra sua verdadeira face diante da diversidade e do diferente, horror a uma, pavor a outra, mesquitas servindo de alvo.
Quem falou que o crime não compensa?
Pobre Ur, pobre Abraão.
Pobre Iraque.
Pobres de nós!
domingo, 20 de setembro de 2009
O que é civilização?
Dito isto, fica a indagação: por qual perversidade uma mesma humanidade consegue gerar um Bach e um Bush, um Mozart e um Sharon?
Responda quem puder.
sábado, 19 de setembro de 2009
Qual é o sentido da vida?
Há os que procuram um sentido entre as estrelas.
E há os conformistas.
Destes é o reino dos céus, dizem os deuses.
São a desdita da humanidade, dizem as estrelas.
Afinal, qual é o sentido da vida?
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Manipulação midiática
Alguns exemplos de verbetes largamente utilizados pela mídia em seu esforço em manipular as palavras:
Ditador – É a denominação que a mídia dá a um presidente eleito democraticamente e age de acordo com a Constituição. Exemplo: Hugo Chaves.
Suicida – É a denominação que a mídia dá ao prisioneiro assassinado pelos carrascos estadunidenses nas prisões de Abu-Ghraib e Guantanamo.
1)-O assassinato da filha de cinco anos do presidente líbio Muammar Kadhafi, em 1986;
2)-O abate de um avião civil iraniano com 298 passageiros e tripulantes em 1988. Não houve sobreviventes.
3)- A destruição de uma indústria farmacêutica no Sudão em 1998.
Há muitos outros exemplos, mas hoje fico por aqui.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Um diálogo
Dois burros conversavam quando um perguntou ao outro:
sábado, 12 de setembro de 2009
Navegando
Vivemos num mundo onde o Ter não tem limite e o Ser é ignorado,onde a sociedade agoniza vítima do parasita que produz o vírus emergente e o soldado que cozinha e come o coração do inimigo.Onde a educação é obstáculo à inteligência e à liberdade, que planta a árvore para ocultar o bosque. É a lógica imbecilizante que torna a humanidade descartável. Nem felicidade nem virtude, sucesso.De que vale a beleza do universo para o cego? E a música para o surdo? Por que nada é permamente? Ser e divindade serão apenas uma questão de semântica? Impossível e nunca são palavras que jamais devem ser utilizadas, pois a natureza humana não suporta limites. Apenas o nascimento pode conquistar a morte e a morte é a ruptura do tempo. Nenhuma coisa pode ser vista se você não souber como vê-la. A vida é a lâmpada que contém a luz ou a luz de que a lâmpada é o veículo? Mas o hábito anula a vida. A verdade está no relâmpago.Você pode atingir o eterno e superar o tempo.A escolha é sua.Imortal, a humanidade jamais terá fim, pois Deus precisa do homem para existir.Medo e ódio não permitem pensar no amanhã.
E o muro a todos observa impassível.