sábado, 31 de outubro de 2009

Revelada a identidade do chupa-cabras

Artigo que escrevi em 1997 para a Revista Caros Amigos e que pode interessar aos admiradores da Mitologia Grega.

Agora que a histeria terminou e o mundo já não fala mais no chupa-cabras, me permito revelar ao prezado leitor, a verdadeira identidade do inaudito ou, neste caso, inaudita. Sim, porque o chupa-cabras é na verdade uma jovem de indescritível beleza,uma deusa. Que, por um desses acasos do destino, alcançou a nossa era.

É sabido que para os deuses, tempo e espaço são meros detalhes.
E o que motivou isto?
Vingança.
Antes, um parêntese para um melhor entendimento dos fatos.

Tudo começou com Caos.

Caos gerou a Geia, a Terra; que gerou a Tártaro, o inferno; que gerou o andrógino Eros, deus do Amor; que gerou a Érebo, deus das trevas; que gerou a Hemera, o dia, e Nix, a noite; que gerou a Éter; que gerou a Urano; que gerou a Crono, que o destronou; que gerou a Zeus (a quem os romanos chamavam de Júpiter - Pai do Céu), que também o destronou; que gerou a Apolo deus do sol e da luz, (a quem os romanos chamavam de Lúcifer) e Ártemis, deusa da Lua.

Feitas as apresentações, voltemos a Crono,(a quem os romanos chamavam de Saturno), mas sem nos atermos à sua genealogia, esclarecendo apenas que ele gerou a Hera, que vai se tornar o fio da meada de nossa história. Hera foi a terceira mulher legítima de Zeus, por quem ele dizia nutrir paixão sem igual e por quem ela nutria ciúme doentio.

Como deusa, personificava o poder, a justiça e principalmente os amores legítimos a ponto de tornar-se o símbolo da fidelidade conjugal. Cabia a ela controlar as tempestades de chuva e comandar os astros. Eram-lhe consagrados o lírio (símbolo da pureza) e a romã (símbolo da fecundidade).

Ao lado de Zeus personificava a natureza e tudo o nela existente.

Por ser a protetora das esposas e do amor legítimo, não se conformava com as constantes escapadas do marido que, apesar das juras de amor, vivia gerando filhos com outras deusas, ou simples mortais. Por vingança, ela descarregava sua ira sobre os bastardos. Hércules que o diga, obrigado que foi por ela a realizar os doze trabalhos.

Mas nada disso sensibilizava o insaciável deus, já que um simples olhar, significava para ele um convite à uma futura incursão amorosa. Numa dessas incursões, ela o flagrou mostrando seus dotes amorosos a Io. Revoltada, iniciou uma perseguição tão violenta contra a jovem, que a Zeus só restou transformar a amante em vaca (daí a origem do adjetivo, que atravessaria os séculos como expressão máxima de mal-amados contra mulheres que não têm medo de amar). Mas nem o fato de transformar Io em vaca protegeu-a do ciúme da mulher. Hera, possessa, infernizou de tal forma a vida da jovem que acabou levando-a à loucura.

E como fez isso?

Lançando contra ela um moscão com a ordem de ficar zumbindo em seus ouvidos dia e noite, picando-a por todo o corpo. Não agüentando mais, Io, metamorfoseada no animal, cruzou o estreito que separa Europa da Ásia, que passou a ser chamado de mar Bósforo, que significa Passagem da Vaca.

E qual foi a resposta do deus? Engravidar a jovem Leto dos gêmeos Apolo e Ártemis, que, como se sabe, conseguiram sobreviver, apesar das inúmeras tentativas de Hera em destruí-los.

Mais tarde, a ciumenta tentou matar outra amante de Zeus, Calisto, que ele transformou na constelação da Ursa Maior. Logo depois, Zeus voltaria a distribuir o seu amor. Agora quem recebia sua visita era a não menos belíssima Semele, filha de Cadmo, rei da Fenícia. Hera armou para que ela morresse carbonizada, mas o feto, que viria a ser conhecido pelo nome de Dionísio, (e a quem os romanos chamavam de Baco), foi salvo por um gato.

Dionísio foi criado por Átamas e Ino. Hera, em represália, deixou-os também loucos. Zeus, para salvar o filho da vingança da mulher transformou-o em Bode.

E é exatamente neste ponto, que desatamos o nó que mantinha em segredo a identidade da vítima.

Fica claro que Hera, inconformada com o fato de Dionísio ter sobrevivido, persegue-o até os nossos dias. Ela, portanto, é o chupa-bodes, que a crendice popular transformou em chupa-cabras, por confusão ou talvez por entender que não seria elegante falar por aí que alguém anda chupando bodes.

Um pouco mais do perfil desta deusa, cuja sede de vingança dura até os nossos dias: cegou o adivinho Tirésias por ele ter afirmado que a mulher sentia mais prazer na relação sexual que homem; tentou subornar Páris durante um concurso de beleza, para que a declarasse mais bela que Afrodite e Atenas, mas o filho do rei Príamo acabou dando a vitória a Afrodite; e foi ela quem enviou uma tempestade contra o mesmo Páris e Helena quando fugiam para Tróia, atirando o barco deles nas costas de Sidon, Fenícia (atual Líbano).

Precisa dizer mais?

Portanto, o prezado leitor agora já conhece a verdadeira identidade do chupa-cabras. Trata-se de Hera, a bela e inconformada deusa que, apesar de tudo, tinha o seu lado bom. Era protetora de Aquiles, Argos e Menelau.

Encerrando, esclareço que Hera (cujas viagens no tempo, fizeram com que o seu nome tivesse o significado de era e época), cansada de ver o marido pulando de cama em cama, não resistiu ao assédio de Ixion, rei dos Lápitas e amante de Apolo.

Zeus (de cujo prestígio a língua portuguesa se aproveitou, trocando o Z pelo D, para designar o substantivo Deus), transformou os filhos daquela união em centauros. Ixion foi amarrado com serpentes numa roda de fogo e entregue a Tártaro para que ardesse eternamente nas profundezas do inferno.

É evidente que nenhuma mulher fica feliz ao ver os filhos tornados metade cavalos, metade humanos. E menos feliz ainda com o fato do amante sofrer o suplício eterno. Daí porque não será erro concluir que Hera chegou até nós na esperança de localizar Dionísio-Baco-bode, não para matá-lo, mas quem sabe, para efetuar uma troca, uma negociação. A morte de alguns animais seria apenas um recado. Por isso, ninguém estranhe se um dia, ao olhar para o céu, encontrar algo novo na Constelação de Centauro.

Entre os deuses, tudo é possível.

Obs: Não nos esqueçamos também da figura do bode-expiatório, parte integrante da religião judaico-cristã.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ulpiano e a mosca

Em 1973, durante a guerra do Vietnam, os Estados Unidos despejaram sobre aquele país do sudeste asiático quase todo o seu arsenal de bombas de destruição em massa.

O cardápio da morte privilegiava as armas químicas e bacteriológicas contemplando uma variedade que ia do napalm ao desfolhante agente laranja e urânio empobrecido. A idéia era não poupar nenhum ser humano e muito menos a natureza. O desequilíbrio ecológico alcançou a China que foi invadida por nuvens de insetos.

Temendo epidemias, o governo chinês iniciou uma campanha junto à sua população e à resistência vietnamita com o seguinte apelo: seja higiênico, mate uma mosca e um americano.

Aos leitores renovo meu pedido de desculpas já que a idéia inicial era escrever sobre um dos maiores juristas do Império Romano, o libanês Ulpiano de Tiro. Mas como é possível falar em Direito quando a humanidade assiste indignada à invasão, ocupação e saques do Iraque pelo Império Americano?


Como é possível falar em justiça e jurisprudência quando, em pleno século 21, o que ainda prevalece é a lei do tacape? No entanto, e a título de esclarecimento, fica registrado que além de ter sido pretor, Ulpiano foi também preceptor de outro libanês o imperador romano Iskandar Saphiros (Alexandre Severo), nascido na atual aldeia libanesa de Miniara Akkar.


Os comentários jurídicos de Ulpiano constituem a maior parte do “Digesto de Justiniano”, até hoje consultado por aqueles que ainda entendem que nada deve ser feito ao arrepio das leis.


O que não vem a ser o caso dos Estados Unidos e de Israel, que, além de ocupar nações insistem em insultar a humanidade com suas mentiras. Com certeza, um dia serão julgados por crimes de guerra e por crimes contra a humanidade..


Enquanto isso, os amantes da paz e da harmonia entre os povos se perguntam se os iraquianos, afegãos e palestinos,a exemplo dos vietnamitas, já não terão dado início a caça às moscas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Ovo de Deus


                                             Clique na imagem para ampliá-la

A cada dia os sinais se multiplicam. E tudo começou em Gaza, Palestina Ocupada, durante a invasão israelense. Dizem que os soldados de Israel, assustados, mataram a galinha e tentaram destruir o ovo. Em vão. O ovo resistiu e atualmente ninguém sabe o seu destino.

Abaixo, você pode assistir ao vídeo de um bebê russo que nasceu com versículos do Alcorão, o Livro Sagrado dos muçulmanos.

Será o Sinal dos Tempos? Sinceramente não sei. O interessante é que em ambos os casos o árabe é a língua de Deus...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bebê nasce na Rússia com versículo do Alcorão impresso no corpo

Um vilarejo no Daguestão, sul da Rússia, vira centro de peregrinação depois que a notícia de que um bebê trazia na pele os versos sagrados do Corão se espalhou.



A informação e as imagens são da Agência Reuter.

Palestina, Palestina

Às profundezas da história,
À impiedade e ao medo,
À realidade invisível,
À ocupação e à exclusão,
Ao Ocidente que buscou aliviar a culpa de seus anti-semitas,
Uma nação torturada resiste!

O coração palestino palpita.
Tentam abafar seu grito de liberdade,
Suas pedras revidam contra a injustiça,
Contra o racismo e a intolerância!

A estrela busca a purificação com sangue
E ao muro dirige suas preces.
Existirá um limite para a brutalidade?
Existirá um limite para a indiferença?

domingo, 25 de outubro de 2009

Praça da Sé - SP

O menino não deve ter oito anos de idade. É um garotinho alegre que acompanha a mãe em direção à Catedral. De repente resolve extravasar sua alegria e sai correndo em direção às escadarias. Dá dois ou três gritos, sempre sorrindo quando se aproxima de um senhor que o adjetivo diria distinto. A violência do pontapé fez a criança girar no ar e cair de boca no chão. O sangue começou a escorrer, seus lábios sangravam. Um deles apresentava um corte respeitável. O senhor distinto, consternado, tentava justificar sua atitude para a mãe e para alguns curiosos. Pensara que fosse um trombadinha, ele que já havia sido assaltado naquele mesmo local várias vezes. O que vocês fariam no meu lugar se vissem um negrinho correndo em sua direção dando gritinhos? Isto ele disse depois de justificar que não era racista, para compreensão dos curiosos e indignação da mãe.

sábado, 24 de outubro de 2009

O caiçara e o beduíno

O boné estava sobre a relva, a alguns metros da praia de uma vila de pescadores no litoral sul de São Paulo. Um turista que passeava por ali não se fez de rogado. Depois de examinar o local por alguns instantes, e não vendo ninguém, pegou o boné e continuou andando. Menos de 20 metros depois, um caiçara curtido pelo sol alcançou-o e pediu o boné de volta.

Ao presenciar a cena, me lembrei de um fato semelhante que aconteceu no deserto há alguns anos. Um turista encontrou um objeto ao lado de um monte de pedras. Achou-o interessante e resolveu guardá-lo como lembrança.

Os dois turistas, apesar de separados por milhares de quilômetros devem aplicar a máxima achado não é roubado . Um escândalo.

Mas voltemos ao deserto.

O guia jordaniano reuniu o grupo e explicou que todo e qualquer objeto encontrado não deve ser tocado, pois os beduínos têm por hábito deixar seus pertences, por mais valiosos que sejam, “guardados” ao lado de montes de pedras ou de arbustos que, aos olhos menos avisados dão a impressão de abandonados ou perdidos. Mas não estão. Deixar pertences espalhados pelo deserto é uma tradição milenar que os beduínos observam até hoje.

As semelhanças não param aí. Basta observar como os caiçaras navegam. Os remos que movem os barcos jamais agridem a água. Deslizam com suavidade em respeito a seus antepassados que um dia o mar esqueceu de devolver. A mesma suavidade e o mesmo respeito são observados pelos beduínos quando caminham sobre as areias do deserto.

Definitivamente, o caiçara é o beduíno do mar.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bloqueio israelense causa suicídio entre os palestinos



Os palestinos estão se suicidando por falta de perspectivas. O bloqueio imposto por Israel é a principal razão.

De janeiro deste ano até agora mais de 250 palestinos tentaram o suicido. Na Faixa de Gaza foram 95 tentativas, com sete mortos.

Os suicidas são em sua maioria adolescentes, rapazes e moças, que não vêem perspectivas para continuar vivendo.

Sentem-se prisioneiros num campo de concentração já que Israel continua mantendo os bloqueios (são mais de 270), que além de dificultar a circulação, causam humilhação.

Israel prometeu aos observadores internacionais que relaxaria os bloqueios se os palestinos não mais se defendessem de seus agressores sionistas.

Há mais de seis meses que os palestinos suportam as humilhações sem reagir. Mas como de praxe, Israel não honrou o compromisso de acabar com os bloqueios. Pelo contrário.

Continuam demolindo casas. Destroem oliveiras, roubam colheitas, não permitem a entrada de remédios, cortam o abastecimento de água e energia elétrica.

Além das invasões diárias os israelenses já assassinaram mais de 40 jovens que são seqüestrados para a retirada de seus órgãos.

Aliás, essa não é uma denúncia nova. Este blog já fez denúncia idêntica há mais de três anos. E para que não houvesse dúvidas, os denunciantes eram advogados israelenses, que na ocasião divulgaram até fotos dos jovens que tiveram seus órgãos extraídos.

Mais sobre o roubo de órgãos e assassinato de palestinos você lê em http://somostodospalestinos.blogspot.com/

E em http://www.youtube.com/watch?v=xmIY46Tjy24 você assiste ao martírio sem fim do povo palestino.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O preço de um presidente

Qual é o preço de um presidente? Milhões, responderão alguns. Muitos milhões, responderão outros. E a resposta não poderia ser outra, dado o valor das campanhas eleitorais. Mas não é esse o caso. Não se trata do valor de uma campanha, mas do valor real de um presidente. Do significado de sua importância para o país.

Que tragédia.

Quem poderia imaginar que presidentes outrora tão poderosos, pudessem valer tão pouco? Mas a História não perdoa. Ela pode ser implacável, até com os vencedores.

Patético.

Perfilados, lado a lado em prateleiras de livrarias do centro velho e em algumas do centro novo de São Paulo, lá estão Floriano Peixoto, Dutra, Castelo Branco, Geisel e todos aqueles que governaram o Brasil desde a República. São livros muito bem acabados, papel de primeira e capa dura, oferecidos pelo preço de... 30 centavos, cada. Isso mesmo, 30 centavos.

Humilhante.

Mas isto não é tudo. O cartaz que anuncia a liquidação vai mais além. Informa que se o interessado adquirir um Floriano, um Geisel e um Castelo, paga 90 centavos pelos três. Mas se levar um quarto, um Médici, por exemplo, paga apenas um real pelos quatro. Acreditem, quatro presidentes por apenas um real.

Não é maldade isso?

E por que um Médici por apenas 10 centavos?

Não foi ele o presidente do Tri, do Brasil ame-o ou deixe-o, e da Transamazônica? Mereceria sofrer um vexame desses?

Para mim, isso deve ser vingança de algum basco. Não há outra explicação. Só um basco não esqueceria a omissão de Garrastazu quando a ditadura franquista resolveu executar três militantes da ETA (Pátria Basca e Liberdade). O mundo protestou. Menos ele, o descendente de bascos Garrastazu Médici. Houve chefes de Estado que ameaçaram romper relações se o ditador espanhol levasse avante a execução. Inútil, já que o generalíssimo, não só mandou executá-los, como determinou que o fossem com requintes de crueldade. Ordenou, e o carrasco utilizou o medieval garrote vil.

Mas a exemplo de nossos ex-ditadores Franco acreditou que também era esperto. Antevendo que a História o atiraria ao limbo, antecipou-se e mandou cunhar moedas com sua efígie, onde se lia Francisco Franco caudillo de España por la gracia de Dios..

Em vão.

Durante as manifestações contra a ditadura, estudantes madrilenos juntavam várias dessas moedas em sacos plásticos para atirá-las contra a polícia. Vale esclarecer, e disso dou testemunho, que as moedas não partiam sozinhas. Os sacos onde elas eram depositadas estavam repletos com os resíduos que o intestino expele depois de uma refeição. Quando arremessados contra os repressores, deixavam um rastro de mau cheiro no ar. E se atingiam o alvo então... Nem la gracia de Dios resolvia.

E agora fica a dúvida que o caro leitor pode ajudar a resolver. Como a História irá se manifestar nos próximos anos sobre os nossos governantes?

Qual será o seu valor real?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A necessidade está matando a esperança.

Numa sociedade cuja cultura ainda é feudal e onde o exemplo das Capitanias Hereditárias é praticado diariamente, está mais do que na hora uma ação objetiva.

Esse é um sistema que produz a cada dia, milhares, centenas de milhares de novos escravos pelo mundo, que nada mais são do que os excluídos, que vivem pior do que animais, já que estes não têm problemas com moradia ou alimentação.

Alguém já viu uma ave sem ninho? Ou uma raposa sem toca? Seres humanos sem-teto há aos milhões; seres humanos sem-terra há aos milhões.

É claro que seria ingênuo supor que um sistema planetário vai permitir qualquer mudança substancial sem que haja uma ruptura. A História é cheia de exemplos.

Ruptura exige sacrifícios.

Ninguém vai entregar os anéis em nome da solidariedade num sistema que faz da exploração e da exclusão prioridade única.

Ninguém vai rasgar o mísero papel que lhe dá direito a latifúndios sem fim em nome da solidariedade.

Ninguém vai compartilhar sua empresa com os funcionários só porque eles são a verdadeira razão da existência dessa empresa.

A questão que se coloca é simples. Haverá coragem para a ruptura? Ou é mais fácil deixar tudo como está para ver como é que fica? Em todo o mundo, o que se vê é o sistema ruindo. E, se nada for feito, o planeta vai ruir com ele.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

De ratazanas e mestres

O jornalismo “primeiro mundista” é como lixo tóxico. Você só vai percebê-lo quando estiver contaminado. Nesse aspecto, os Estados Unidos encabeçam a lista. Basta analisar o comportamento da mídia daquele país quando trata do Oriente Médio e dos muçulmanos.

Os muçulmanos de hoje são os comunistas de ontem. E só não são acusados de comer criancinhas porque os soldados mercenários americanos estão acabando com todas elas.
Para as tropas americanas e seus esbirros, os iraquianos são animais semitas de duas patas. Não medem esforços para acabar com a população e principalmente com sua história.

Nos últimos dias a cidade mais castigada tem sido Ur, berço do patriarca Abraão que vem a ser, biblicamente, o pai de judeus e árabes. Daí não se entende o silêncio de Israel.

Talvez o estrondo das bombas abafe qualquer outro som, já que os massacres são diários, de populações inteiras a sítios arqueológicos.

Tudo isso com o apoio de uma mídia omissa ou cúmplice. Os “jornalistas” que acompanham as tropas são como ratazanas que emergem do esgoto em busca de migalhas, infectando mentes e corações. São sabujos que praticam um jornalismo onde a grandeza se manifesta na mediocridade e o importante não é o bem pensado, mas o bem escrito.

Ou talvez o muito bem pensado e mal escrito.

Esse tipo de mídia apresenta os resistentes aos invasores como xiitas, sunitas e principalmente terroristas, como se eles não fossem iraquianos lutando para defender o seu país. Antigamente a esses resistentes dava-se o nome de patriotas.

Mas para essa mídia produzida no esgoto, patriota é sinônimo de terrorista.

Veja: o que essas ratazanas globais precisam entender é que de nada adianta se abrigar sob folhas em estado de putrefação, não escapando nem o ar marinho, pois um rato não pode engendrar outra coisa que não seja um rato, fale ele inglês ou português.

O califa Ali Ibn Abu Talib, de quem originou o xiismo afirmou que “não há riqueza comparável à razão, nem pobreza que se iguale à ignorância”.

Esses mesmos muçulmanos que a mídia cúmplice se esforça em apresentar como terroristas ou opressores da condição feminina.

Alguém conhece uma obra mais bela do que o Taj Mahal? Um túmulo construído na cidade de Agra, Índia, em 1632 pelo governante muçulmano Shah Jahal para perpetuar sua amada Arjumand Banu Baigan que ele carinhosamente chamava de Mumtaz Mahal (Pérola do Palácio), mãe de seus 14 filhos, falecida em 1631.

Quem cresce num ambiente restritivo dificilmente chegará a atingir o conhecimento de si mesmo. Mas como raciocinar quando informação e entretenimento são controlados com mão de ferro pela mais brutal e feroz das ditaduras, a dos Estados Unidos da América e que, graças a isso, enganosamente vende a imagem de terra da liberdade?

Vivemos num mundo onde a sombra invisível das classes dominantes tenta destruir a cultura humana.

Alguém duvida?

domingo, 18 de outubro de 2009

O irresistível Taliban

Seu ataque, fulminante! Sua defesa, instransponível! São 11 guerreiros invencíveis!
Malabaristas, quando necessário, severos, quando o adversário ameaça,
Mas jamais desleais.

O Talibã é um time de futebol que joga na cidade praiana de Guarujá.

sábado, 17 de outubro de 2009

O mensageiro da morte

A propósito da vinda de Shimon Peres ao Brasil...

É a morte!
Mata-se a planta na flor.
Pobres bebês palestinos que já nascem em caixões!

Onde estão as aves que não cantam mais?
Onde estão as estrelas que iluminaram Avicena e Maimônides?
Até a fragrância das roseiras é amarga.

Quem chora pelas crianças palestinas?

Por que os israelenses não reagem contra seus dirigentes?
Por que não se repugnam contra o altar dos sacrifícios?
Terão perdido sua humanidade?

Plantaram muros na terra do leite e do mel.
progridem os arames farpados.
Já não se colhem alimentos, mas horrores.

Seus governantes praticam o ideal da perversidade.
São energúmenos perturbados.
São os filhos do abismo.
Eles se odeiam e têm horror de si mesmos.
Até quando Jerusalém, até quando?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O que fazer?

O que fazer quando a água cristalina vira um mar de lama?
O que fazer quando a fome vira um número que não alimenta?
O que fazer quando o passado vira referencial para quem prometia o futuro?
O que fazer quando o júbilo, envergonhado, busca abrigo na solidão?
O que fazer quando a virtude se cobre de trevas?
O que fazer quando a mentira cospe na verdade?
O que fazer quando a soberba se torna filha dileta no banquete do cerrado?
O que fazer quando se perde a esperança?
O que fazer quando os olhos não querem enxergar e o coração fica cego?
O que fazer quando a bondade se cobre de mau hálito?
O que fazer quando a ternura se vê brutalizada?
O que fazer quando a desigualdade social é incentivada?
O que fazer quando o sonho vira pesadelo?
O que fazer?

Amigo, se você sobreviveu a tudo isso, você pode tudo!
Lembre-se: a História conspira a seu favor e o bem-estar da humanidade é o objetivo derradeiro do universo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ou Aprendemos a conviver ou...

Definitivamente é preciso acabar com as fronteiras geográficas. Elas, e somente elas, sobrevivem a separar a humanidade. O fim das fronteiras é o início da evolução humana. Nada, absolutamente nada, justifica a existência desses currais. Não fossem as fronteiras e não haveria a invasão de nações. Fronteiras são a confirmação da segregação, do preconceito e da incompreensão. Fronteiras remetem ao medo do outro. Alguém conhece algo mais contagioso do que o medo?

Fronteiras interessam apenas à indústria bélica, que faz do sangue humano o seu combustível. Fronteiras servem apenas para as guerras. E quem é a principal vítima das guerras? Generais? Banqueiros? Empresários? Nenhum deles. Guerras servem para acabar com o "excedente humano", os excluídos, os trabalhadores e todos aqueles que vivem de sua força de trabalho.

Este maltratado planeta é muito pequeno para ser dividido em fronteiras.

Está tudo errado, a começar pela educação. É nos bancos escolares que começamos a "amar" nosso país. E o que representa esse "amor" senão o "ódio" contra o vizinho? Subliminar, é verdade, mas implantado desde a mais tenra idade e lapidado com o passar dos anos.

Não podemos esquecer que o ser humano é o ponto de partida e de chegada. O ser humano é criador, não pode ser produto e vítima da própria cultura. Viver neste planeta é viver num eterno círculo. Alguém pode imaginar um círculo com fronteiras? Somos escravos de nossos hábitos. Até quando?

Ou aprendemos a conviver ou o Universo não derramará uma lágrima pelo nosso fim.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Somos todos reféns

Assista ao vídeo abaixo e depois leia esta informação.

Francesco Cossiga foi presidente da Itália durante sete anos e foi ele também quem denunciou a Operação Gladio. Para quem não se lembra, essa organização criminosa foi criada pela OTAN e atuou nas décadas de 60/70/80 com a finalidade de promover atentados terroristas em todo o mundo, com o intuito de incriminar os movimentos de esquerda.

A Operação Gladio aterrorizou durante muitos anos a Europa e tinha relações com todos os movimentos fascistas. Faziam parte dela também a Máfia, elementos do Vaticano e a loja maçônica P 2.

Ela foi desarticulada (pelo menos oficialmente) depois das denúncias do então senador Francesco Cossiga (que, inclusive, afirmou pertencer à organização), o mesmo que agora denuncia a CIA e o Mossad pelos atentados do 11 de setembro.

Por que sua denúncia não repercute? Por que os governos de Israel e Estados Unidos não se manifestam? Será que é porque eles contam com a cumplicidade da mídia?

Se a denúncia de um ex-presidente é abafada, o que dizer do resto da humanidade? A quem devemos recorrer?

Definitivamente, somos todos reféns.

Artigo publicado em dezembro de 2007. Bem que o Presidente Obama poderia mostrar a que veio...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ator Charlie Sheen quer nova investigação sobre os atentados de 11de setembro

O ator Charlie Sheen pediu ao presidente Obama para reabrir e investigar os atentados de 11 de setembro contra as torres do TWC. Charlie junta-se assim a inúmeras personalidades internacionais, entre as quais o ex-presidente da Itália Francesco Cossiga que afirmou ser o atentado obra da CIA e do MOSSAD de Israel.
Assista ao pedido do ator em http://www.youtube.com/watch?v=uCv4tow-wII ( com legendas em português)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O sentido da vida

No Oásis de Bukra dizem que somos imortais. Que essa é a razão do sentido da vida. E quem tem dúvidas que consulte o Kitab-ul-Kutub.

A cada linha do Livro dos Livros um novo mundo se abre. É um livro único, definitivo.
Nenhuma palavra superficial, nenhuma linha inútil, nenhuma página dispensável. Até mesmo para a questão que sempre intrigou a humanidade a resposta é clara e concisa.

“O sentido da vida é a liberdade plena. Que você só vai alcançá-la quando se libertar do invólucro”.

O invólucro é o seu corpo.

À liberdade do invólucro dá-se erroneamente o nome de morte.
São dois cordões umbilicais que acompanham o vivente. Quando ele chega e quando parte.
Um é visível, o outro também é, mas poucos conseguem vê-lo.

Não se esqueça que o pior cego é aquele que enxerga, mas não vê”.

Não sei se todos concordam, mas o que posso dizer é que as três mil e seiscentas páginas que consultei (não consegui chegar ao final do livro, pois me pareceu que o número páginas é infinito) me transportaram para lugares incríveis que jamais havia sequer imaginado.

Espero um dia conseguir terminá-lo, mas creio que isso somente será possível quando atingir a imortalidade.

Ao fechar o Livro uma página ficou dobrada. Ao reabri-lo uma frase saltou aos meus olhos:

“Um mudo sensato vale mais do que um tolo que fala”...

Aos seguidores

Não sei o que aconteceu, mas inúmeros seguidores do blog simplesmente desapareceram da página. Não sei se foi incompetência minha ou de algum “espertinho” que gosta de mexer no blog. Peço a compreensão e desculpas aos “desaparecidos”e solicito que retornem, se assim o desejarem.

sábado, 10 de outubro de 2009

Garabed, o armênio

Uma árvore sem raízes não frutifica. Assim foi a passagem pela vida de Garabed, o armênio. Um personagem que vive num vai-e-vem pela minha memória. Uma nuvem em céu límpido que busca onde se refugiar. Em vão.

Quem não tem raízes não consegue se agarrar ao passado.

Garabed, o armênio, vivia perambulando pela nossa aldeia de Miniara Akkar, norte do Líbano. Se chegou criança ou jovem não sei e quem poderia dizê-lo já partiu.Sei apenas que os meus cinco ou seis anos de idade o viram pela primeira vez já adulto.Tento recuperar sua imagem, mas só consigo vê-lo chorando ou gargalhando o riso dos insanos.

Os menos piedosos o tratavam com desdém, talvez por não conhecerem sua história. Aparecia de vez em quando em nossa casa para ganhar um prato de mijadra, alimento comum á base de arroz e lentilhas. E quando a situação não o permitia, contentava-se com um pão redondo que a minha avó fazia num forno a lenha. E foi minha avó que um dia, observando a minha curiosidade, me contou quem era Garabed, o armênio.

Ele e mais de um milhão de armênios sofreram o holocausto na mão dos turcos. Foram expulsos de seu país e obrigados a caminhar pelo deserto em direção à Síria. Morreram milhares, centenas de milhares, mais de um milhão, dizem os historiadores.

Garabed era criança, mais ou menos da sua idade, me dizia minha avó. Era ele, duas irmãs maiores, seu pai e sua mãe. Todos os seus parentes já haviam sido assassinados pelos turcos na Armênia. Só restou a família dele. Mas uma semana depois, durante a travessia do deserto, os soldados turcos violentaram suas irmãs na frente de seu pai e de sua mãe. Em seguida as degolaram. Depois violentaram sua mãe e também a degolaram. Garabed viu tudo e viu também quando um soldado turco chamou seu pai e lhe perguntou porque andava descalço. O pai respondeu que a areia do deserto havia comido seus chinelos. O soldado chamou o ferreiro e mandou buscar cravos e duas ferraduras. Em seguida fizeram o pai de Garabed se ajoelhar e pregaram as ferraduras em seus pés.

Olho para a minha avó estarrecido. Como é possível? Pergunto. Como é possível?
Lágrimas escorriam pelas suas faces.

Eram as lágrimas da humanidade que protestavam contra a brutalidade dessa mesma humanidade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um judeu islâmico

Estava relendo algumas anotações sobre a influência islâmica no judaísmo quando deparei com Os 13 Artigos de Fé do grande filósofo, matemático, físico e médico judeu Abu Imran Musa Ibn Maimún Ibn Abdallah al-Qúrtubi, denominado de Rabi Moshe ben Maimún (Rambam), que o ocidente conhece pelo nome de Maimônides.

Um leitor mais apressado diria que, a exemplo de A Divina Comédia de Dante Alighieri, os textos de Abu Imran seriam também meras compilações de sábios muçulmanos notadamente Razes, al-Farabí, Ibn Sina (Avicena) e particularmente seu vizinho cordobês Ibn Rushd (Averroes).

Além de Abu Imran, muitos outros judeus beberam nas fontes islâmicas, alguns chegando a se converter como o poeta sevilhano Abu Ishaq Ibrahim Ben Sahl.
Maimônides nasceu na cidade muçulmana de Córdoba (Espanha), viveu em Futsat (atual Cairo) onde foi médico de Salah-ud-Dín al-Ayubí o Saladino que derrotou os cruzados.

Considerado o maior pensador judeu da Idade Média, escreveu todas as suas obras em árabe, abarcando vários temas, sendo por isso considerado um polígrafo. Sua obra filosófica mais importante é Dalalat al-Ha'irín que em português seria Guia dos Perplexos Vacilantes.

O humanismo islamo-judaico de Maimônides o transforma num daqueles autores que não pertencem a nenhum grupo ou credo particular, mas a toda humanidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Utopia do absurdo

Este planeta tão belo começa a ficar purulento vítima de um sistema putrefato que não mede conseqüências para atingir seus objetivos.

Privilégios para alguns, exclusão para todos.

Os bolsões de miséria não obedecem a fronteiras. Estão espalhados e se alastram diariamente pelos quatro cantos do planeta. Não há diferença entre os mundos, sejam eles, terceiro, segundo ou primeiro. Ocidente ou Oriente. Eis um exemplo de democracia. Exclusão e globalização.

As misérias desconhecem geografia. Somos todos vítimas dos privilégios.

Anuncia-se a agonia do planeta. Ele estaria nos estertores, aguardando, se nada for feito, o disparo fatal. E, com certeza, não serão os ecologistas a salvá-lo. Aliás, muito podem fazer os ecologistas se puderem salvar a humanidade. Porque dela depende a salvação do planeta.

Salve-se a humanidade e o planeta será salvo.

Mas há aqueles que ainda acreditam na fé e crêem que ela remove montanhas. O pão nosso de cada dia cada vez mais escasso.

É preciso libertar Deus da religião e a humanidade de Deus! Quem se habilita?

Salvar o planeta sem pensar em salvar a humanidade, eis a utopia do absurdo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em nome de Deus

Em nome de Deus católicos criaram a Inquisição;
Em nome de Deus anglicanos criaram o Colonialismo;
Em nome de Deus judeus criaram o Sionismo;
Em nome de Deus luteranos criaram o Nazismo.
Em nome de Deus batistas criaram o Imperialismo
Juntos louvam a Yankeesição batizada de globalização;
Que acusam muçulmanos de fanatismo;
Tudo em nome de Deus!
Pobre diabo...
Pobre humanidade...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Zenon e os senhores das trevas

A verdadeira finalidade do homem é viver em harmonia com a natureza, pois essa harmonia produz a virtude e a virtude é a lei do universo.

A frase é de um libanês da cidade de Tiro, fundador da Escola Estóica e que passou para a história com o nome de Zenon de Cítion.

Pobre Zenon...

Como explicar esse libanês propondo em 300aC. a fraternidade universal entre os homens sem distinção e, em pleno século 21, um israelense e um americano fazendo da brutalidade e da morte a essência de suas crenças?

Pobre humanidade...

O que dizer dos terríveis massacres perpetrados diariamente na Palestina e Iraque pelo anti-humano Sharon e anti-humanidade Bush? Raivosos e anti-semitas, os dois exercem a lógica ensandecida dos castigos coletivos onde o parentesco torna todos culpados. Um e outro destroem casas, explodem escolas e assassinam inocentes pelo fato de serem parentes de resistentes. Mas não concordam quando as vítimas, em desespero, são levadas a responder com a mesma lógica. Sacrificando-se e sacrificando aqueles que julgam responsáveis por seus algozes estarem no poder.

Haverá comparações?

O que diria o filósofo Sêneca, ele que, além de estóico, foi preceptor do imperador Nero?

Com certeza, responderia que comparar a dupla Sharon-Bush a Nero é uma grande injustiça. Primeiro, porque Nero não foi nenhum monstro (e aqui não se trata de inocentá-lo pelos excessos), pois é dele a expressão quando assinava relutante, uma sentença de morte: “Melhor seria se eu nunca tivesse aprendido a escrever”. Além do mais ele possuía um talento multiforme: desenhava, pintava, modelava e fazia versos. Foi patrono das artes e encorajador dos concursos musicais dos quais, para escândalo da corte, ele democraticamente participava. Fez de tudo para minorar o sofrimento das vítimas do incêndio de Roma que consumiu, também, sua casa. Na verdade, talvez o seu grande pecado tenha sido o de não crer num único Deus, ao contrário dos fundamentalistas Bush e Sharon. Esses senhores das trevas precisam entender que não adianta assassinarem inocentes ou saquear museus e destruir bibliotecas na crença de que estariam destruindo a cultura de um povo, porque cultura é uma riqueza que tirano algum consegue confiscar.

Artigo publicado em Novembro 2003. Mudaram os governantes, mas não a brutalidade...

sábado, 3 de outubro de 2009

Os Sete Mandamentos



Conta-se, mas Allah sabe mais, que há muitos e muitos anos quando a humanidade era oprimida por governantes sem alma e governados sem consciência, um asceta, cansado de pregar no deserto, resolveu que era chegada a hora de cobrar do Altíssimo uma solução para colocar um fim ao sofrimento dessa humanidade.
E assim ele fez.

Invocou o Altíssimo e jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Esquelético, a beira da morte havia perdido as esperanças quando uma voz poderosa se fez ouvir.

-Asceta, resolvi atender o seu apelo. Anote aí os sete mandamentos que resolverão todos os problemas da humanidade.

Feliz, o asceta retirou do alforje um papiro e com a mão trêmula começou a escrever.

1- Pegue os políticos neoconservadores, os "neocons" estadunidenses, defensores da "guerra total" no Oriente Médio, no Iraque e no Afeganistão;

2- Junte a eles os defensores do apoio irrestrito às ditaduras militares na América Latina e da guerra nuclear mundial.

3- Localize os membros da direita européia, racista e xenófoba, dedicada a segregar, localizar, prender e expulsar os imigrantes dos países que durante séculos eles colonizaram.

4- Acrescente os grupos oligárquicos que buscam rearticular suas forças para bloquear os avanços da luta indígena e popular na Bolívia, Equador, Venezuela, Paraguai e Brasil.

5- Coloque todos num liquidificador e deixe o aparelho ligado por quarenta minutos, nem mais nem menos.

6- Tempere a receita com aqueles que insistem em frear os avanços democráticos e que são contrários à demarcação das terras indígenas e ao debate sobre a imprescritibilidade dos crimes de tortura cometidos por agentes da repressão durante o regime militar.

Houve uma pequena pausa. Uma eternidade para o asceta que, aflito, pergunta pelo sétimo mandamento.

-Altíssimo, o sétimo mandamento! O Senhor esqueceu o sétimo mandamento!...

A voz fez-se ouvir, mais poderosa do que nunca. A terra tremeu.

-O Sétimo Mandamento deixo sob a sua responsabilidade. Não me decepcione.

O asceta ficou empolgado e sem pestanejar, anotou aquele que seria o sétimo mandamento:

7 – Após juntar e temperar o produto dos seis mandamentos, despeje o conteúdo no vaso sanitário e dê a descarga!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quem sãos os árabes?


Os árabes não são uma geração espontânea.
Não surgiram com o islamismo, judaísmo ou cristianismo.
Eis um resumo:
Historicamente sãos anteriores a Deus e ao monoteísmo.
São uma diversidade de povos com uma unidade lingüística.
Descendem dos faraós, dos fenícios, dos assírios, dos sumérios, dos cananeus, dos babilônios, dos palestinos e por aí vai.
Do ponto de vista religioso, são descendentes de Ismael, o primogênito do Patriarca Abraão, que por sinal era iraquiano da cidade de Ur.
Em seu passado têm
O Primeiro Alfabeto;
O Primeiro Código;
A Primeira Lei;
As Primeiras Navegações;
O Primeiro Dilúvio;
Têm por antepassado
Gilgamesh;
Ramsés;
Nabucodonosor;
Sargão;
Hamurabi;
Talião.
Têm Europa, filha de Agenor, a quem o continente europeu deve o seu nome;
Têm Ifriq, a quem o continente africano deve o seu nome;
Têm os ptolomeus, os seldjuquidas, os romanos e tantos outros que tornam agradável a História aC.
E dC têm os bizantinos, os cruzados e o islamismo, a mais tolerante das religiões monoteístas. Quem conhece história sabe disso. Pois enquanto o Ocidente vivia na Idade das Trevas, o farol árabe-islâmico iluminava a escuridão européia, a começar pela terra dos vândalos, que os árabes denominavam de Al-Vandaluzia, depois Al-Andaluzia - hoje Espanha e Portugal.
Não haveria a Renascença sem os árabes;
Nem os Grandes Descobrimentos.
E mais:
O primeiro a pisar em solo americano foi um muçulmano que acompanhava Cristóvão Colombo;
E no Brasil, a influência árabe se faz sentir em praticamente todos os setores, a começar pelo idioma.
E foi um árabe muçulmano que lutou ao lado de Zumbi no Quilombo dos Palmares.
E foram os muçulmanos Malês que em 1835 realizaram uma grande revolta na Bahia contra a escravidão.
Enfim, é impossível viajar pela História e pela Cultura sem a companhia dos árabes.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Arábicas

No deserto dizem que quem procura vingança deve cavar duas sepulturas.Talvez isso explique a história de Rachid Nasr ad-Din que lutou ao lado dos índios americanos contra os colonos brancos na última metade do século XVI.

Tudo começa no deserto do Saara, quando ele parte em busca de vingança, porque uma adolescente de sua tribo fora seqüestrada 100 anos atrás por um jovem de outra tribo que havia se apaixonado por ela. Como no deserto o tempo não conta, nem as mortes que se sucederam nesses 100 anos de vingança e contra-vingança, agora cabia a ele limpar a honra de sua gente pela desfeita.

Mas, por entender que já era tempo de colocar um ponto final nessa história, e não querendo cavar duas sepulturas, atravessou o deserto até o oceano em busca de novas terras onde pudesse recomeçar sua vida. Virou presa de guerra, quando o barco em que viajava foi capturado por piratas no norte da África, que o venderam como escravo nos Estados Unidos.

Seu comprador queria que o ajudasse na captura de índios cujas cabeleiras valiam fortunas na Europa, utilizadas para fazer perucas que os nobres e mais abastados usavam para cobrir suas cabeças raspadas por causa dos piolhos.

As caçadas aos índios eram realizadas pelos colonos em grupos, diariamente.Ninguém era poupado, nem mulheres, nem crianças.Os pedidos de novos escalpos não cessavam de chegar.

Estarrecido com tamanha brutalidade, Nasr ad-Din, conseguiu escapar acabando por juntar-se aos índios, ao lado dos quais lutou contra os escalpeladores. Mais tarde casou-se com uma princesa índia.

A história registra que Nasr ad-Din foi o primeiro não nativo a navegar pelo rio Hudson.