O primeiro carrapato
a gente nunca esquece
É isso mesmo. A gente nunca esquece o primeiro carrapato, nem o primeiro berne, nem a primeira nuvem de insetos, nem o primeiro temporal, nem a primeira queimada e nem muitas outras primeiras coisas mais.
Vou logo avisando que a vida no campo é ótima, mas quem acha que basta mudar para alcançar o paraíso, vai ficar decepcionado. A relação com a terra não é fácil. Cansei de ver ecologistas do asfalto louvando-a nas primeiras semanas e maldizendo-a nos meses seguintes.
A idéia é que este artigo sirva de alerta.
Se você é um daqueles que aprenderam a amar a natureza através da telinha de tevê, por influência de amigos ou por visitas eventuais, continue amando-a, mas não pense que a vida ali é igual aos dias passados nos fins de semana.
Não é.
Para quem não está habituado, a vida no campo pode ser amarga. A experiência de 25 anos, cheia de alternâncias, agradáveis ou não, me permite tal afirmação.
Exemplos: um dia, num fim de tarde, você resolve apreciar o pôr-do-sol. No melhor momento, as nuvens formam belíssimas figuras com as mais diversas tonalidades, quando uma coceira começa a se alastrar pelo seu corpo. Procura o local sob a camisa ou a calça para dar uma coçadinha, quando seus dedos tocam num calombinho. É um daqueles carrapatos brancos, enormes. Ao esmaga-lo com o dedo, respinga sangue até no rosto.
Desnecessário dizer que o pôr-do-sol foi para as calendas.
Atenção!
Jamais retire o carrapato antes de imobilizá-lo com éter. Caso contrário o ferrão permanece no local, causando durante muitos dias uma coceira ardida. Isto, para não citar a ferida que aumenta na mesma proporção da coceira. É tão dolorosa que passou a freqüentar o dicionário com o nome de carrapata.
Agora, se você gosta de deitar na relva ou caminhar por entre as árvores, naturalmente sem aquele sorriso idiota que acompanha os visitantes de fim-de-semana, reze para não ser atacado pelos carrapatos pólvora. São tão minúsculos, mas tão minúsculos, que se tornam quase invisíveis a olho nu. E gostam de atacar as partes pubescentes do corpo. Imagine a cena momentos depois. Você ou ela deitados, nus, com as pernas abertas, pedindo pelo amor de Deus para arrancar os bichinhos (mais correto seria dizer extrair). Esta operação pode durar horas porque eles habitualmente atacam em bando e são espertos. Espalham-se por outras partes do corpo, de difícil acesso, ao perceber que estão sendo caçados. E se a vítima possuir alguns quilinhos a mais, então é a glória. As dobrinhas do tecido adiposo tornam-se excelente esconderijo.
Mas se o carrapato for um daqueles marronzinhos, muito comuns aliàs, verifique se o seu cachorro não está recebendo a visita deles, pois tal visita poderá ser fatal.
Causa nambiuvu.
Começa sangrando as orelhas, em seguida avança sobre os demais órgãos do corpo. O sofrimento do animal é tão atroz que só restará o sacrifício. Mas como sacrificar alguém que se ama, que faz parte da família, carinhoso, amigo, solidário e outras qualidades mais que as lembranças sempre trazem nestas horas?
O que fazer?
Deixar o cão morrer lentamente com o veneno do pequeno aracnídeo, avançando e corroendo um a um seus órgãos internos, tornando a morte ainda mais dolorosa, ou decidindo-se pelo sacrifício, sabendo de antemão que apesar de todo o sofrimento, ele sente que vai ser executado?
É impossível olhá-lo nos olhos, que derramam lágrimas, não se sabe se de dor ou de tristeza pela derradeira despedida. E tudo isto por causa de um mísero carrapato, que nesta hora você não quer saber se ele tem ou não serventia, se há razão para ele existir ou que faz parte de um elo, etc, etc.
Nada disso interessa. A decisão precisa ser tomada e ponto final.
Como se vê, a vida no campo tem seus bons e maus momentos. Hoje você conheceu os bons. Mas isto é apenas o começo. Já imaginou um berne residindo sob o couro cabeludo, a caminho do cérebro?
Esta é uma história que fica para depois.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Observando e aprendendo
Diz um velho ditado árabe que a experiência e a observação valem mais que os melhores livros. Até que ponto isto pode ser verdadeiro nos dias atuais é uma incógnita, mas para quem mora no campo sua validade é inquestionável.
Por exemplo: para se informar sobre os rigores do inverno, basta observar o comportamento das formigas. Colheita incessante e trilha extensa são indicações claras. A intensidade do frio e a instabilidade do tempo serão equivalentes à quantidade de alimentos que elas recolhem para o armazenamento.
E como o homem agradece tão preciosa informação? Esmagando as operárias com os pés ou jogando veneno no formigueiro. Isto, não sem antes praguejar e proferir uma série de adjetivos nada abonadores contra a existência da "praga". Mal sabe ele que as formigas raramente atacam plantas saudáveis.
Ao invés de cuidar das plantas doentes, ele elimina quem o alerta. Reação tipicamente humana.
Outro exemplo da importância da observação diz respeito à direção dos ventos. O mensageiro é uma ave, o João de Barro, que mistura terra, água e palha para construir sua casinha no alto das árvores. Com ele aprende-se para que lado o vento vai soprar, pois constrói a entrada do ninho sempre em sentido contrário.
Para quem cultiva o saudável hábito de se alimentar de produtos naturais e faz questão de tratar as plantas com produtos orgânicos, não pode prescindir da experiência dos homens do campo.
O que fazer, por exemplo, se uma planta, depois de anos produzindo, parasse a produção repentinamente? A primeira providência deveria ser jamais aceitar sugestões que envolvessem a utilização de agrotóxicos ou venenos, habitualmente designados pelo estranho nome de defensivos.
Vejamos o caso de uma jabuticabeira, que se enquadra no exemplo citado. Durante cinco anos cessou a produção e assim permaneceria, não fosse a experiência de um velho homem da terra, cuja recomendação trouxe de volta as frutas.
Em que consistia tal recomendação?
Que se pendurasse uma lata de 20 litros cheia de água num dos galhos e se fizesse um furo na base dessa mesma lata com prego fino, permitindo a passagem de uma gota por vez. Dia e noite elas banhariam o solo. Este ritual precisaria durar pelo menos um mês.
O resultado não poderia ser melhor. E qual foi a razão desse sucesso?
Segundo o velho e sábio lavrador, as plantas são como as pessoas. Além de sensíveis, gostam de carinho e atenção, precisam descansar e repousar. Mas, muitas vezes elas se esquecem de acordar, ficando adormecidas por longo tempo.
As gotas funcionaram como um despertador.
Finalmente, aos que o destino reservou a inconveniência de ter por companhia os indesejáveis pernilongos, não se preocupem. Para afastá-los basta partir um limão ao meio e colocá-lo próximo. Para os que abriram as portas para a tecnologia, utilizando aparelhos com refil, continuem com as portas abertas, mas substituam o refil artificial por casca de limão do mesmo tamanho.
É infalível.
Depois disso, fica a indagação: a natureza pertence ao homem, ou o homem é que pertence à natureza?
Diz um velho ditado árabe que a experiência e a observação valem mais que os melhores livros. Até que ponto isto pode ser verdadeiro nos dias atuais é uma incógnita, mas para quem mora no campo sua validade é inquestionável.
Por exemplo: para se informar sobre os rigores do inverno, basta observar o comportamento das formigas. Colheita incessante e trilha extensa são indicações claras. A intensidade do frio e a instabilidade do tempo serão equivalentes à quantidade de alimentos que elas recolhem para o armazenamento.
E como o homem agradece tão preciosa informação? Esmagando as operárias com os pés ou jogando veneno no formigueiro. Isto, não sem antes praguejar e proferir uma série de adjetivos nada abonadores contra a existência da "praga". Mal sabe ele que as formigas raramente atacam plantas saudáveis.
Ao invés de cuidar das plantas doentes, ele elimina quem o alerta. Reação tipicamente humana.
Outro exemplo da importância da observação diz respeito à direção dos ventos. O mensageiro é uma ave, o João de Barro, que mistura terra, água e palha para construir sua casinha no alto das árvores. Com ele aprende-se para que lado o vento vai soprar, pois constrói a entrada do ninho sempre em sentido contrário.
Para quem cultiva o saudável hábito de se alimentar de produtos naturais e faz questão de tratar as plantas com produtos orgânicos, não pode prescindir da experiência dos homens do campo.
O que fazer, por exemplo, se uma planta, depois de anos produzindo, parasse a produção repentinamente? A primeira providência deveria ser jamais aceitar sugestões que envolvessem a utilização de agrotóxicos ou venenos, habitualmente designados pelo estranho nome de defensivos.
Vejamos o caso de uma jabuticabeira, que se enquadra no exemplo citado. Durante cinco anos cessou a produção e assim permaneceria, não fosse a experiência de um velho homem da terra, cuja recomendação trouxe de volta as frutas.
Em que consistia tal recomendação?
Que se pendurasse uma lata de 20 litros cheia de água num dos galhos e se fizesse um furo na base dessa mesma lata com prego fino, permitindo a passagem de uma gota por vez. Dia e noite elas banhariam o solo. Este ritual precisaria durar pelo menos um mês.
O resultado não poderia ser melhor. E qual foi a razão desse sucesso?
Segundo o velho e sábio lavrador, as plantas são como as pessoas. Além de sensíveis, gostam de carinho e atenção, precisam descansar e repousar. Mas, muitas vezes elas se esquecem de acordar, ficando adormecidas por longo tempo.
As gotas funcionaram como um despertador.
Finalmente, aos que o destino reservou a inconveniência de ter por companhia os indesejáveis pernilongos, não se preocupem. Para afastá-los basta partir um limão ao meio e colocá-lo próximo. Para os que abriram as portas para a tecnologia, utilizando aparelhos com refil, continuem com as portas abertas, mas substituam o refil artificial por casca de limão do mesmo tamanho.
É infalível.
Depois disso, fica a indagação: a natureza pertence ao homem, ou o homem é que pertence à natureza?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Bispo polonês acusa
"O Holocausto, como tal, é uma invenção dos judeus".
A frase é do bispo polonês Tadeusz Pieronek.
O bispo Tadeusz era amigo do papa João Paulo II e ex-porta-voz da Conferência Episcopal da Polônia.
E ele disse mais: “O Holocausto, como tal, é uma invenção judaica usada para obter vantagens que muitas vezes são injustificadas. (...) Embora seja inegável que a maioria dos que morreram nos campos de concentração eram judeus, havia também os ciganos, poloneses, italianos e católicos na lista(...). Portanto, não é admissível se apropriar desta tragédia para fazer propaganda".
O bispo acusou também os judeus de "arrogância intolerável e de gozar do beneplácito da imprensa, porque são apoiados por poderosos grupos financeiros, além do apoio incondicional dos Estados Unidos".
O bispo criticou o muro da vergonha construído por Israel para segregar os palestinos “que sofrem uma colossal injustiça e que são tratados como animais, cujos direitos são violados, para dizer o mínimo”.
Moshe Kanto, presidente do Congresso Judaico Europeu disse que “ficou chocado” com as declarações do bispo.
“Entendemos que é inaceitável uma importante figura da Polônia tenha feito tais declarações, apenas alguns dias após o Dia Internacional da Recordação do Holocausto”.
Hoje no site http://www.pontifex.roma.it/ o bispo diz que foi mal compreendido...
E aqui http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3839440,00.html o que a imprensa israelense publicou a respeito.
"O Holocausto, como tal, é uma invenção dos judeus".
A frase é do bispo polonês Tadeusz Pieronek.
O bispo Tadeusz era amigo do papa João Paulo II e ex-porta-voz da Conferência Episcopal da Polônia.
E ele disse mais: “O Holocausto, como tal, é uma invenção judaica usada para obter vantagens que muitas vezes são injustificadas. (...) Embora seja inegável que a maioria dos que morreram nos campos de concentração eram judeus, havia também os ciganos, poloneses, italianos e católicos na lista(...). Portanto, não é admissível se apropriar desta tragédia para fazer propaganda".
O bispo acusou também os judeus de "arrogância intolerável e de gozar do beneplácito da imprensa, porque são apoiados por poderosos grupos financeiros, além do apoio incondicional dos Estados Unidos".
O bispo criticou o muro da vergonha construído por Israel para segregar os palestinos “que sofrem uma colossal injustiça e que são tratados como animais, cujos direitos são violados, para dizer o mínimo”.
Moshe Kanto, presidente do Congresso Judaico Europeu disse que “ficou chocado” com as declarações do bispo.
“Entendemos que é inaceitável uma importante figura da Polônia tenha feito tais declarações, apenas alguns dias após o Dia Internacional da Recordação do Holocausto”.
Hoje no site http://www.pontifex.roma.it/ o bispo diz que foi mal compreendido...
E aqui http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3839440,00.html o que a imprensa israelense publicou a respeito.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
“Mãe de Israel” gosta de bater
e humilhar os empregados
Sara Netanyahu, mulher do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, gosta de bater e humilhar os empregados.
E quando alguém protesta, ela simplesmente diz que é a “mãe de Israel” e como tal não tem que dar satisfação a ninguém.
O jornal israelense "Yedioth Ahronoth" diz que Sara está sendo processada por Lílian Peretz, que trabalhava em sua casa em Cesárea. Lilan pede 300 mil shekels (US$ 81,3 mil) por salários não-pagos e compensações por "humilhação" e "exploração".
O jornal Maariv, por exemplo, diz que Sara é quem nomeia os ministros e assessores de Netanyahu, inclusive o seu chefe de gabinete Natan Eshel.
Outra mania de Sara é apropriar-se do que não é seu. Ela surrupiou as roupas de luxo que lhe foram emprestadas durante a campanha eleitoral, com a condição de que as devolvesse depois.
“Para encobrir o escândalo, o Likud acabou arcando com os custos”.
Na nota da BBC, Sara é acusada pela empregada de ser uma pessoa "abusiva e brutal".
Ela revelou também que a senhora Netanyahu a obrigava a levar ao trabalho quatro mudas de roupa por dia "para não contaminar a casa" e a trocar de roupas e tomar banho várias vezes por dia.
e humilhar os empregados
Sara Netanyahu, mulher do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, gosta de bater e humilhar os empregados.
E quando alguém protesta, ela simplesmente diz que é a “mãe de Israel” e como tal não tem que dar satisfação a ninguém.
O jornal israelense "Yedioth Ahronoth" diz que Sara está sendo processada por Lílian Peretz, que trabalhava em sua casa em Cesárea. Lilan pede 300 mil shekels (US$ 81,3 mil) por salários não-pagos e compensações por "humilhação" e "exploração".
O jornal Maariv, por exemplo, diz que Sara é quem nomeia os ministros e assessores de Netanyahu, inclusive o seu chefe de gabinete Natan Eshel.
Outra mania de Sara é apropriar-se do que não é seu. Ela surrupiou as roupas de luxo que lhe foram emprestadas durante a campanha eleitoral, com a condição de que as devolvesse depois.
“Para encobrir o escândalo, o Likud acabou arcando com os custos”.
Na nota da BBC, Sara é acusada pela empregada de ser uma pessoa "abusiva e brutal".
Ela revelou também que a senhora Netanyahu a obrigava a levar ao trabalho quatro mudas de roupa por dia "para não contaminar a casa" e a trocar de roupas e tomar banho várias vezes por dia.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Israel quase afoga os palestinos
De tanto os moradores de Gaza reclamarem que Israel cortou o abastecimento de água, Israel resolveu abrir as comportas da represa e quase provoca milhares de afogamentos..
Se antes os agricultores não dispunham de água, agora perderam suas raras colheitas pelo excesso.
Já que não conseguem afogar os palestinos no mar, os governantes de Israel resolveram afogá-los em terra mesmo.
Enquanto isso o cerco prossegue. De nada adiantaram as reclamações da ONU e das mais de uma centena de ONGs que ali trabalham para minorar o sofrimento.
Aliàs, os dirigentes de Israel resolveram radicalizar ainda mais. Não estão fornecendo vistos para as ONGs, o que está isolando cada vez mais os habitantes de Gaza.
Pobres palestinos, pobre humanidade.
De tanto os moradores de Gaza reclamarem que Israel cortou o abastecimento de água, Israel resolveu abrir as comportas da represa e quase provoca milhares de afogamentos..
Se antes os agricultores não dispunham de água, agora perderam suas raras colheitas pelo excesso.
Já que não conseguem afogar os palestinos no mar, os governantes de Israel resolveram afogá-los em terra mesmo.
Enquanto isso o cerco prossegue. De nada adiantaram as reclamações da ONU e das mais de uma centena de ONGs que ali trabalham para minorar o sofrimento.
Aliàs, os dirigentes de Israel resolveram radicalizar ainda mais. Não estão fornecendo vistos para as ONGs, o que está isolando cada vez mais os habitantes de Gaza.
Pobres palestinos, pobre humanidade.
Tribunal argentino nega que insultos
antissemitas sejam ódio racial
Transcrevo a íntegra da notícia da Agência France Presse.
(AFP) –
BUENOS AIRES — Expressões como "judeu filho da puta" ou "Hitler deveria ter matado todos" não podem ser caracterizadas como ódio racial: são apenas "uma expressão de descontentamento", segundo a sentença de um tribunal argentino divulgada nesta quarta-feira.
A Sala I da Câmara Federal da capital argentina chegou à conclusão de que este tipo de insulto não correspondem a perseguição ou ódio racial, e sim a "ameaças". A decisão encerrou o caso de um homem de origem judaica, que afirma ter sido xingado com estas expressões ao discutir com outro homem por questões comerciais.
"Você é um judeu filho da puta, vou te matar. Você é um traidor igual a toda a sua família e igual a todos os judeus. Hitler deveria ter matado todos vocês. E não me importo, no máximo saio em seis meses por emoção violenta", teria dito o agressor, segundo o texto da denúncia, citada pela imprensa.
"O conteúdo das frases proferidas, por mais reprovável que seja, representou uma maneira certamente infeliz de manifestar o descontentamento oriundo de relações comerciais, e pode ser definido, na verdade, como uma eventual ameaça", determinou a sentença.
Julio Schlosser, coordenador da comunidade judaica loca, disse que a sentença foi "mais do que uma surpresa, e causa preocupação porque não faz nada bem à convivência pacífica", destacando que as expressões empregadas pelo homem "possuem uma carga de antissemitismo".
A comunidade judaica da Argentina é a mais numerosa da América Latina, com cerca de 300.000 pessoas.
antissemitas sejam ódio racial
Transcrevo a íntegra da notícia da Agência France Presse.
(AFP) –
BUENOS AIRES — Expressões como "judeu filho da puta" ou "Hitler deveria ter matado todos" não podem ser caracterizadas como ódio racial: são apenas "uma expressão de descontentamento", segundo a sentença de um tribunal argentino divulgada nesta quarta-feira.
A Sala I da Câmara Federal da capital argentina chegou à conclusão de que este tipo de insulto não correspondem a perseguição ou ódio racial, e sim a "ameaças". A decisão encerrou o caso de um homem de origem judaica, que afirma ter sido xingado com estas expressões ao discutir com outro homem por questões comerciais.
"Você é um judeu filho da puta, vou te matar. Você é um traidor igual a toda a sua família e igual a todos os judeus. Hitler deveria ter matado todos vocês. E não me importo, no máximo saio em seis meses por emoção violenta", teria dito o agressor, segundo o texto da denúncia, citada pela imprensa.
"O conteúdo das frases proferidas, por mais reprovável que seja, representou uma maneira certamente infeliz de manifestar o descontentamento oriundo de relações comerciais, e pode ser definido, na verdade, como uma eventual ameaça", determinou a sentença.
Julio Schlosser, coordenador da comunidade judaica loca, disse que a sentença foi "mais do que uma surpresa, e causa preocupação porque não faz nada bem à convivência pacífica", destacando que as expressões empregadas pelo homem "possuem uma carga de antissemitismo".
A comunidade judaica da Argentina é a mais numerosa da América Latina, com cerca de 300.000 pessoas.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Agora profanam túmulos e queimam mesquita...
Colonos e soldados de Israel profanaram cemitério muçulmano e queimaram mesquita na Cisjordânia.
A acusação é da ONG israelense de direitos humanos Betselem.
De acordo com a Betselem, o crime aconteceu na aldeia de Awarta.
Os vândalos picharam e quebraram lápides.
Palestinos de Awarta reclamaram que esta foi a sétima vez que o cemitério é profanado por colonos israelenses.
"Eles vêm, quebram tudo e nós consertamos", disse Um Feissal, esposa de um homem enterrado no cemitério, cujo túmulo foi destruído.
"Um homem velho e enterrado não constitui ameaça para eles, não sei porque fizeram isso no túmulo dele", acrescentou a viúva.
Nesta semana a policia israelense prendeu quatro colonos do assentamento de Itzhar, no norte da Cisjordânia, sob a acusação de terem incendiado a mesquita da aldeia de Yassuf.
Definitivamente há algo de errado com os israelenses...
Colonos e soldados de Israel profanaram cemitério muçulmano e queimaram mesquita na Cisjordânia.
A acusação é da ONG israelense de direitos humanos Betselem.
De acordo com a Betselem, o crime aconteceu na aldeia de Awarta.
Os vândalos picharam e quebraram lápides.
Palestinos de Awarta reclamaram que esta foi a sétima vez que o cemitério é profanado por colonos israelenses.
"Eles vêm, quebram tudo e nós consertamos", disse Um Feissal, esposa de um homem enterrado no cemitério, cujo túmulo foi destruído.
"Um homem velho e enterrado não constitui ameaça para eles, não sei porque fizeram isso no túmulo dele", acrescentou a viúva.
Nesta semana a policia israelense prendeu quatro colonos do assentamento de Itzhar, no norte da Cisjordânia, sob a acusação de terem incendiado a mesquita da aldeia de Yassuf.
Definitivamente há algo de errado com os israelenses...
sábado, 23 de janeiro de 2010
Continuo não entendendo Israel
Na postagem abaixo, escrevi que não entedia como era possível que os israelenses voassem até o Haiti, para salvar(?) vidas ao mesmo tempo em que mantinham mais de um milhão e meio palestinos num campo de concentração onde sequer podiam recorrer a médicos.
Foi esse o caso da estudante de 18 anos Fida Hejji que morreu de câncer porque os israelenses não lhe deram autorização para sair de Gaza.
Agora a situação se agrava, pois o Ministro de Interior do Estado judaico parou de conceder autorizações para as Ongs que trabalham nos territórios palestinos, inclusive Jerusalém Oriental, prestando socorros.
Entre as dezenas de Ongs que não receberam autorização estão, a Oxfan, Save the Children e Médicos Sem Fronteiras.
Alguém consegue entender semelhante atitude?
Mais sobre esta crueldade você pode ler, em inglês, no jornal israelense Haaretz http://www.haaretz.com/hasen/spages/1143854.html
Na postagem abaixo, escrevi que não entedia como era possível que os israelenses voassem até o Haiti, para salvar(?) vidas ao mesmo tempo em que mantinham mais de um milhão e meio palestinos num campo de concentração onde sequer podiam recorrer a médicos.
Foi esse o caso da estudante de 18 anos Fida Hejji que morreu de câncer porque os israelenses não lhe deram autorização para sair de Gaza.
Agora a situação se agrava, pois o Ministro de Interior do Estado judaico parou de conceder autorizações para as Ongs que trabalham nos territórios palestinos, inclusive Jerusalém Oriental, prestando socorros.
Entre as dezenas de Ongs que não receberam autorização estão, a Oxfan, Save the Children e Médicos Sem Fronteiras.
Alguém consegue entender semelhante atitude?
Mais sobre esta crueldade você pode ler, em inglês, no jornal israelense Haaretz http://www.haaretz.com/hasen/spages/1143854.html
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Quem entende os israelenses?
Sinceramente, não consigo entender os israelenses. Alardeiam ao mundo que vão ajudar os haitianos, ou seja, vão atravessar os sete mares, mas ali, ao lado, continuam cometendo barbaridades.
Foi o que aconteceu agora com a estudante palestina Fida Hejji.
Fida tinha 18 anos de idade e faleceu vítima de câncer, depois de ter negada permissão para buscar tratamento fora da Faixa de Gaza.
Infelizmente só posso concluir que o que menos interessa aos israelenses é salvar vidas. Estão no Haiti mais em busca de publicidade do que para fazer o bem.
Que o diga a jovem Fida Hejji e o milhão e meio de palestinos que vivem num brutal campo de concentração, onde sequer podem receber tratamento médico, graças ao cerco ferrenho imposto pelos israelenses.
Pobre humanidade...
Sinceramente, não consigo entender os israelenses. Alardeiam ao mundo que vão ajudar os haitianos, ou seja, vão atravessar os sete mares, mas ali, ao lado, continuam cometendo barbaridades.
Foi o que aconteceu agora com a estudante palestina Fida Hejji.
Fida tinha 18 anos de idade e faleceu vítima de câncer, depois de ter negada permissão para buscar tratamento fora da Faixa de Gaza.
Infelizmente só posso concluir que o que menos interessa aos israelenses é salvar vidas. Estão no Haiti mais em busca de publicidade do que para fazer o bem.
Que o diga a jovem Fida Hejji e o milhão e meio de palestinos que vivem num brutal campo de concentração, onde sequer podem receber tratamento médico, graças ao cerco ferrenho imposto pelos israelenses.
Pobre humanidade...
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
As mulheres do “Messias” israelense
Goel Ratzon tem 60 anos, 17 mulheres e 38 filhos. Ele é considerado um Messias (Goel significa Salvador em hebraico), vive em Tel Avive e foi preso sob a acusação de escravidão, estupro, extorsão mediante ameaça e abuso sexual de menores, entre outras mais.
No ano passado o canal 10 de televisão realizou uma reportagem com ele, quando o “Messias” afirmou que as mulheres viviam com ele por livre e espontânea vontade. E que diversas delas ameaçaram cometer suicídio caso ele as abandonasse.
Apesar da confissão pública de manter mulheres e crianças em harém, nada aconteceu.
A notícia é do jornal israelense Haaretz.
Mas a notícia não termina aí. Quem quiser mais detalhes é só clicar em http://www.haaretz.com/hasen/spages/1142924.html
E se você clicar em http://74.125.93.132/search?q=cache:pLwtXRKBRDQJ:www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/01/100114_haremtelaviv_gf.shtml+goel+ratzon+bbc&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-a vai entrar no site da BBC e ler que ao invés das 17 mulheres e 38 filhos, ele tinha na verdade 32 mulheres e 60 filhos.
Goel foi acusado de manter mulheres e filhos em regime de escravidão e terror. E de acordo de Gabi Zohar, diretor do Centro Israelense para Vitimas de Seitas, o harém de Ratzon tinha todas as características de uma seita mística.
Zohar afirmou que "trata-se de um caso gravíssimo de exploração de mulheres e crianças, mantendo um regime de terror espiritual, psicológico e físico".
E dizer que em pleno século 21 ainda tem dessas coisas...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Gaza, um exemplo de solidariedade
A informação é da agência espanhola Efe.
“Moradores da Faixa de Gaza realizaram hoje uma campanha de doações para os afetados pelo terremoto ocorrido na última terça-feira no Haiti”.
E só para os leitores terem idéia de como funciona o brutal cerco imposto pelos israelenses aos palestinos, o hoje refere-se ao dia18. Se até a informação sofre bloqueios, imaginem o resto.
Mas continuemos com a agência Efe:
“A ajuda para os desabrigados pelo tremor foi entregue nos escritórios da Cruz Vermelha Internacional na Faixa de Gaza, informa a agência palestina "Ma'an".
"As pessoas podem ficar surpresas com nossa capacidade de recolher doações de nossa gente. Esta é uma campanha humanitária, nosso povo ama a paz e a vida", disse à agência Jamal Al-Khudary, chefe do comitê contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.
"Estamos aqui hoje para apoiar as vítimas no Haiti, pelas quais sentimos uma grande solidariedade porque nós tivemos também nosso grande terremoto durante a invasão de Israel em Gaza" há um ano, comparou Khudary.
Além da censura ferrenha, Israel não permite a entrada de medicamentos em Gaza, não permite a entrada de combustível, cortou a água potável, não permite a livre circulação de palestinos.
De novo a Agência Efe:
“A Faixa de Gaza é uma dos lugares mais pobres do mundo e há dois anos sofre com um bloqueio de Israel que causa entraves ao desenvolvimento econômico local, o que empobreceu a sua população de 1,5 milhão de habitantes de forma extrema.
Familiares de presos palestinos em Israel participaram da campanha e ofereceram ajuda econômica, cobertores, lençóis, alimentos e leite para crianças.
A Cruz Vermelha só aceitou as doações monetárias porque transferir os bens para fora da Faixa de Gaza é uma missão quase impossível, dado o bloqueio israelense, declarou Al-Khudary”.
É esse tipo de atitude dos palestinos, que dividem o pouco que têm, é que redime a humanidade...
A informação é da agência espanhola Efe.
“Moradores da Faixa de Gaza realizaram hoje uma campanha de doações para os afetados pelo terremoto ocorrido na última terça-feira no Haiti”.
E só para os leitores terem idéia de como funciona o brutal cerco imposto pelos israelenses aos palestinos, o hoje refere-se ao dia18. Se até a informação sofre bloqueios, imaginem o resto.
Mas continuemos com a agência Efe:
“A ajuda para os desabrigados pelo tremor foi entregue nos escritórios da Cruz Vermelha Internacional na Faixa de Gaza, informa a agência palestina "Ma'an".
"As pessoas podem ficar surpresas com nossa capacidade de recolher doações de nossa gente. Esta é uma campanha humanitária, nosso povo ama a paz e a vida", disse à agência Jamal Al-Khudary, chefe do comitê contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.
"Estamos aqui hoje para apoiar as vítimas no Haiti, pelas quais sentimos uma grande solidariedade porque nós tivemos também nosso grande terremoto durante a invasão de Israel em Gaza" há um ano, comparou Khudary.
Além da censura ferrenha, Israel não permite a entrada de medicamentos em Gaza, não permite a entrada de combustível, cortou a água potável, não permite a livre circulação de palestinos.
De novo a Agência Efe:
“A Faixa de Gaza é uma dos lugares mais pobres do mundo e há dois anos sofre com um bloqueio de Israel que causa entraves ao desenvolvimento econômico local, o que empobreceu a sua população de 1,5 milhão de habitantes de forma extrema.
Familiares de presos palestinos em Israel participaram da campanha e ofereceram ajuda econômica, cobertores, lençóis, alimentos e leite para crianças.
A Cruz Vermelha só aceitou as doações monetárias porque transferir os bens para fora da Faixa de Gaza é uma missão quase impossível, dado o bloqueio israelense, declarou Al-Khudary”.
É esse tipo de atitude dos palestinos, que dividem o pouco que têm, é que redime a humanidade...
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Fundamentalistas cospem em clérigos e quebram cruz do século 17
Sinceramente estou cansado de publicar esse tipo de notícia. Mas o que posso fazer se o próprio jornal Haaretz chama a atenção sobre o fanatismo judaico que aos poucos vai envolvendo todos os israelenses?
O Haaretz, como todos sabem, é o mais importante jornal de Israel (alguns podem não concordar) e é ele quem publica em suas páginas que judeus fanáticos cuspiram no aclérigo ortodoxo grego( eu pessoalmente acho que se trata do arcebispo católico greco-melquita).
Mas não foi somente isso. No domingo, um estudante de yeshiva cuspiu na Cruz quando era carregada pelo arcebispo armênio durante uma procissão a caminho do Santo Sepulcro na Cidade Velha.
Não satisfeito em cuspir na Cruz, o estudante judeu acabou causando um tumulto. Resultado: a Cruz, uma relíquia do século 17, acabou quebrando.
Eu paro por aqui, mas vocês podem continuar lendo, em inglês, a informação do Haaretz, pois há muito mais. http://www.haaretz.com/hasen/pages/ShArt.jhtml?itemNo=487412&contrassID=2&subContrassID=5&sbSubContrassID=0&listSrc=Y
Sinceramente estou cansado de publicar esse tipo de notícia. Mas o que posso fazer se o próprio jornal Haaretz chama a atenção sobre o fanatismo judaico que aos poucos vai envolvendo todos os israelenses?
O Haaretz, como todos sabem, é o mais importante jornal de Israel (alguns podem não concordar) e é ele quem publica em suas páginas que judeus fanáticos cuspiram no aclérigo ortodoxo grego( eu pessoalmente acho que se trata do arcebispo católico greco-melquita).
Mas não foi somente isso. No domingo, um estudante de yeshiva cuspiu na Cruz quando era carregada pelo arcebispo armênio durante uma procissão a caminho do Santo Sepulcro na Cidade Velha.
Não satisfeito em cuspir na Cruz, o estudante judeu acabou causando um tumulto. Resultado: a Cruz, uma relíquia do século 17, acabou quebrando.
Eu paro por aqui, mas vocês podem continuar lendo, em inglês, a informação do Haaretz, pois há muito mais. http://www.haaretz.com/hasen/pages/ShArt.jhtml?itemNo=487412&contrassID=2&subContrassID=5&sbSubContrassID=0&listSrc=Y
domingo, 17 de janeiro de 2010
Autores-tradutores do mundo árabe-muçulmano
Por Mônica Kalil Pires*
O contato de culturas é, antes de mais nada, o encontro de pessoas oriundas de sociedades com valores e histórias diferentes. Para haver o entendimento, é preciso não apenas traduzir a língua, mas também apresentar uma cultura para a outra. Comunidade de origem e comunidade de recepção têm identidades próprias, construídas com base na história, na língua e na religião, entre outros aspectos. A tradução respeita essas diferenças, mas procura pontos e de contato e aceita as perdas inevitáveis.
Em minha tese de doutorado, investiguei como e por que autores contemporâneos, de origem libanesa mas vivendo fora de seu país de nascimento, apresentam a cultura árabe-muçulmana para o ocidente judaico-cristão. As obras escolhidas – Léon, l´africain e A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, de Amin Maalouf e Georges Bourdoukan, respectivamente – são romances históricos que se passam entre o século XV e o XVII, quando muçulmanos e judeus estavam em paz e eram perseguidos pela Inquisição cristã. Esses romances dialogam com o tempo dos autores, ou seja, durante e imediatamente depois da Guerra Civil do Líbano, que durou de 1975 a 1990 e opôs, esquematicamente, muçulmanos contra cristãos e judeus.
Léon, l´africain se passa entre 1490 e 1530, principalmente nas cidades de Granada, Fez, Cairo e Roma. A incrível e fascinante história do Capitão Mouro transcorre entre os anos de 1693 e 1694, período que antecedeu a tomada do Quilombo de Palmares, na Capitania de Pernambuco.
Por uma série de peripécias, os protagonistas, muçulmanos, acabam vivendo entre cristãos e têm com eles posturas distintas.
Leon aprendera a odiar os cristãos, responsáveis pela expulsão dos muçulmanos de Granada; em sua vida adulta, como comerciante e diplomata, mostra-se um ser aberto, em transformação: aprende com os antigos inimigos e questiona seus próprios valores, sem necessariamente negá-los. O Capitão Mouro, por outro lado, é um guerreiro, que defende sua identidade muçulmana mesmo arriscando sua vida, e enfrenta os cristãos, apresentados em bloco, como hipócritas, brutais e ignorantes.
Bourdoukan tem um discurso idealizado e simplificado sobre a relação entre judeus e muçulmanos, afirmando que nunca aqueles foram perseguidos por estes em terras do Islã; Maalouf mostra que havia, sim, algumas perseguições aos judeus, mesmo que elas não fossem a regra.
Nestes romances, a compreensão da História não é mais a mesma que a do século XIX, por isso amplia-se a noção de fontes e são valorizadas vozes de seres tradicionalmente emudecidos nos relatos oficiais, como as mulheres e os escravos, por exemplo.
Além dos fatos históricos, os autores também exploram outras características da cultura árabe-muçulmana, especialmente o uso de histórias que ajudam a compreender um conceito (os chamados mathal). Também nos romances são apresentados costumes e rituais muçulmanos e cristãos, fazendo com que o leitor perceba as diferentes leituras do mundo possíveis.
Várias diferenças se evidenciam quando se faz a comparação das obras, e isso porque Bourdoukan e Maalouf têm projetos literários distintos. Em Léon, l´africain, Maalouf prega a tolerância e isso se revela no romance com a apresentação dos diversos ângulos da História; cria personagens complexos e que têm dúvidas. Nesse espaço criado pela dúvida, reside a possibilidade de Paz. Bourdoukan, por sua vez, defende a Justiça como forma de atingir a Paz, e, pelo excesso de críticas já presentes na mídia ocidental, evita apresentar aspectos negativos da cultura e da história árabe-muçulmana. Em A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, une os oprimidos contra os opressores; muda o conteúdo, não a estrutura da violência. O Islã vira um bloco sem problemas, à custa da exclusão de personagens e fatos que poderiam macular esta imagem.
Maalouf e Bourdoukan, cada um a seu modo, mostram como a literatura pode ampliar a visão de mundo dos leitores e propiciar intimidade com o outro, sem demonizá-lo. Para quem descobre o outro, esse pode ser o início de um relacionamento, com aceitação e interação cultural.
Este artigo é o resumo da tese de doutorado em Literatura Comparada “A tradução cultural em romances históricos: análise comparativa entre Léon, l´africain, de Amin Maalouf, e A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, de Georges Bourdoukan”, defendida na UFRGS, em 2009, com o apoio do CNPq.
Publicado originalmente no site do Instituto de Cultura Árabe -http://mail2.terra.com.br/86.1trr/reademail.php?id=27594&folder=Inbox&cache=da7bfaf6f9d8dba78990ba0bca687e74@ecmailing.ecomm.com.br
Por Mônica Kalil Pires*
O contato de culturas é, antes de mais nada, o encontro de pessoas oriundas de sociedades com valores e histórias diferentes. Para haver o entendimento, é preciso não apenas traduzir a língua, mas também apresentar uma cultura para a outra. Comunidade de origem e comunidade de recepção têm identidades próprias, construídas com base na história, na língua e na religião, entre outros aspectos. A tradução respeita essas diferenças, mas procura pontos e de contato e aceita as perdas inevitáveis.
Em minha tese de doutorado, investiguei como e por que autores contemporâneos, de origem libanesa mas vivendo fora de seu país de nascimento, apresentam a cultura árabe-muçulmana para o ocidente judaico-cristão. As obras escolhidas – Léon, l´africain e A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, de Amin Maalouf e Georges Bourdoukan, respectivamente – são romances históricos que se passam entre o século XV e o XVII, quando muçulmanos e judeus estavam em paz e eram perseguidos pela Inquisição cristã. Esses romances dialogam com o tempo dos autores, ou seja, durante e imediatamente depois da Guerra Civil do Líbano, que durou de 1975 a 1990 e opôs, esquematicamente, muçulmanos contra cristãos e judeus.
Léon, l´africain se passa entre 1490 e 1530, principalmente nas cidades de Granada, Fez, Cairo e Roma. A incrível e fascinante história do Capitão Mouro transcorre entre os anos de 1693 e 1694, período que antecedeu a tomada do Quilombo de Palmares, na Capitania de Pernambuco.
Por uma série de peripécias, os protagonistas, muçulmanos, acabam vivendo entre cristãos e têm com eles posturas distintas.
Leon aprendera a odiar os cristãos, responsáveis pela expulsão dos muçulmanos de Granada; em sua vida adulta, como comerciante e diplomata, mostra-se um ser aberto, em transformação: aprende com os antigos inimigos e questiona seus próprios valores, sem necessariamente negá-los. O Capitão Mouro, por outro lado, é um guerreiro, que defende sua identidade muçulmana mesmo arriscando sua vida, e enfrenta os cristãos, apresentados em bloco, como hipócritas, brutais e ignorantes.
Bourdoukan tem um discurso idealizado e simplificado sobre a relação entre judeus e muçulmanos, afirmando que nunca aqueles foram perseguidos por estes em terras do Islã; Maalouf mostra que havia, sim, algumas perseguições aos judeus, mesmo que elas não fossem a regra.
Nestes romances, a compreensão da História não é mais a mesma que a do século XIX, por isso amplia-se a noção de fontes e são valorizadas vozes de seres tradicionalmente emudecidos nos relatos oficiais, como as mulheres e os escravos, por exemplo.
Além dos fatos históricos, os autores também exploram outras características da cultura árabe-muçulmana, especialmente o uso de histórias que ajudam a compreender um conceito (os chamados mathal). Também nos romances são apresentados costumes e rituais muçulmanos e cristãos, fazendo com que o leitor perceba as diferentes leituras do mundo possíveis.
Várias diferenças se evidenciam quando se faz a comparação das obras, e isso porque Bourdoukan e Maalouf têm projetos literários distintos. Em Léon, l´africain, Maalouf prega a tolerância e isso se revela no romance com a apresentação dos diversos ângulos da História; cria personagens complexos e que têm dúvidas. Nesse espaço criado pela dúvida, reside a possibilidade de Paz. Bourdoukan, por sua vez, defende a Justiça como forma de atingir a Paz, e, pelo excesso de críticas já presentes na mídia ocidental, evita apresentar aspectos negativos da cultura e da história árabe-muçulmana. Em A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, une os oprimidos contra os opressores; muda o conteúdo, não a estrutura da violência. O Islã vira um bloco sem problemas, à custa da exclusão de personagens e fatos que poderiam macular esta imagem.
Maalouf e Bourdoukan, cada um a seu modo, mostram como a literatura pode ampliar a visão de mundo dos leitores e propiciar intimidade com o outro, sem demonizá-lo. Para quem descobre o outro, esse pode ser o início de um relacionamento, com aceitação e interação cultural.
Este artigo é o resumo da tese de doutorado em Literatura Comparada “A tradução cultural em romances históricos: análise comparativa entre Léon, l´africain, de Amin Maalouf, e A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, de Georges Bourdoukan”, defendida na UFRGS, em 2009, com o apoio do CNPq.
Publicado originalmente no site do Instituto de Cultura Árabe -http://mail2.terra.com.br/86.1trr/reademail.php?id=27594&folder=Inbox&cache=da7bfaf6f9d8dba78990ba0bca687e74@ecmailing.ecomm.com.br
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
"Judeus ultra-ortodxos” apedrejam
mulher em nome dos bons costumesA mulher não estava nua, não estava de maiô e nem de biquíni. Seu crime foi estar vestida com uma saia dois dedos acima dos joelhos.
O suficiente para ser apedrejada em plena luz do dia, na cidade de Jerusalém, por uma patrulha de “judeus ultra-ortodoxos”.
Foi necessária a intervenção da polícia para que ela não fosse lapidada. Aliàs, nem a polícia escapou das pedradas.
A informação é do jornal Jerusalém Post.
http://www.jpost.com/servlet/Satellite?pagename=JPost/JPArticle/ShowFull&cid=1261364490363
Ainda de acordo com o jornal, esses judeus fazem parte do Esquadrão da Modéstia, grupo de vigilantes sexo masculino que já promoveram inúmeros atos de violência em nome dos bons costumes...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A luta dos palestinos é a luta de todos
os povos oprimidos do mundo
O Egito não vai abrir a passagem fronteiriça com a Faixa de Gaza porque isto significaria o reconhecimento do Hamas.
A afirmação é do o ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit.
“Reconhecer o Hamas, afirmou, é uma violação das obrigações do Egito com Israel, a União Europeia (UE) e a comunidade internacional".
A Faixa de Gaza é hoje, reconhecidamente, um campo de concentração, graças ao brutal bloqueio que lhe é imposto por Israel.
E agora com apoio do governo egípcio.
Essa atitude de um governo ditatorial, submisso a um governo racista, só pode causar a indignação daqueles que amam a liberdade.
O Hamas (Ḥarakat al-Muqāwamat al-Islāmiyyah - Movimento de Resistência Islâmica), é um partido político e um movimento de libertação. Seus dirigentes foram eleitos naquela que é considerada a mais livre e transparente das eleições de que se tem notícia no Oriente Médio.
Em todo o Oriente Médio, incluindo-se aí Israel.
É impressionante como a democracia e a resistência palestinas assustam. E não é para menos. Afinal, tanto os ditadores quanto os racistas sabem que a luta dos palestinos é a luta de todos os povos oprimidos do mundo.
Ou alguém duvida?
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Abelhas muçulmanas
Foi uma loucura. Uma loucura típica de uma sociedade neurótica.
E aconteceu no aeroporto de Bakersfield, que fica a 100 quilômetros ao norte de Los Angeles. Ele foi fechado, evacuado e os vôos desviados.
A razão?
Francisco Ramirez, um jardineiro de 31 anos de idade, que portava cinco garrafas de Gatorade com um líquido estranho.
Imediatamente foi detido e levado para interrogatório. Ocorre que o líquido fez disparar os alarmes do aeroporto.
Agentes do FBI, cães farejadores de explosivos, bombeiros e membros de uma força-tarefa conjunta "contra o terrorismo", fecharam as entradas e saídas do aeroporto, talvez imaginando que Ramirez tivesse cúmplices.
Dois agentes de segurança queixaram-se de náuseas ao abrir os frascos e foram levados às pressas para o hospital.
A neurose diminuiu somente depois que Ramirez explicou que nos frascos havia apenas MEL e análises posteriores confirmaram.
Ao serem informados do conteúdo dos frascos, os agentes que haviam sentido náuseas receberam alta do hospital. Mas não descartaram a possibilidade desse mel ser produto de abelhas muçulmanas...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Você acha que o Brasil deve dialogar
com o grupo islâmico Hamas?
com o grupo islâmico Hamas?
A propósito da manifestação do chanceler Celso Amorim em dialogar com o Hamas, o jornal O Estado de São Paulo de ontem, domingo, em seu caderno Aliàs pediu dois textos a "dois especialistas", favoráveis e contrários ao diálogo, para responderem a peregunta acima. O meu texto foi que sim. O não, ficou por conta de outra pessoa.
A seguir, o meu texto:
O Brasil deve sim, dialogar com o Hamas.
O Hamas é um movimento político e de libertação.
Seus dirigentes foram escolhidos em eleições transparentes, sobejamente reconhecidas pelos observadores internacionais.
O Hamas representa o povo palestino e como tal não deve ser marginalizado.
O Brasil, ao dialogar com o Hamas, envia um recado claro a todos aqueles que se opõem ao diálogo. Nada substitui o diálogo.
A Palestina é uma nação ocupada e tem direito a resistir. E isto está na Carta da ONU. A mesma ONU que deu legitimidade ao Estado de Israel e também ao Estado palestino.
O Brasil reconhece essa legitimidade e por isso não pode se omitir. Essa atitude reforça a grandeza do país no concerto das nações.
Hoje o Brasil é reconhecido internacionalmente como um interlocutor isento e de primeira linha.
Não é visto com desconfiança como, por exemplo, os Estados Unidos que não tem interesse real na paz.
Que o Brasil dialogue com o Hamas.
Palestinos, israelenses e todos os que privilegiam a paz, agradecem.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Neste 2.010 espero
Que os governantes de Israel parem de fazer dos rios de sangue uma ode à brutalidade;
Que parem de cultivar a estupidez cósmica;
Que não tenham mais a vontade dilacerada por ordens ou omissões;
Que não transformem em dogma suas frustrações;
Que parem de chafurdar num lodo mental;
Que deixem de ser desumanos, presunçosos e tolos;
Que a paz é possível.
Que os governantes de Israel parem de fazer dos rios de sangue uma ode à brutalidade;
Que parem de cultivar a estupidez cósmica;
Que não tenham mais a vontade dilacerada por ordens ou omissões;
Que não transformem em dogma suas frustrações;
Que parem de chafurdar num lodo mental;
Que deixem de ser desumanos, presunçosos e tolos;
Que a paz é possível.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Avatar
Leitores querem a minha opinião sobre Avatar. Confesso que fazia um século que não ia ao cinema.
Fiquei impressionado com a mensagem do filme. Principalmente em se tratando de um filme que os bagrinhos da mídia habitualmente denominam de “arrasa quarteirão”. Não estarei enganado ao afirmar que a película me lembrou a invasão e o saque das nações africanas pelos colonialistas europeus do século 19, e mais recentemente a Palestina pelos euro-sionistas. Alem da invasão do Iraque e do Afeganistão pelos Estados Unidos.
Sinceramente não sei se essa foi a intenção do diretor e do roteirista. E também não sei se foi apenas uma mera coincidência. Mas que as semelhanças são claríssimas, isso elas são.
Um pequeno senão, mas essa é uma questão muito pessoal. A atriz Sigourney Weaver já começa o filme pedindo cigarro. Uma imagem gratuita, o que me leva a supor que a indústria de tabaco é uma das co-patrocinadoras.
No entanto, quem não está preocupado com essas questões, pode assistir ao filme já que ele é um espetáculo visual.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
A avó que todo mundo queria
Judia octogenária norte-americana, sobrevivente do Holocausto, Hedy Epstein é a mais velha dos milhares de participantes da Marcha pela Libertação de Gaza. Ela é anti-sionista e está em greve de fome no Cairo, para exigir que as autoridades egípcias abram a fronteira com Gaza, deixando passar os ativistas pró-palestinos.
Hedy tem 85 anos de idade e vive no Estado americano do Missouri.
Mais em http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1458279&seccao=M%C3%A9dio%20Oriente
Entre os milhares de ativistas pró-palestinos encontra-se um grupo de judeus ultraortodoxos anti-sionistas que portavam uma faixa com a inscrição "sim ao judaísmo, não ao sionismo. O Estado de Israel deve desaparecer".
Mais em http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u673230.shtml
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