segunda-feira, 31 de maio de 2010

Um horror

Israel atacou a Flotilha da Liberdade e até o momento assassinou 15 passageiros e feriu mais de 50.

O ataque ocorreu em águas internacionais.

Diversos governos protestaram contra a brutalidade, já que a Flotilha transportava medicamentos, alimentos e material escolar.

São 6 barcos, eram 9, com mais de 800 passageiros de diversas partes do mundo.
Todos militantes de ONGs pacifistas.

O governo turco, principal aliado de Israel, manifestou indignação e ameaça romper relações.

Clique em http://gazafreedommarch.org/cms/en/home.aspx para acompanhar ao vivo.

Aos leitores informo que nos próximos quatro dias estarei em viagem em razão de compromissos assumidos anteriormente. É possível que não consiga atualizar o blog adequadamente. Peço a compreensão de vocês.

domingo, 30 de maio de 2010

Flotilha da Liberdade está chegando a Gaza


Clique em http://gazafreedommarch.org/cms/en/home.aspx 


para acompanhar ao vivo a Flotilha da Liberdade.

São nove barcos de vários países do mundo transportando medicamentos e alimentos para a população de Gaza.



Eles devem chegar ainda hoje.

Israel diz que não vai permitir a aproximação dos barcos.


Vamos aguardar para ver o que vai acontecer.
Negros, o que você esperava?

Estrelas

Duas estrelas iluminaram o céu

A primeira trouxe a salvação

A segunda trouxe destruição

Está contada a história da Palestina

sábado, 29 de maio de 2010


Crueldade sem fim

Tanta crueldade nesse mísero planeta e ainda há os que pensam em salvá-lo. Acreditem, se algum dia essa bola perdida no espaço desaparecer o universo não sentirá falta.

Uma pena.

E por que digo isso?

É que graças à omissão da mídia somente agora fico sabendo da violência e estupro de mais de 100 crianças palestinas por soldados israelenses.

A denúncia é da ONG Defesa Internacional da Criança (DCI em inglês) que recolheu mais de 100 testemunhos dessas crianças.

Alguém escutou ou leu algo a respeito?

Nada, absolutamente nada.

Somos todos reféns dessa mídia cuja única preocupação é manter as pessoas cegas e desinformadas.

Justiça seja feita ao jornal israelense Haaretz, que repercutiu essa denúncia.

As crianças estavam sob a custódia das denominadas forças de defesa de israel.

Como reagir a tamanha bestialidade?

Nem os animais agem assim.

Ainda me lembro do artigo do jornalista estadunidense Seymour Hersh do New Yorker ao denunciar a sodomia de crianças iraquianas pelos soldados americanos:

“Assisti a tapes onde podíamos ver as crianças sendo sodomizadas. O pior de tudo era ouvir seus gritos”.

Será que o grito das crianças palestinas é menos estridente do que o das  crianças iraquianas para ninguém se importar?

Pobres crianças.
Pobre Palestina.
Pobre humanidade...


E aqui você assiste à prisão de 5 crianças palestinas pelos soldados de Israel

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A solidão da senhora Clinton

A senhora Hillary Clinton disse que EUA e Brasil têm sérias divergências.

Por culpa do Irã.

Não sei se os leitores têm reparado nas expressões faciais da inimputável senhora. 
 
Me parece que ela anda dormindo muito mal. Tem aparecido até descabelada.

Por isso, ao raciocinarmos juntos, chegaremos à conclusão que o menos culpado é o Irã.

Com certeza culpa maior cabe ao senhor Bill Clinton, que não tem cumprido o dever de casa.

Fiquei sabendo que ele tem se recusado a homenageá-la há mais de inauditos seis meses.

Essa é uma informação procedente de altas  esferas.

Ela não sabe mais o que fazer.

Já não agüenta a solidão.

Reparem que ela tem se recusado até a trocar os tradicionais beijinhos com os visitantes ou anfitriões, por temor de não poder se conter.

Poderão dizer que esse não é um texto politicamente correto.

Mas vocês acham politicamente correto as mentiras que ela, seus patrões e a mídia corrupta e subserviente andam espalhando sobre o Irã?

Estão se esquecendo do Iraque?

Do Afeganistão?

Da Palestina?

E dos centros de tortura que funcionam diuturnamente?

Sinceramente...


Isso a mídia não mostra
Assim falou o presidente Lula

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Repondo a verdade


Não se trata de defender o sr. Ahmadinejad, mas de repor a verdade.

Ele jamais afirmou pretender riscar,  varrer Israel do mapa ou algo semelhante.

Tudo não passou de um erro de tradução, que foi corrigido, mas o estrago já estava feito.

Então, o que ele realmente disse?

Para citar suas palavras exatas em persa:  "Imam ghoft een rezhim-e ishghalgar-e qods bayad az safheh-ye ruzgar mahv shavad."

A palavra chave é rezhim-e cujo significado é regime. Ou seja, a destruição a que ele se referiu é ao regime sionista e não ao país.

É importante ressaltar que ele jamais mencionou a palavra Israel ou mapa, mas Jerusalém.

E não podia ser diferente em se tratando de um persa. Afinal, vivem no Irã mais de 50 mil judeus com suas escolas, sinagogas, hospitais e até como membros do parlamento.

E sendo assediados diariamente por “sionistas cristãos” estadunidenses, que lhes oferecem 100 mil dólares por cabeça para deixarem o país a caminho de Israel.

Como se fosse possível ser sionista e cristão. Mas em se tratando dos neopentecostais, tudo é possível.

Eles podem ser sionistas, cristãos jamais.

E a resposta dos persas judeus tem sido a de  que vivem no país há mais de quatro mil anos e jamais tiveram problemas.

Para saber mais sobre os erros de tradução do discurso de Ahmadinejad, em inglês, clique em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=NOR20070120&articleId=4527&gt

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Foi durante o debate com os outros candidatos na CNI
As sábias palavras de Dilma Rousseff

As negociações do Brasil com o Irã, que resultaram em acordo nuclear são muito virtuosas, sob qualquer aspecto.

O Brasil não demonstrou ingenuidade no Irã, como querem alguns.

Optamos por uma estratégia de paz e de diálogo, em que é possível construir o acordo, não o desacordo; criar pontes, e não levantar muros.
Silêncio cúmplice

Mas como? Ninguém mais fala dos fascistas israelenses?

Ofereceram a bomba atômica para o regime racista da África do Sul e fica por isso mesmo?

Nenhuma palavra, nenhuma imagem?

Estão esperando o que?

Desmentido?

Que raio de jornalismo é esse?

Que raio de silêncio cúmplice é esse?

Ah! Mas tem o Irã.

Mas o Irã nem bomba tem.

Definitivamente Bush júnior fez escola.

Atacam preventivamente o Irã para atingir o presidente Lula.

E absolvem o estado colonialista de Israel que ocupa TRÊS países.

E absolvem o estado racista de Israel que ofereceu bomba atômica ao então estado racista de África do Sul.

É o jornalismo saudoso do prendo e arrebento.

Aí vem o candidato Serra, que entende tanto de política internacional quanto de economia, e agride o Irã através de seu presidente eleito em eleição muito mais limpa do que a dos Estados Unidos.

Os mesmos Estados Unidos que invadiram, saquearam e estupraram duas nações independentes.

A mídia produzida no esgoto  simplesmente repete o que os patrões do norte mandam.

Sinceramente jamais vi algo parecido.

Uma obediência cega, subserviente e servil.

O Brasil não merece tamanha ignomínia. 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quem puder, compareça

clique na imagem

Amigos, esperamos por vocês hoje, a partir das 19hs, na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731.
Quem puder, compareça para um bate-papo com os autores. 


O meu conto tem por título O Homem que libertou a Morte. 





As organizadoras da obra, Adriana Armony e Tatiana Salem Levy falam sobre o projeto:

“O projeto surgiu da necessidade de mostrar a riqueza e a diversidade dessa herança – da qual ainda se conhece pouco no Brasil –, e ao mesmo tempo pela proximidade entre  duas culturas que, embora muitas vezes sejam vistas como opostas, tiveram berço semelhante. Numa época de conflitos territoriais que tendem à simplificação, queríamos criar um espaço onde essas culturas dialogassem e frutificassem.

     Por outro lado, nos parece que já existe uma importante tradição literária brasileira que trata ou provém da imigração, e que nos diz bastante não só sobre as culturas de origem, mas também sobre o Brasil, um país tão multifacetado quanto antropofágico. E julgamos importante revelar e atualizar essa tradição. ”

Que venham as sanções

Vamos deixar uma coisa clara.

As revelações do jornal britânico The Guardian sobre a bomba atômica israelense e sua oferta de venda para o então regime racista da África do Sul me parece muito mais um vazamento do que um trabalho de pesquisa jornalístico.

Resta saber se esse vazamento foi obra dos Estados Unidos ou da África do Sul, já que os dois têm motivo para tal.

O governo dos Estados Unidos que precisa se livrar do lobby judaico, que ultimamente tem determinado aos EUA os caminhos a seguir.

Não vamos esquecer que os comandantes usamericanos que servem no Iraque e Afeganistão estão sempre reclamando da intromissão israelense.

E não foram poucas as vezes que sugeriram ao presidente Obama para se preocupar mais com os interesses dos Estados Unidos e menos com os de Israel.

É para se pensar.

Já a África do Sul quer mesmo distância dos israelenses. 

Não vamos esquecer que durante o apartheid, Israel era o único pais do Oriente Médio que apoiava e mantinha relações com o regime racista.

Eram os israelenses que ensinavam aos carrascos brancos sul-africanos a arte da tortura.

É também para se pensar.

E aqui vai uma sugestão.

Brasil e Turquia devem imediatamente exigir do Conselho de Segurança da ONU que adote sanções contra o estado judeu.

Vamos ver como esse Conselho e a Comunidade Européia vão se comportar.

Aguardemos.
Vassalagem

Não tem jeito mesmo. O pessoal da Quirguízia é quem tem razão. Pau que nasce torto não tem jeito morre torto.

Nunca vi tanta vassalagem midiática. Sim! Estou falando  sobre o acordo acertado entre Brasil, Turquia e Irã .

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Sim! Estou falando do presidente Lula. 


Conseguiu trazer à mesa de negociação o Sr. Mahmoud Ahmadinejad quando ninguém mais acreditava.

Nem a ONU, nem os Estados Unidos e nem a Comunidade Européia.

Mas Lula é um sertanejo e o sertanejo é, antes de tudo, um forte.

Palavra de Euclides da Cunha.

Assinado o acordo, o que acontece?

Os donos do mundo, travestidos em cordeiros em pele de lobo, acionaram a mídia vassala, que não deixou por menos.

Uivos e mais uivos.

A baba fétida que soltavam tinha apenas um alvo, Lula, o brasileiro.

Como ele se atreve?

Quem pensa que ele é?

Durante uma semana o brasileiro não foi poupado.

A mídia produzida no Brasil, que de brasileira não tem nada, engasgava na própria baba.

Queria, e continua querendo, mostrar aos donos do mundo que vassalagem é com ela mesmo.

Bateu, vociferou e até amaldiçoou.

Uma ou outra voz solitária tentava destoar do coro geral.

E aí veio a revelação bombástica.

O acordo assinado nada mais era do que o desejado pelos donos do mundo.

Revelou-se a existência de uma carta secreta enviada pelo presidente Obama ao presidente Lula agradecendo seus esforços e desejando sucesso na missão impossível.

Então por que essa mudança repentina de Obama?

Quem o pressionou para mudar de idéia?

Talvez a resposta esteja com o Sr. Henry Ford.

Procure e acharás!

domingo, 23 de maio de 2010

    Os inimigos de Israel segundo Israel

Rabinos rejeitam o sionismo e o Estado de Israel


Noam Chomski- Filósofo e professor
Norman Finkelstein – professor e escritor
Richard Falk – jurista e relator da ONU
Os três tem em comum o fato de serem judeus íntegros e de acusarem Israel de crimes de guerra.

Desmond Tutu – Bispo Anglicano e prêmio Nobel da Paz
José Saramago – Escritor e Prêmio Nobel de Literatura
Gabriel Garcia Marques – Escritor e Prêmio Nobel de Literatura
Nelson Mandela – Dispensa apresentação.

Os quatro têm em comum o fato de estarem banidos da mídia por suas criticas a Israel.

sábado, 22 de maio de 2010

Concurso Jorgenrique Adoum

Patrocinado pelo Consulado Geral do Equador em Gênova - Itália

                   Coordenado por Priscila Cujilan

"Cada ser humano deve se auto-libertar da ignorância, das superstições, dos medos, dos apegos, dos preconceitos, dos tabus, das paixões e dos desejos malsões”.
                                                                        Jorgenrique Adoum


 Neruda afirmou certa vez que em Adoum o Equador tinha o melhor poeta da América Latina.


                                    Texto de Roberto Marras

"No contexto do XVI Festival Internacional de Poesia em Gênova - 10-20 de junho 2010, vai ocorrer o I Concurso de Poesia da Diáspora Equatoriana “Jorgenrique Adoum”, famoso poeta equatoriano (Ambato 29.VI.1926 - Quito 3.VII.2009).
O objetivo desta iniciativa é o de estimular a auto-representação dos migrantes e a reflexão sobre a mobilidade humana através da expressão poética: a poesia para promover o encontro entre a comunidade genovesa e a comunidade equatoriana, comunidade migrante mais numerosa na capital da Ligúria.
Esta forma de compartilhar a cultura vai permitir aos Italianos conhecerem melhor as equatorianas e os equatorianos e sua experiência de vida na Itália, principalmente os jovens, a maioria nascidos ou crescidos em Ligúria.
O alvo quer ser também o de desmentir os estereótipos aos quais freqüentemente são associados e de ressaltar a interculturalidade no tecido social genovês, criando e compartilhando cultura. Por exemplo, o concurso vai poder oferecer a circunstância para refletir sobre a migração lígure no Equador, principalmente em Guayaquil, cidade natal da maioria dos equatorianos em Gênova .
A esperança dos organizadores também é que o evento sirva de modelo para as outras comunidades migrantes na capital da Ligúria a fim de promover análogas iniciativas.

Uri Avnery: Como Israel 


está destruindo Israel


 Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel

Uma rede israelense de televisão informou essa semana que um grupo de israelenses aderiu a teorias de conspiração.
Acreditam que George W. Bush planejou a destruição das torres gêmeas, para poder chegar mais rapidamente aos seus funestos objetivos. Acreditam que as grandes corporações farmacêuticas espalharam o vírus da gripe suína, para vender suas vacinas inúteis. Acreditam que Barack Obama é agente secreto a serviço do complexo industrial-militar. Acreditam que metem salitre na água potável, para esterilizar os homens, para diminuir o número de nascimentos, e manter a população do planeta em exatos dois bilhões. E por aí vai.
Muito me surpreende que, com essa queda para acreditar em conspirações, ainda não tenham descoberto a mais nefanda das conspirações, conspirada por uma gang de antissemitas, para controlar o governo de Israel e fazê-lo destruir o Estado Judeu.
Provas? Nada mais fácil! Basta abrir os jornais.
O ministro do Exterior, por exemplo. Quem, se não um antissemita diabólico, nomearia Avigdor Lieberman para esse cargo? O ministro do Exterior existe para fazer amigos e mostrar à opinião pública mundial que os israelenses somos gente boa. Lieberman trabalha dia e noite – com enorme talento! – para conseguir que o mundo deteste Israel.
Ou o ministro do Interior. É outro que trabalha dia e noite para horrorizar os defensores de Direitos Humanos e dar munição aos piores inimigos de Israel. Recentemente, proibiu a entrada em Israel de dois bebês, porque o pai dos bebês é gay. Impede esposas de reunirem-se aos maridos em Israel. Deporta crianças filhos de trabalhadores não-israelenses, exatamente os que trabalham para construir o Estado de Israel.
Ou o comandante-em-chefe do Exército. Convenceu o governo a impedir a entrada da comissão da ONU que investiga o ataque a Gaza, a operação “Chumbo derretido”. Assim conseguiu deixar livre o campo para todos os que acusam o exército israelense de prática de crimes de guerra. E desde a publicação do Relatório Goldstone, comanda uma campanha de difamação contra Richard Goldstone, juiz conhecido internacionalmente, judeu e sionista.
Agora, o exército de Israel anunciou que impedirá que atraquem em portos palestinos os barcos que trazem quantidade simbólica de suprimentos para os palestinos na Faixa de Gaza. O confronto estará com certeza em todas as televisões do mundo, e todos verão os pequenos barcos atacados pelas lanchas de combate israelenses, e todos saberão que continua ativo o bloqueio criminoso que Israel impõe há anos contra a sobrevivência de 1,5 milhão de seres humanos. É o sonho de todos os odiadores de Israel em todo o mundo.
Esta semana, essa conspiração alcançou o auge, quando o professor Noam Chomsky foi barrado na fronteira, impedido de entrar na Cisjordânia.
Por quê? Não há outra explicação. É a conspiração antissemita em andamento. Os conspiradores-em-chefe estão no governo, em Israel.
De início, achei que não passaria da usual mistura de ignorância e loucura. Mas acabei por convencer-me de que não pode ser só isso. Nem a estupidez do atual governo israelense chegaria a tanto!
Em resumo, eis o que aconteceu: o professor Chomsky, 81 anos, chegou à Ponte Allenby, no rio Jordão, vindo de Amã para a Universidade Birzeit, próxima de Ramallah, onde era esperado para duas conferências sobre a política norte-americana. Claro que as autoridades israelenses estavam informadas de sua chegada. Um jovem funcionário fez-lhe algumas perguntas, telefonou aos seus superiores no ministério do Interior, voltou, fez mais perguntas, telefonou novamente aos superiores e, então, carimbou o passaporte do professor: “Entrada Negada”.
As perguntas? O funcionário perguntou ao professor porque não faria conferências em alguma universidade israelense. E porque não tinha passaporte israelense.
O professor retornou a Amã e fez as conferências por videoconferência. O incidente foi comentado em todo o planeta, sobretudo nos EUA. O ministério do Interior pediu desculpas esfarrapadas e pouco sinceras. Disse que o problema não era problema dele, mas do Coordenador militar dos Territórios (Ocupados).
Desculpa mentirosa, é claro, pois o ministério do Interior acaba de negar, há pouco tempo, autorização para entrar em Israel a várias personalidades simpáticas aos palestinos, inclusive, dentre essas, ao mais popular palhaço espanhol.
Aqui, uma lembrança pessoal, minha: há cerca de doze anos, participei de acalorado debate público em Londres com Edward Said, professor e intelectual palestino, falecido há alguns anos. Às tantas, ele anunciou que seu amigo, Noam Chomsky, estaria fazendo uma conferência numa universidade londrina.
Corri para lá e vi o prédio cercado por densa multidão de jovens, homens e mulheres. Abri caminho com dificuldade até as escadas, que levavam à sala de conferências e ali fui barrado pelos porteiros. Disse, em vão, que era amigo do conferencista e que viera de Israel especialmente para ouvi-lo. Responderam que a sala estava superlotada e ali não caberia nem mais um alfinete. Assim eram, já naquele tempo, as aulas do professor Chomsky.
Noam Chomsky é, provavelmente, o mais requisitado intelectual do planeta. Sua reputação atravessou, além de fronteiras, também os limites de sua especialidade acadêmica – é linguista –, na qual é considerado inventor-criador-gênio. É guru de milhões, em toda a Terra. A imprensa mundial trata-o reverencialmente, como celebridade com cérebro.
Como, pois, o ministério do Interior e/ou da Defesa de Israel, o detiveram durante quatro horas e depois o despacharam de volta? Loucura abismal? Má intenção? Vingancismo? Tudo isso somado? Mais alguma coisa?
O caso pode ter várias implicações de longo alcance. Antes de mais nada, é provocação contra a Autoridade Palestina, com a qual Binyamin Netanyahu diz que deseja iniciar negociações diretas. É como cuspir na Autoridade Palestina.
Chomsky vinha a convite de Mustafa Barghouti, líder palestino que trabalha pela não-violência e pelos direitos humanos. Vinha a convite de uma universidade palestina.
O que Israel teria a ver com isso? Que tipo de ideologia perversa e pervertida leva o governo de Israel a impedir que estudantes palestinos ouçam os professores que decidam ouvir?
E o que isso demonstra, sobre os discursos de Netanyahu sobre “Dois Estados para Dois Povos”? Que tipo de Estado palestino existe na cabeça de Netanyahu, se seu governo pode resolver quem entra e quem não entra? Sobretudo, porque Israel não abre mão de controlar as fronteiras do novo Estado!
Em segundo lugar, cresce em todo o mundo a campanha a favor do boicote às universidades israelenses. Não só contra o autodesignado “University Institute” na colônia de Ariel. Não só contra a Universidade Bar-Ilan, responsável pelo “Institute”. O mundo organiza-se para boicotar todas as universidades israelenses.
Inúmeras associações acadêmicas na Grã-Bretanha e em outros países já aprovaram resoluções para esse boicote. Outras ainda se opõem. Mas a batalha está em andamento.
Os que se opõem ao boicote defendem a bandeira da autonomia universitária. O que seríamos, se boicotássemos pesquisadores e pensadores por causa de onde lecionam ou pelo que defendem? O filósofo e semioticista italiano Umberto Eco escreveu carta apaixonada a seus colegas, contra o boicote. Pessoalmente, também sou contra.
E então, vem o governo de Israel e nos puxa o tapete. Ninguém jamais disse ou ouviu que Chomsky apóie o terrorismo ou que tenha vindo para espionar. Foi impedido de entrar em Israel exclusivamente por suas ideias. O que implica que Israel só respeita a autonomia universitária se se prestar a elogiar Israel, e a autonomia universitária não vale uma pele de alho (como se diz em hebraico), no caso de alguém que discorde das políticas do governo de Israel.
É como empurrar a brasa para a sardinha dos boicotadores. Tanto mais, porque nenhuma universidade israelense, ou grupo de acadêmicos, levantou-se para protestar.
A idéia de que Chomsky seria inimigo de Israel é ridícula. Carrega nome hebraico, tanto quanto sua filha, Aviva, que o acompanhava.
Encontrei o professor Chomsky pela primeira vez nos anos 60, quando o visitei em sua sala pequena e atulhada no MIT, uma das mais respeitadas instituições acadêmicas dos EUA e do mundo. Falou-me com alguma nostalgia sobre o kibbutz (Hazorea, um dos kibbutz mantidos pelo movimento Hashomer Hatzair, da esquerda sionista), onde passara um ano, quando jovem. Trocamos ideias e concordamos em que a solução dos Dois Estados seria a única saída viável.
Seu primeiro nome é uma espécie de herança que recebeu dos pais, nascidos no império russo e emigrados ainda jovens para os EUA. A língua materna de ambos foi o ídiche, mas o lar era devotado à cultura hebraica. Noam falou hebraico como primeira língua. No mundo mental de sua juventude, socialismo, anarquismo e sionismo sempre andaram juntos. Sua tese de doutoramento é sobre a língua hebraica*. Desde então, sempre acompanhei suas manifestações. Jamais vi qualquer oposição à existência de Israel. O que vi sempre foi crítica empenhada contra as políticas do governo israelense – em quase tudo coincidente com o que dizem as forças do grupo israelense pró-paz. Mas muito mais do que criticar Israel, o professor Chomsky dedica-se a criticar os governos dos EUA, cujas políticas considera mães de todas as desgraças do mundo.
Quando John Mearsheimer e Stephen Walt publicaram seu livro revolucionário, nos quais afirmam que Israel controla a política dos EUA mediante o lobby pró-Israel, Chomsky discordou e argumentou que se tratava exatamente do contrário: os EUA exploram Israel, com vistas a seus (dos EUA) objetivos imperialistas, que nada têm a ver com os interesses de Israel.
De minha parte, parece-me que os dois lados têm razão. A posição de Chomsky pode ser confirmada, se se consideram o veto dos EUA a qualquer reconciliação entre Fatah e Hamas; e a intervenção norte-americana para impedir que se acertasse uma troca de prisioneiros: prisioneiros palestinos, pela libertação de Gilad Shalit. Nada seria mais contrário aos interesses de Israel do que essas duas decisões dos norte-americanos.
Tudo isso considerado, por que, santo Deus, Israel impediu que Chomsky entrasse no país?
Tenho uma teoria, que explica todo o caso.
Por séculos, os judeus foram perseguidos na Europa cristã. O antissemitismo fez da vida dos judeus europeus, um inferno. Foram vítimas de pogroms, expulsões em massa, confinamento em guetos, leis discriminatórias e opressivas. Ao longo do tempo, os judeus desenvolveram mecanismos de defesa mental e física, métodos de sobrevivência e linhas de fuga.
Desde o Holocausto, a situação mudou radicalmente. Hoje, nos EUA, os judeus encontraram paraíso sem comparação, que, antes, só conheceram na Idade de Ouro na Espanha Muçulmana. Quando se criou o Estado de Israel, o mundo nos olhou com admiração e simpatia.
Foi lindo, mas, sob a superfície do que se pode chamar, generalizando, de consciência nacional, instalou-se certa desorientação, um mal-estar. Ali e então se desintegraram os mecanismos de defesa que sempre mantiveram os judeus orientados no mundo, atentos aos riscos, capazes de sobreviver. Os judeus sentiram que algo estava errado, que as pistas que sempre nos orientaram ao longo dos caminhos, já não levavam até onde se esperava que levassem. Se não-judeus elogiam judeus, ou dispõem-se a fazer alianças, os judeus desconfiam. Não pode ser tão fácil. Algo de muito sinistro esconde-se atrás de todas as concessões e acordos. As coisas não são mais como sempre foram. E isso assusta.
Desde a criação do Estado de Israel, os israelenses trabalhamos febrilmente para devolver a situação ao que conhecíamos de antes. Inconscientemente, os israelenses parecem dedicar-se a ‘ser como antes’, quer dizer, a ser odiados. Sem isso, não nos sentimos em casa, não reconhecemos o mundo, tudo parece estranho e ameaçador.
Se há, pois, alguma conspiração, é conspiração dos israelenses contra os israelenses. Israel não sossegará enquanto não reconstruir o mundo do antissemitismo. Quando acontecer, então, sim, os israelenses saberão o que fazer. Como diz a canção: “O mundo está contra mim, mas… que se lixe! Sou mais eu!”
*CHOMSKY, Noam (1949), dissertação de graduação, revista e apresentada em 1951:   Morphophonemics of Modern Hebrew. Doutoramento. Universidade da Pennsylvania. Mais em http://www.chomsky.info/bios/2004—-.htm  [NT].
O artigo original, em inglês, pode ser lido em
http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1274538120 /