domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma vence no Líbano e na Palestina, Serra em Israel


Na Palestina (Ramallah) Dilma venceu com 86,8% dos votos.

Serra teve apenas 7,7%.

Em Israel serra venceu com 78,7% dos votos.

Dilma teve apenas 17,7%.

A lamentar apenas o fato de o Brasil não ter colocado urnas em Gaza, já que os brasileiros que ali vivem queriam votar em Dilma.

No Líbano Dilma também venceu com 62,6% do total.
O candidato do PSDB, José Serra, obteve 32,6%.
E eles se livraram de seus judeus

Na década de 30 do século passado, mais exatamente em 1938, o presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt  e representantes de 32 países europeus, se encontraram na cidade francesa de Evian para discutir o problema dos refugiados judeus.


A Conferência não obteve grandes resultados porque os países ocidentais foram relutantes em aceitar judeus refugiados.

Todos os países estavam plenamente conscientes do perigo que ameaçava os judeus europeus, um país após o outro declarou: "Não temos lugar para os judeus". 

Aí eles se livraram deles enviando-os a Palestina, então ocupada pela grã- Bretanha.

E lá eles permanecem até hoje tentando se livrar dos semitas palestinos...

E aqui você acompanha o sofrimento de uma palestina grávida tentando passar por um Posto de controle israelense em busca de atendimento médico. Nem a ambulância teve permissão.

sábado, 30 de outubro de 2010

Evo Morales e Ahmadinejad disputam partida de futebol

O presidente da Bolívia Evo Morales esteve recentemente no Iran, onde, a convite do presidente Ahmadinejad participou de uma partida de futebol de salão.

Os dois e mais alguns ministros  enfrentaram uma equipe profissional do país.

No tempo regulamentar, houve um empate por 4 a 4.

Na cobrança por pênaltis, o time dos dois presidentes venceu por 8 a 6.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010


De colares e espelhos

Tony Blair veio ao Brasil para se encontrar com a turma da Casa Grande.

Foi simpático, sorridente, cortês, extremoso, afável, alimentou-se até se fartar, aconchegou-se em hotel estrelado e recebeu muitos ohhh singelos.

Houve até quem derramasse lágrimas emotivas.

Pena que ele seja um genocida e criminoso de guerra.

Mas é assim mesmo.

A turma que ainda freqüenta a Casa Grande gosta de esparramar salamaleques, já que o servilismo aos poderosos faz parte do seu DNA.

Teve gente que se perfumou para a ocasião e alguns não se cansaram em murmurar palavras em inglês.

Sim, como bons serviçais, eles arrazoaram com ele na língua  da patria-mater.

Não sobrou nenhum colar ou espelho que ele trouxe para trocar com os nativos.

Partiu com a burra apinhada.

Houve apenas um pequeno senão.

Uma pergunta feita por um repórter que causou um certo desconforto.

-- Como o sr. explica o fato de sua cunhada ter se convertido ao islamismo recentemente?

A Casa Grande estremeceu com a “indelicadeza” do repórter, que esqueceram de domesticar...

E abaixo você tem um pequeno exemplo do amor que eles irradiam no Iraque

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Uma frase histórica de Dilma

A frase foi em resposta ao senador Agripino Maia, da turma do serra, que havia dito que Dilma mentira aos seus “interrogadores” durante a ditadura militar.

"Menti sim, senhor senador. Menti, mesmo sob tortura, para salvar a vida de outras pessoas que também lutavam contra os covardes".

Somente quem foi preso durante a ditadura pode entender o significado da frase.

Deu no Haaretz


Israel não quer saber de negros

Eles só serviram para a propaganda israelense

“Eles ameaçam o caráter judaico e democrático de Israel”.

A informação é do jornal israelense Haaretz.

O estranho é que uma notícia dessa magnitude e brutalidade não tenha recebido nenhuma divulgação.

Nem da mídia e nem dos ditos blogs independentes ou de esquerda que circulam pelo planeta.

Os governantes  de Israel vão mais longe ainda.

Estão  oferecendo milhões de dólares para que os países africanos aceitem receber os negros de volta.

Mas não cessa aí o lamentável racismo.

Para evitar a entrada de negros, os governantes de Israel vão iniciar a construção de um gigantesco muro para separar o país do Egito.

Leia AQUI em inglês, o texto completo do jornal israelense Haaretz

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


Lula, o papa e a mídia

O Papa veio visitar o Brasil e foi convidado por Lula para navegar no rio Amazonas. Uma rajada de vento arrojou a mitra (chapéu de três bicos) do Papa no rio. Lula saiu do barco, caminhou calmamente sobre as águas pegou a mitra e devolveu-a. No dia seguinte as manchetes da mídia foram:

"Lula não sabe nadar"!
Soldados de Israel assaltam geladeira e queimam Alcorão

Páginas do Alcorão queimadas por soldados de israel

Foi em Qalquilya, Cisjordânia.

Soldados Israel invadiram uma casa palestina, trancaram os moradores num banheiro e aproveitaram para assaltar a geladeira.

Depois de se refestelar  queimaram os dois exemplares do Alcorão que estavam sobre uma mesa num quarto.

Para não sair de mãos vazia, detiveram dois moradores da casa sem nenhuma acusação.

Procuradas, as autoridades de Israel confirmaram apenas a detenção.

Quanto ao roubo de alimentos e a queima dos dois Alcorões, afirmaram desconhecer o assunto.

E olha que isso foi na Cisjordânia, e não Gaza.

A Cisjordânia, como se sabe, é governada por Mahmoud Abbas, que faz das tripas coração para negociar alguma acordo com os israelenses.

A agressão dos israelenses visa, na verdade, alguma retaliação dos habitantes da Cisjordânia.

Para em seguida, e sempre com o apoio da mídia, invadir e matar como habitualmente tem feito em Gaza.

Ou seja, como se já não bastasse profanar cemitérios muçulmanos e queimar mesquitas, queimam agora o Alcorão na esperança de que algum palestino resolva defender sua fé com algum atentado.

Pobres palestinos.

Pobre humanidade.

terça-feira, 26 de outubro de 2010


Onde anda a turma do Greenpeace?

Colonos israelenses destroem mais 600 oliveiras.

É importante ressaltar que os colonos não se contentam apenas em destruir as oliveiras.

Eles roubam também as colheitas, já que outubro e novembro são os meses em que se realizam as colheitas na Palestina.

E quem pensa que o roubo é privativo dos colonos engana-se.

Os soldados de Israel também participam.

Pela milionésima vez pergunto: onde anda a turma do Greenpeace e dos tais defensores da natureza que jamais se manifestam quando se trata de acusar Israel?

Ou os palestinos não merecem ser defendidos porque são semitas?

Os verdadeiros semitas, diga-se.

Com a palavra a turma do Greenpeace.

Assistam abaixo a mais essa bandalhice...

A vergonha dos EUA exposta
Robert Fisk
Como de costume, os árabes sabiam. Eles sabiam tudo sobre as torturas em massa, o promíscuo tiroteio a civis, o escandaloso uso do poder aéreo contra casas de famílias, os cruéis mercenários norte-americanos e britânicos, os cemitérios de mortos inocentes. Todo o Iraque sabia. Porque eles eram as vítimas.
Só nós poderíamos fingir que não sabíamos. Somente nós, no Ocidente, poderíamos rechaçar cada acusação, cada afirmação contra os norte-americanos ou britânicos, colocando algum digno general - vêm à mente o pavoroso porta-voz militar dos EUA, Mark Kimmitt, e o terrível chefe do Estado Maior, Peter Pace - a nos cercar de mentiras.

Se encontrávamos um homem que tinha sido torturado, nos diziam que era a propaganda terrorista; se descobríamos uma casa cheia de crianças mortas em um ataque aéreo dos EUA, também era propaganda terrorista, ou dano colateral, ou uma simples frase: Nós não temos nenhuma informação sobre isso.

Claro, nós sempre soubemos que eles tinham sim. E o oceano de memorandos militares que foi revelado no sábado voltou a demonstrar. A Al Jazeera tem chegado a extremos para rastrear as famílias iraquianas cujos homens e mulheres foram mortos em postos de controle estadunidenses - eu identifiquei alguns porque relatei, em 2004, o carro cravado de balas, os dois jornalistas mortos, até o nome do capitão local estadunidense - e foi o The Independent on Sunday o primeiro a alertar o mundo sobre as hordas de pistoleiros indisciplinados que eram levados a Bagdá para proteger os diplomatas e generais. Estes mercenários, que abriram caminho assassinando nas cidades do Iraque, me insultaram quando lhes disse que estava escrevendo sobre eles, em 2003.

É sempre tentador ignorar uma história dizendo que não há nada de novo. A idéia da história antiga é usada pelos governos para esfriar o interesse jornalístico, pois serve para cobrir a inatividade jornalística. E é verdade que os repórteres já tinham visto antes algo assim. A evidência de envolvimento iraniano na fabricação de bombas no sul do Iraque foi vazada pelo Pentágono para Michael Gordon, do New York Times, em fevereiro de 2007.

A matéria-prima, que agora podemos ler, é muito mais duvidosa do que a versão produzida pelo Pentágono. Em todo o Iraque havia material militar iraniano da guerra Irã-Iraque de 1980-1988, e a maioria dos ataques aos americanos foram realizados nesta fase por insurgentes sunitas.

De fato, os relatórios que sugerem que a Síria permitiu que insurgentes atravessassem seu território estão corretos. Eu falei com famílias de atacantes suicidas palestinos, cujos filhos vieram para o Iraque, a partir do Líbano, por meio da aldeia libanesa de Majdal e, depois, pela cidade nortenha síria de Alepo, para atacar americanos.

Mas, ainda que escrita em concisa linguagem militar, aqui está a evidência da vergonha estadunidense. É um material que pode ser usado por advogados em tribunal. Se 66.081 - me encantou esse 81 - é o número mais alto disponível de civis mortos, então, a cifra real é infinitamente maior, uma vez que este registro só se aplica para os civis dos quais os EUA tinham informações.

Alguns foram levados para o necrotério de Bagdá na minha presença, e foi o oficial a cargo que me disse que o Ministério da Saúde iraquiano tinha proibido os médicos de realizar autópsias nos civis levados por soldados dos EUA. Por que foi dada esta ordem? Teria algo a ver com os 1300 relatórios independentes dos EUA sobre a tortura nas instalações policiais iraquianas?

Os americanos não tiveram melhores resultados da última vez. No Kuwait, as tropas dos EUA podiam ouvir como os kuwaitianos torturavam palestinos nos quartéis de polícia depois que a cidade foi libertada das legiões de Saddam Hussein, em 1991. Até mesmo um membro da família real kuwaitiana participou de atos de tortura.

Os estadunidenses não intervieram e se limitaram somente a queixar-se à família real. Aos soldados sempre dizem que não intervenham. Depois de tudo, o que disseram ao tenente do Exército israelense, Avi Grabovsky, quando ele informou ao seu superior, em setembro de 1982, que falangistas aliados de Israel acabavam de matar mulheres e crianças? Nós já sabemos, nós não gostamos, não intervenha. Isso foi durante o massacre no campo de refugiados de Sabra e Chatila.

A citação vem do relatório da Comissão Kahan de Israel em 1983; sabe Deus o que leríamos, se Wikileaks conseguisse pôr as mãos nos arquivos do Ministério da Defesa de Israel (ou a versão síria, para o caso). Mas, é claro, naqueles dias, não sabíamos como usar um computador, muito menos escrever nele. E isso, naturalmente, é uma das lições importantes de todo o fenômeno Wikileaks.

Na Primeira Guerra Mundial, na segunda, ou no Vietnã, a pessoa escrevia seus informes militares em papel. Talvez os apresentasse triplicado, mas poderia enumerar as cópias, rastrear qualquer espionagem e evitar vazamentos. Os documentos do Pentágono estavam realmente escritos em papel. Mas o papel sempre se pode destruir, molhar, despedaçar até a última cópia.

Por exemplo, depois da guerra de 1914-1918, um segundo tenente Inglês matou um dos trabalhadores chineses que haviam saqueado um comboio militar francês. O chinês tinha ameaçado com uma faca o soldado. Mas, durante o registro de 1930, o expediente dos soldados britânicos foi censurado três vezes, fato pelo qual não ficou do incidente maior rastro que um diário de guerra de um regimento que relatava o roubo, pelo chineses, do trem francês de suprimentos. A única razão pela qual eu estou ciente dessa morte é porque meu pai era o tenente britânico, e ele me contou a história antes de morrer. Naquele tempo não havia Wikileaks.

No entanto, suspeito que esta grande revelação de material da guerra no Iraque tem implicações sérias para jornalistas e exércitos também. Qual é o futuro dos Seymour Hershes e do jornalismo investigativo da velha escola, que o diário Sunday Times costumava praticar? Que sentido tem enviar equipes de jornalistas para investigar crimes de guerra e reunir-se com gargantas profundas militares se, de repente, quase meio milhão de documentos secretos vão acabar flutuando na frente de alguém em um monitor?

Nós ainda não atingimos o fundo da história da Wikileaks, e suspeito que há mais do que alguns soldados americanos envolvidos nesta última revelação. Quem sabe se não chega ao topo? Em suas investigações, por exemplo, a Al Jazeera encontrou um extrato de uma conferência de imprensa de rotina do Pentágono, em novembro de 2005.

Peter Pace, o nada inspirador chefe do Estado Maior conjunto, informa aos repórteres como os soldados deveriam reagir ante o tratamento cruel de prisioneiros, assinalando com orgulho que o dever de um soldado americano é intervir se observar sinais de tortura.

Em seguida, a câmera se move até a figura muito mais sinistra do secretário de Defesa Donald Rumsfeld, que, de repente, interrompe quase num sussurro, para desespero de Pace: Eu não creio que queira o senhor dizer que os soldados são obrigados a interrompê-la fisicamente. Seu dever é denunciá-la.

Desde então, o significado desse comentário - enigmaticamente sádico à sua própria maneira - se perdeu nos diários. Mas agora o memorando secreto Frago 242 lança mais luz sobre essa conferência de imprensa. Presumivelmente enviada pelo general Ricardo Sanchez, a instrução aos soldados é: Supondo que a denúncia inicial confirme que as forças dos EUA não estavam envolvidas no abuso de prisioneiros, não se realizará maior investigação, a menos que o ordene o alto comando.

Abu Ghraib aconteceu sob a supervisão de Sanchez no Iraque. Sanchez também foi, claro, quem não pôde explicar-me, durante uma conferência de imprensa, por que seus homens mataram os filhos de Saddam Hussein em um tiroteio em Mosul, ao invés de capturá-los.

A mensagem de Sanchez, ao que parece, deve ter tido a aprovação de Rumsfeld. Da mesma forma, o general David Petraeus, tão amado pelos jornalistas norte-americanos, teria sido responsável pelo aumento dramático dos ataques aéreos dos EUA no decurso de dois anos: de 229 sobre o Iraque, em 2006, para 447 mil, em 2007. Curiosamente, os ataques aéreos dos EUA no Afeganistão aumentaram 172% desde que Petraeus assumiu o comando militar.

Tudo isso torna ainda mais surpreendente que o Pentágono agora rasgue as vestimentas porque Wikileaks poderia ter sangue nas mãos. O Pentágono tem estado manchado de sangue desde que deixou cair uma bomba atômica sobre Hiroshima em 1945, e, para uma instituição que ordenou a invasão ilegal do Iraque em 2003 - acaso o número de civis mortos não foi ali de 66 mil, de acordo com suas próprias contas, de uns 109 mil registrados? - é ridículo afirmar que Wikileaks é culpado de assassinato.

A verdade, claro, é que se este vasto tesouro de relatórios secretos tivesse demonstrado que o número de mortos era muito menor do que o que a imprensa proclamava, que as tropas dos EUA nunca toleraram a tortura pela polícia iraquiana, que raramente dispararam contra civis nos postos de controle e sempre levaram os assassinos mercenários à justiça, os generais americanos teriam entregado esses registros para a mídia, sem qualquer encargo, nas escadarias do Pentágono. Não só estão furiosos por terem quebrado o sigilo ou porque se tenha derramado sangue, mas porque eles foram pegos dizendo mentiras que nós sempre soubemos que diziam.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Juiz israelense acusa justiça de utilizar “deficientes mentais” para acusar palestinos


Israel continua proibindo a entrada de medicamentos em Gaza.

Palestinos que necessitam de atendimento médico de urgência não têm permissão para buscar tratamento em hospitais mais bem equipados.

Pacientes com doenças graves(câncer) estão morrendo em seus leitos por falta de remédio.

Pacientes com necessidades especiais também sofrem.

Mas nada disso impede, por exemplo, que promotores utilizem depoimentos de “deficientes mentais” para denunciar supostos “terroristas”.

E quem descobriu essa nova modalidade nos julgamentos foi um juiz militar do próprio estado de Israel.

São inúmeras as vitimas da “justiça” israelense.

A penúltima vitima foi um jovem palestino de Naalin, Cisjordânia, que ficou 9 meses preso “por um crime que não cometeu”.

Imaginem o que não deve ter sofrido esse jovem.

A denúncia está no jornal israeelense Haaretz de hoje AQUI

Sabedoria popular

O que se fala no calçadão da orla de Santos: 


"o povo é tão sábio, que levou a disputa para o segundo turno só para a Dilma bater em Serra duas vezes". 

domingo, 24 de outubro de 2010


Weimar em Jerusalém
Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Telavive

http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1287833121/

Em Berlim, acaba de ser inaugurada uma exposição intitulada “Hitler e os alemães”. Examinam-se os fatores pelos quais o povo alemão levou Adolf Hitler ao poder e o seguiu até o fim.
Estou ocupado demais com os problemas da democracia israelense para viajar a Berlim. É pena, porque essa questão, precisamente, me perturba desde criança. Como pôde acontecer que uma nação civilizada, que se via como “povo de poetas e filósofos”, tenha seguido aquele homem, como as crianças de Hamelin seguiram o flautista rumo à morte.
O tema perturba-me não só como fenômeno histórico, mas porque é sinal de alerta que não se pode ignorar com vistas ao futuro. Se aconteceu aos alemães, pode acontecer a qualquer povo. Pode acontecer em Israel?
Aos nove anos, fui testemunha ocular do colapso da democracia alemã e da ascensão dos nazistas ao poder. Tenho na memória as imagens gravadas – as campanhas eleitorais todas iguais, os uniformes cada dia mais numerosos pelas ruas, as discussões à mesa, o professor que, pela primeira vez nos saudou, na sala de aula, com “Heil Hitler”. Registrei essas lembranças em livro que escrevi (em hebraico) durante o julgamento de Eichmann, e cujo último capítulo pergunta: “Pode acontecer em Israel?” Tenho voltado àqueles dias, agora, escrevendo minhas memórias.
Não sei se a exposição em Berlim responde essas perguntas. Talvez não. Mesmo hoje, 77 anos depois, ainda não há resposta definitiva para a pergunta “Por que a república alemã desmoronou?” Mas é questão absolutamente importante, porque, hoje, os cidadãos israelenses também se perguntam, com preocupação crescente: “A república israelense estará desmoronando, aí, ante nossos olhos?”

PELA PRIMEIRA VEZ, é pergunta feita a sério. Ao longo dos anos, os israelenses sempre foram muito cuidadosos e sempre evitaram usar a palavra “fascismo” em discursos públicos. A palavra desperta lembranças monstruosas demais. Agora, também esse tabu já foi quebrado.
Yitzhak Herzog, ministro do Bem-Estar Social do governo Netanyahu, do Partido Labor, neto do Grande Rabino e filho de um presidente, disse, há alguns dias, que “o fascismo já toca as margens da sociedade israelense”. Errou. O fascismo já ultrapassou as margens e já chega ao coração do governo ao qual Herzog serve, e ao Parlamento, do qual ele é membro.
Não passa – literalmente – um dia, sem que um grupo de deputados apresente novo projeto de lei, todas racistas. O país ainda está dividido pela aprovação da “Lei da Fidelidade”, que obriga os que requeiram a cidadania israelense a jurar fidelidade a “Israel, estado judeu e democrático”. Agora, o gabinete discute se a exigência aplica-se só a não-judeus (o que soa muito mal) ou se se aplica também aos judeus – detalhe que nada altera no conteúdo racista da lei.
Essa semana, apareceu novo projeto de lei. Se aprovada, fará com que só cidadãos israelenses possam trabalhar como guias turísticos em Jerusalém Leste. Não-cidadãos israelenses serão impedidos de trabalhar nessa função. “Não-cidadãos israelenses” significa, é claro, os árabes. É assim, porque, quando Jerusalém Leste foi ocupada e anexada, pela força, por Israel, depois da guerra de 1967, os árabes que viviam lá não receberam a cidadania israelense. Ficaram definidos como “residentes permanentes”, como se fossem recém-chegados; como se não fossem filhos de famílias que vivem há séculos em Jerusalém.
O novo projeto de lei visa a roubar aos árabes jerusalemitas o direito de trabalhar como guias turísticos nos locais sagrados da cidade deles. Isso, sob o argumento de esse tipo de trabalho facilita desvios da linha da propaganda israelense oficial. Chocante? Inacreditável? Não aos olhos dos autores desse projeto de lei, entre os quais há membros do Partido Kadima. A proposta foi assinada também por um membro do Partido Meretz, mas a assinatura foi retirada; o deputado alegou que assinara sem entender exatamente o objetivo do projeto.
 
Esse projeto de lei é mais um, depois de dúzias de projetos semelhantes, e antes que outros muitos, na mesma linha, cheguem ao Parlamento. Os deputados israelenses agitam-se como tubarões em frenesi alimentar. Competem entre eles, para ver quem aparece com projeto de lei mais racista.
É bom negócio! Cada vez que se começa a falar de um desses projetos de lei racistas, o deputado-autor passa a ser convidado para todos os programas de entrevistas na TV, para “explicar” o projeto. Os jornais publicam fotos e manchetes. Quanto mais obscuro e desconhecido o deputado, maior a tentação de ganhar tratamento de celebridade. E a imprensa colabora.

ESSE FENÔMENO não é restrito a Israel. Está acontecendo em toda a Europa e nos EUA. Os fascistas estão voltando a erguer a cabeça. Os portadores de ódio, que até agora haviam sido contidos, e seu veneno só alcançava as margens da sociedade e do sistema político, agora avançam e já se aproximam dos centros de decisão.
Há demagogos em praticamente todos os países. Constroem carreira incitando os fracos e desamparados. Sempre pregam a expulsão “dos estrangeiros”, a perseguição das minorias. No passado, foi fácil não os eleger, descartá-los, como aconteceu a Hitler em começo de carreira. Hoje, é preciso vê-los como ameaça real.
Há poucos anos, o mundo chocou-se quando o partido de Jörg Haider  passou a integrar a coalizão de governo na Áustria. Haider elogiava e divulgava os sucessos de Hitler. O governo israelense, furioso, retirou de Viena seu embaixador. Hoje, o novo governo alemão depende do apoio de um racista declarado. E partidos fascistas vencem eleições com largas vantagens, em vários países. O movimento “Tea Party”, que floresce nos EUA, tem traços muito claramente fascistas. Um dos candidatos nas eleições de meio de mandato nos EUA apoiados pelo movimento costuma aparecer vestido num uniforme das Waffen-SS nazistas.[3] Assim sendo, Israel está em boa companhia. Israel não é pior nem melhor que ninguém. Se eles podem... por que Israel não poderia?!

MAS HÁ, SIM, uma grande diferença. Israel não vive situação semelhante à da Holanda ou da Suécia. Diferente desses países, a própria existência de Israel está hoje ameaçada pelo fascismo. O fascismo pode destruir o estado de Israel.
No passado, há anos, eu acreditava que dois milagres haviam acontecido em Israel: o renascimento da língua hebraica e a democracia israelense.
Em nenhum outro lugar ou momento da história aconteceu a ‘ressurreição’ de uma língua ‘morta’. Theodor Herzl, fundador do sionismo, não acreditava que fosse possível. Uma vez, perguntou, irônico: “Quem algum dia comprará passagens de trem, em hebraico?” O sonho de Herzl sempre foi que se falasse alemão em Israel. Hoje, a língua hebraica funciona muito melhor que os trens, em Israel.

Mas a democracia israelense foi milagre ainda maior. Não foi democracia nascida do povo, como na Europa. O povo judeu jamais viveu em democracia. O judaísmo, como quase todas as religiões, é totalitário. Os imigrantes que vieram para Israel jamais haviam conhecido qualquer democracia. Vinham da Rússia czarista ou bolchevique, da Polônia autoritária de Josef Pilsudski, das tiranias no Marrocos e no Iraque. Só pequeníssima parcela deles vinham de países democráticos. E mesmo assim, desde os primeiros passos, Israel sempre foi estado democrático – com uma única restrição: a plena democracia israelense para os judeus sempre foi democracia limitada para os cidadãos árabes.
Sempre me angustiei, porque sabia que a democracia israelense, por causa dessa restrição, sempre foi democracia pendurada num fio muito frágil; e que tudo poderia desabar a qualquer hora, a qualquer momento. Hoje, Israel enfrenta desafio sem precedentes.  

A REPÚBLICA ALEMÃ ficou conhecida como República de Weimar, nome da cidade onde se reuniu a Assembléia Constituinte e proclamou-se a Constituição alemã, depois da I Guerra Mundial. Weimar, cidade de Bach e Goethe, considerada um dos berços da cultura alemã.
Foi constituição brilhantemente democrática. Sob suas asas, a Alemanha conheceu florescimento intelectual e artístico maior que jamais antes. Até que a república alemã desmoronou. Por que desmoronou?
Em termos gerais, identificam-se duas causas para o colapso da democracia alemã: a humilhação e o desemprego. Ainda nos primeiros dias da República, a Alemanha teve de assinar o Tratado de Paz de Versailles, imposto a ela pelos vitoriosos da I Guerra Mundial. Nem foi “tratado”: foi humilhante ato de rendição. Quando a República de Weimar não honrou os pagamentos das pesadíssimas indenizações de guerra que lhe foram impostas, o exército francês invadiu o coração industrial da Alemanha, em 1923. Em seguida, foi a inflação galopante –  trauma do qual a Alemanha ainda não se recuperou até hoje.
Quando a economia mundial entrou em crise, em 1929, a economia alemã destroçou-se. Milhões, que já conviviam com o desemprego e o subemprego, mergulharam na miséria mais abjeta. Qualquer promessa de salvação seria recebida como verdadeira salvação. Hitler prometeu derrotar a humilhação da derrota e do desemprego e cumpriu as duas promessas: deu emprego aos desempregados, na indústria bélica e em obras públicas – sobretudo na construção de autoestradas, já planejadas para a guerra que viria em seguida.
E há uma terceira razão para o colapso da república alemã: a crescente apatia dos democratas. O sistema político democrático passou, rapidamente, a ser visto como encenação: o povo afundava-se cada dia mais na mais terrível miséria, e os políticos lá, enrolando-se nos seus jogos de palavras. Os alemães ansiavam por um líder forte, capaz de impor a ordem. Os nazistas não derrubaram a República de Weimar. A própria República implodiu. Os nazistas só fizeram preencher o vácuo gerado pelo fracasso daquela democracia.

EM ISRAEL não há crise econômica. Ao contrário, a economia prospera. Israel não assinou nenhum tratado humilhante, como o Tratado de Versailles. Ao contrário: Israel vence guerras. Sim. Os fascistas israelenses falam dos “criminosos de Oslo”, mais ou menos como Hitler esbravejava contra “os criminosos de novembro”. Mas os acordos de Oslo são o contrário do que foi assinado em Versailles, em novembro de 1919.
Se é assim, de onde brota a profunda crise que aflige a sociedade israelense? O que leva milhões de cidadãos a observar, completamente apáticos, o que fazem os governantes, limitando-se a balançar a cabeça frente ao aparelho de TV? O que os leva a ignorar o que está acontecendo nos territórios ocupados, a meia hora, de carro, de onde moram? Por que tantos declaram que deixaram de assistir aos noticiários de televisão e já não leem jornais? Qual a origem da depressão, do desespero, que deixa caminho livre para o fascismo?
O estado israelense chegou a uma encruzilhada: ou paz ou guerra eterna. Paz significa fundar o estado palestino e evacuar todas as colônias nos territórios ocupados. Mas o código genético dos sionistas parece empurrar para a anexação de toda a área histórica até o rio Jordão e – direta ou indiretamente –, para a expulsão de todos os árabes. A maioria dos israelenses foge de ter de decidir e repete que “não temos parceiros para a paz”. Israel está condenando-se à guerra eterna.

A democracia sofre de paralisia crescente, porque os diferentes setores da sociedade vivem em mundos diferentes não comunicantes. Os israelenses seculares de um lado e, de outro, os nacionalistas-religiosos e os ortodoxos recebem educação completamente diferente. A cada dia, estreita-se o território comum. Outras divisões separam a antiga comunidade azquenase, os judeus orientais, os emigrados da ex-URSS e da Etiópia, e os cidadãos árabes, cuja exclusão aumenta dia a dia.
Pela segunda vez em minha vida, talvez assista ao colapso de uma república. Mas não tinha de ser assim. Israel não é a Alemanha do passo-de-ganso daqueles dias. 2010 não é 1933. Ainda há tempo para que a sociedade israelense desperte e mobilize as forças democráticas que vivem nela.
Mas, para que isso aconteça, temos de despertar do coma, entender o que está acontecendo e aonde nos levará. E protestar e lutar por todos os meios que haja (enquanto é tempo), para deter a onda fascista 



Enviado por Vila Vudu

sábado, 23 de outubro de 2010


Colonos judeus profanam mais um cemitério muçulmano na Palestina

Por que tanto medos dos mortos muçulmanos?

Já perdi a conta do numero de cemitérios muçulmanos profanados pelos colonos judeus na Palestina.

E por Palestina entenda-se toda a Palestina.

Desta vez a profanação aconteceu no cemitério de Qafr Qadum, perto da cidade de Nablus.

E por que agem assim?

Nem eles explicam, mas é importante ressaltar que esses vândalos não são unanimidade entre os judeus.

Entre os judeus verdadeiros, entenda-se.

Os judeus verdadeiros, como se sabe, são contrários ao Estado de Israel e ao sionismo.

Quem quiser mais detalhes basta consultar o blog.

São inúmeras as postagens com imagens e vídeos.

Em alguns cemitérios eles usaram até retroescavadeiras.

Diante disso fica a pergunta.

Por que tanto medo dos mortos muçulmanos?

Pax israelense

A palavra paz dita pelos dirigentes israelenses está mais desmoralizada do que a mídia que a repercute.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Do Vila Vudu

Pé na estrada, com Ahmadinejad [1/2]

Franklin Lamb[1], “Speaking Freely”, Asia Times Online http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/LJ19Ak02.html[2]
Sobre a mesma visita, lia-se no
Washington Times, 12/10/2010
O desfile da vitória: Ahmadinejad no Líbano 
A visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad ao Líbano, que se inicia hoje, marca mais que uma vitória histórica do regime islâmico iraniano; marca também a vitória do Irã sobre Israel e todo o ocidente, na disputa pelo controle sobre o Líbano” [Reza Kahlili, http://www.washingtontimes.com/news/2010/oct/12/ahmadinejads-lebanon-victory-lap/].
No Telegraph, Londres, 14/10/2010
Mahmoud Ahmadinejad visita a fronteira Israel-LíbanoVídeos, em http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/lebanon/8064892/Ahmadinejad-addresses-rally-near-Israel-border.html e em
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/lebanon/8061181/Ahmadinejad-gets-warm-welcome-from-Lebanese-Shias.html 
(nos dois vídeos, as imagens interessam mais do que o que dizem os comentaristas).

BEIRUTE. Ahmadinejad veio, viu e venceu.
Ao ver o presidente Mahmud Ahmadinejad jogar beijos para os trabalhadores que varriam o aeroporto de Beirute, na partida para o Irã, hoje pela manhã, um historiador cristão libanês comentou: “Esse persa vive hoje momento de maior glória que Cesar, depois de conquistar a Inglaterra pela segunda vez.”
Ahmadinejad de fato jogou muito mais que uma pedra contra os projetos EUA-Israel para o Líbano, energizado pela multidão que o seguia pelas ruas em adoração.
Um Líbano agradecido ofereceu a Ahmadinejad o que um bispo local descreveu como a maior manifestação de apoio que o Líbano jamais viu; e que superou, até, a divisão sectária que atormenta o país. Foi manifestação maior que a ocorrida quando da visita do Papa João Paulo II, dia 10/5/1997.
Uma das causas importantes de tamanho apoio popular é a assistência que o Irã dá aos projetos sociais libaneses, há mais de 25 anos, e para a reconstrução do Líbano depois das agressões israelenses de 1993, 1996 e 2006. Em discurso recente, o secretário geral do Hizbollah detalhou a ajuda massiva que o país recebe do Irã, estimada em mais de 1 bilhão de dólares.
A comunidade diplomática no Líbano está amplamente convencida de que Ahmadinejad conseguiu promover a unidade dos grupos religiosos libaneses, acalmou a atmosfera política e trouxe propostas para equacionar os projetos econômicos mais desesperadamente urgentes no Líbano, mediante 17 acordos bilaterais. Oferta particularmente apreciada no Líbano foi a promessa de construir um complexo para produção de energia elétrica que fornecerá sete vezes mais eletricidade que o total hoje produzido no Líbano, que ainda enfrenta cortes de energia em todo o país. O racionamento, de três a 12 horas por dia, castiga praticamente todo o Líbano, com apagões totais em algumas áreas, às vezes durante vários dias.
As multidões gritavam, acenavam, cantavam. Jornais e televisões locais usaram expressões como “recepção de rock star”, “afeto massivo, transbordante”, para descrever a recepção que o povo libanês ofereceu ao presidente Ahmadinejad.
Ao longo da estrada, viam-se refugiados palestinos – que vivem encurralados nos terríveis campos que a ONU mantém no Líbano, privados até dos direitos civis mais elementares, ante a apatia da comunidade internacional e de várias seitas religiosas no próprio Líbano. Alguns choravam, lembranças da Nakba que lhes arrancou as terras e as casas e esperanças de voltar à sua Palestina sagrada e ao gozo do pleno Direito de Retorno.
Outros refugiados, muitos dos quais ilegais, iraquianos, afegãos, curdos e outros, todos unidos, clamando pela expulsão das forças de ocupação que devastam seus países de origem, acenavam com lenços e jogavam beijos. Vários trabalhadores ‘escravos convidados’, que ganham a vida como trabalhadores domésticos no Líbano, vindos de Sri Lanka, da Etiópia, do Sudão, das Filipinas e de outros países, viam-se também, misturados aos sírios que trabalham, a maioria, na construção civil no Líbano. Um punhado de personagens de O Vermelho e o Negro de Stendhal, gente que, procurando cavar seu espaço na vida, ajeita-se de um ou do outro lado, em associações que os obrigam a mostrar-se em eventos daquela magnitude.
Cerca de 750 mil pessoas, praticamente ¼ da população do Líbano, gente de todas as idades, aglomeraram-se ao longo da estrada que leva ao principal aeroporto de Beirute e em outros eventos, durante dois dias de intensa programação com várias aparições públicas, da visita do presidente Ahmadinejad ao Líbano. Esse “hóspede do povo libanês” foi saudado com pétalas de rosas vermelhas e amarelas e folhas verdes, as cores da bandeira do Irã. Por problemas de tráfego e dificuldades de deslocamento, alguns eventos previstos sofreram alguns atrasos, inclusive uma reunião com cidadãos, à moda dos “Town Hall Meeting com Obama” dos EUA. O evento foi programado para promover um encontro entre o presidente Ahmadinejad e 15 cidadãos norte-americanos que vivem no Líbano – professores universitários, empresários, estudantes, senhoras e organizações não-governamentais norte-americanas, no formato típico das campanhas políticas norte-americanas, com o presidente do Irã em contato direto, informal, sem intermediários, com seus interlocutores.
No estádio de futebol do al-Raya Athletic, no sul de Beirute, onde se realizam frequentemente os grandes comícios populares do Hizbollah, cerca de 150 mil pessoas acotovelavam-se no gramado principal. Fontes do Hizbollah noticiaram que foi a maior concentração de pessoas, de todos os eventos ali realizados. Milhares de outros libaneses assistiam nas ruas próximas, onde se instalaram várias telas de televisão gigantes, cercadas de barracas que vendiam milho assado, bolos de feijão cozido, kaak asrounye (pães recheados) e imensa variedade de salgados, doces e refrigerantes.
Quem andasse por ali, de motoneta, como eu, saboreando o frescor de um fim de tarde e início de noite generosamente fresca de outono, veria que havia milhares de pessoas por toda a área, reunidos pelos cafés de calçada e frente às vitrines, todos à procura de um lugar do qual conseguissem ver as imagens das televisões ligadas em lojas, bares e residências. Os adultos fumavam seus cachimbos de água, crianças corriam pelas calçadas, os grupos de adolescentes reuniam-se, felizes com o feriado, sem aulas e sem lições de casa.
Bandeiras libanesas e iranianas tremulavam por todos os lados, além das enormes bandeiras do Hizbollah, mostrando que se tratava de visita oficial. O presidente Ahmadinejad do Irã foi convidado pelo presidente Michel Suleiman do Líbano, em nome de todos os cidadãos libaneses, em nome, também, da maioria dos libaneses da diáspora.
A segurança pessoal, próxima, do presidente do Irã, incluiu os guardas da Guarda Presidencial de Suleiman. E coube ao Hizbollah garantir a segurança da área circundante. Viam-se os atiradores de elite do Hizbollah em janelas e telhados. E outros soldados apareciam, sem se ver de onde saíam, sempre que surgia alguma agitação ou começo de briga na multidão. Foram ocorrências raras. Nesses casos, o soldado do Hizbollah pedia desculpas pelas dificuldades, pedia paciência e compreensão, dada a importância do evento e a multidão nas ruas.
Uma estudante vestida em chador preto (na cultura da resistência, diz-se Chadori, tanto no Irã quanto no Líbano) e seguida de uma fila de colegas apresentou-se como intérprete de farsi, árabe e inglês, depois de saudar entusiasmada os convidados norte-americanos: “Bem-vindos à nova fronteira, entre a República Islâmica do Irã e a Palestina!” Quase todos à volta dela riram.
A moça falou, cheia de autoconfiança, em inglês com marcado sotaque britânico; até que viu a expressão de horror e pânico estampada no rosto de uma mulher, de tailleur marrom claro e saltos altos, que um dos rapazes do Hizbollah informou-me mais tarde que se desconfiava que fosse alguém ainda não identificado, da embaixada dos EUA. “Brincadeira”, a Chadori disse, ainda rindo, estendendo a mão à estrangeira, que olhava, sem saber o que fazer, à mão amistosa que emergia do chador. “Por que os norte-americanos são sempre tão sérios?” perguntou. Fazendo um gesto na direção de Tel Aviv, a Chadori continuou: “Concordam, pelo menos, que Irã e EUA estão destinados a serem nações amigas, depois que nossos países resolverem o problema de Israel?”
“Diga-me, por favor, o que pensam os norte-americanos. Há alguns dias, preparando-me para esse trabalho – e nem parece trabalho, de tão agradável –, li um documento que dizia que 90% dos norte-americanos são contrários à ideia de atacar o Irã, se o Irã não atacar Israel. São boas notícias, porque tenho certeza que o Irã, diferente do que Israel tem feito, jamais será o primeiro a atacar e iniciar uma guerra. Claro que, se for atacado, o Irã retaliará e talvez se inicie ali a 3ª Guerra Mundial. Mas não haverá guerra envolvendo o Irã, a menos que o Irã, a Síria ou o Líbano sejam atacados. Formamos a Aliança da Resistência, “um por todos, todos por um”, mas sinceramente desejamos ser amigos do povo dos EUA.” A Chadori ofereceu à mulher de tailleur um saquinho de celofane, atado com uma fita e com uma bandeirinha do Irã, de pistaches iranianos caramelados. “Não, obrigada”, disse a norte-americana, afastando-se do grupo.
A Embaixada dos EUA alertou os norte-americanos a evitar os eventos da “provocativa e potencialmente perigosa visita de Ahmadinejad ao Líbano, porque o governo libanês não oferece proteção a cidadãos norte-americanos”. Jeffrey Feltman, Secretário-assistente de Estado para Assuntos do Oriente Médio, reclamou, pelo jornal pan-árabe al-Hayat de 13/10: “Por que o presidente do Irã organiza atividades que só fazem aumentar a tensão? Nos empenhamos em diminuir a tensão, e Ahmadinejad faz o oposto.”
Seja como for, havia muitos norte-americanos em todos os eventos em que Ahmadinejad foi visto.
Na visita a Qana, os deputados do Hizbollah, muitos dos quais mantêm relações de velha amizade com norte-americanos no Líbano, devem ter alertado o presidente do Irã de que havia norte-americanos perto dele. Foi ‘dica’ que Ahmadinejad utilizou muito bem, porque não perdeu ocasião de saudá-los com gestos de cabeça, sorrisos francos e simpáticos e repetidos agradecimentos pela presença deles. O presidente disse aos convidados norte-americanos que dia virá em que Irã e EUA serão nações amigas, muito provavelmente aliadas.
Pouco antes de o comboio de 35 carros da comitiva iraniana e vários funcionários e políticos libaneses chegarem a Qana, para a quarta e maior manifestação popular, um avião militar israelense circulava lentamente, provocativamente, sobre o local do massacre de Qana de 1996. Vários, na multidão, apontavam para o céu e crianças gritavam “Israel!”, assustadas.
Alguns moradores de Qana que conhecem os aviões israelenses de longe, como Ali – que cresceu ali –, sabiam detalhes precisos das especificações e capacidades daquele tipo de avião. A provocação dos israelenses acabou, segundo fontes da segurança do Hizbollah, quando os pilotos israelenses perceberam atividade numa das bases da Resistência, com os mísseis guiados a laser orientados na direção do avião israelense. A mesma fonte informou que o Hizbollah não tinha intenção de atacar o avião israelense e apenas o monitorava como risco potencial à segurança dos libaneses, e para impedir qualquer perturbação à visita do presidente iraniano. Explicou que a Resistência libanesa não atacaria se não houvesse ameaça real e imediata, porque lhe interessa preservar sua “ambiguidade tática e estratégica”, sem expor as armas que reúne em seu arsenal.
O povo, o exército e a resistência do Líbano ignoraram as provocações, inclusive ameaças de atentado e assassinato, como a que fez o deputado (negador da Nakba) Aryeh Eldad, as falas tolas do presidente Shimon Peres, do ministro da Defesa Ehud Barak e de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro e o que os soldados israelenses têm feito ao longo da Linha Azul. Os israelenses têm insistentemente tentado invadir o sistema de comunicações do Hizbollah e têm enviado mensagens de texto, com ameaças, através de telefones celulares clonados. Houve também um sem fim de críticas à visita do presidente Ahmadinejad, distribuídas por funcionários dos EUA, além de mais e mais ameaças por porta-vozes do governo israelense, como Mark Regev, e vociferados pela ultra direita no Congresso dos EUA.
Na 6ª-feira, aviões israelenses sobrevoaram insistente (e barulhentamente) o sul do Líbano, como que para lembrar “Ele partiu, mas nós continuamos aqui”. A agência estatal de notícias do Líbano informou que jatos israelenses haviam sido observados, a média altitude, sobre Nabatiyeh, Iqlim al-Tuffah, Marjayoun, Khiam e Arqoub.
Outras provocações, todas com a assinatura de Israel, durante a visita de Ahmadinejad ao Líbano foram centenas de balões azuis e brancos, lançados para acompanhar as colunas de ar para o norte e chegar a Bint Jbeil no momento da chegada do avião presidencial. Alguns balões traziam insultos escritos por crianças; outros chegaram cobertos de fezes humanas. Os balões sujos de fezes são uma modalidade de insulto que o Exército de Israel repete há 45 anos, contra o Líbano e a Palestina. Nos primeiros movimentos da ocupação, soldados israelenses criaram o que chamam “arte-merda”: paredes, colchões e outras superfícies são ‘pintadas’ com excrementos humanos, nas casas que Israel invade.
Para muitos libaneses xiitas e de todas as 17 seitas não-xiitas – e por efeito de quase cinco anos da mais violenta campanha de desqualificação que EUA e Israel jamais tentaram contra os iranianos como povo, e contra o presidente, pessoalmente –, Ahmadinejad é hoje mal compreendido e subestimado nos EUA e em Israel, mas, simultaneamente, cresce seu prestígio no Líbano, onde circula como se estivesse em sua pátria.
Membros de sua comitiva descrevem Ahmadinejad como homem simples, religioso devoto, sem complicações, alguém que pode bem personificar as melhores aspirações contemporâneas de justiça. É apaixonado defensor da resistência à ocupação e da libertação da Palestina. Segundo alguns de seus assessores, alguns deles experientes jornalistas iranianos, Ahmadinejad é respeitado e amado por gerações de iranianos mais velhos pelo muito que fez pela proteção social dos idosos. Outra de suas bases de apoio político são as famílias de trabalhadores, pelos programas que seu governo implantou, de melhoria da nutrição das famílias, inclusive com substituição de alimentos industrializados por alimentos naturais nas escolas. Segundo o Fundo da ONU para a Infância, o programa de nutrição infantil iraniano é dos mais avançados do mundo.
Jornalistas iranianos dedicaram-se a explicar, em longas entrevistas e sessões de contato com a imprensa do Líbano, que muito do que se divulga no ocidente sobre Ahmadinejad ou é falso ou é pouco preciso. Citam, como exemplos, frase atribuída ao presidente, em 2005, na qual teria dito que Israel deveria ser “varrido do mapa” e outra declaração, na qual teria exigido estudos mais aprofundados para confirmar o Holocausto de judeus. Para os jornalistas, só circulou, dessas frases, a versão encenada pelo lobby sionista de negadores da Nakba, amplificados e repercutidos por uma imprensa ocidental “de repetição”. (Essa semana, aliás, a Agência Reuters ainda repetia a mesma história em Beirute.)
Se se examinam as transcrições do discurso de Ahmadinejad na Conferência de Teerã em 2005, vê-se que o que o presidente disse foi: “O regime que hoje ocupa Jerusalém tem de desaparecer da história do tempo”. É exatamente o que mais e mais pessoas repetem, cada vez mais frequentemente, à medida que cresce a série de crimes dos sionistas israelenses, e desaparece qualquer solidariedade ao governo de uma teocracia fascista de judeus implantada pela violência no Oriente Médio.
A palavra “mapa”, por exemplo, jamais ocorreu no discurso original. Como o professor Narash Norouzi demonstrou, a palavra em persa para “mapa” é nagsheh – que não aparece no discurso original em farsi. Nem o presidente jamais falou em “varrer” coisa alguma.
Apesar de todas essas evidências, o mundo foi induzido a crer que o presidente do Irã ameaçara “varrer Israel do mapa”. E, isso, sem que ele jamais tivesse usado as palavras “mapa”, “varrer” e “Israel”. O presidente iraniano parece ter falado, isso sim, sobre a entidade sionista e uma “mudança de regime” – conceito tão frequentemente usado em Washington, DC, ao longo das duas últimas décadas.
Outro caso em que uma fala de Ahmadinejad foi distorcida aconteceu em discurso no qual o presidente do Irã exigiu inquérito internacional independente sobre o evento de 11/9, e o presidente Barack Obama mostrou-se indignado e considerou “ultrajante” a análise dos iranianos. A cada dia, aumenta o número de norte-americanos que exigem o mesmo tipo de investigação independente, que responda as inúmeras questões cruciais às quais o inquérito conduzido por autoridades norte-americanas nem considerou. Quanto às acusações de que o Irã e seu presidente seriam antissemitas, sociólogo judeu iraniano disse, em palestra que fez na Universidade do Líbano que os 25 mil judeus que vivem no Irã vivem em condições melhores, sem jamais ter enfrentado qualquer tipo de discriminação, que muitos judeus sefarditas em Israel; e, isso, sem falar dos árabes-israelenses.
Haverá analistas que se dedicarão à histórica visita do presidente Ahmadinejad ao Líbano e sobre a importância que terá para o Irã e para o Líbano, para a questão palestina, para os alinhamentos estratégicos em toda a região, com consequências que alcançarão a China, a Rússia e toda a comunidade internacional.
O presidente Ahmadinejad partiu à noite, de Beirute, imediatamente depois de uma reunião na Embaixada do Irã com o secretário-geral do Hizbollah Hassan Nassrallah. No final dessa reunião, Nassrallah entregou ao presidente do Irã, como marco dessa visita histórica, um dos rifles que o Hizbollah confiscou dos soldados israelenses derrotados na guerra de julho de 2006.
A visita de Ahmadinejad ao Líbano é ponto alto de processo diplomático que marca a consagração simbólica de uma nova realidade local e regional, e de um novo caminho de negociação diferente da via Israel-Arábia Saudita ou da via síria. No Líbano, muitos interpretam a visita como o início de uma nova era de resistência à brutal ocupação sionista israelense e ao processo de limpeza étnica da Palestina; para outros, a visita marca, também, nova etapa na resistência à ocupação e à exploração dos recursos naturais do mundo árabe, pelos EUA. Há analistas que já falam de um novo eixo de resistência, de seis membros, liderado por Irã e Turquia, com o Iraque, o Afeganistão, a Síria e o Líbano – aproximando várias e diferentes potências emergentes na região.
O que já parece bem evidente é que o presidente do Irã e a grande comitiva de empresários que visitaram o Líbano já iniciaram uma nova era de relações bilaterais entre, no mínimo esses dois países. Ahmadinejad, nessa visita, deixou claro que, sim, mantêm relações políticas e pessoais em todos os grupos políticos libaneses – motivo pelo qual a visita foi elogiada até pelos líderes da direita cristã, entre os quais Samir Geagea. A visita porá em andamento grandes projetos econômicos conjuntos, além do rearmamento, com auxílio iraniano, das Forças Armadas Libanesas, além da cooperação política estratégica, tudo que agora se inicia. [Continua]

[1] Franklin Lamb é Doutor em Direito e Ciências Econômicas. É Diretor da ONG “Americans Concerned for Middle East Peace, Washington DC-Beirut”, membro-fundador da “Associação da Fundação de Sabra e Shatila” e da “Campanha pelos Direitos Civis dos Palestinos no Líbano”. Vive em Beirute e recebe e-mails em fplamb@gmail.com.
[2] Há versão desse artigo em espanhol, em Rebelión, em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115193