sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


    Por um mundo sem fronteiras


Definitivamente é preciso acabar com as fronteiras geográficas. Elas, e somente elas, resistem a separar a humanidade. 

O fim das fronteiras é o início da evolução humana. 

Nada, absolutamente nada, justifica a existência desses currais. Não fossem as fronteiras e não haveria a invasão de nações. 

Fronteiras são a confirmação da segregação, do preconceito e da incompreensão. 

Fronteiras remetem ao medo do outro. 

Alguém conhece algo mais contagioso do que o medo?

Fronteiras interessam apenas à indústria bélica, que faz do sangue humano o seu combustível. 

Fronteiras servem apenas para as guerras. 

E quem é a principal vítima das guerras? Generais? Banqueiros? Empresários? Nenhum deles. 

Guerras servem para acabar com o “excedente humano”, os excluídos, os trabalhadores e todos aqueles que vivem de sua força de trabalho. 

Este maltratado planeta é muito pequeno para ser dividido em fronteiras.

Está tudo errado, a começar pela educação. É nos bancos escolares que começamos a “amar” nosso país. 

E o que representa esse “amor” senão o “ódio” contra o vizinho? Subliminar, é verdade, mas implantado desde a mais tenra idade e lapidado com o passar dos anos. 

Não podemos esquecer que o ser humano é o ponto de partida e de chegada.

O ser humano é criador, não pode ser produto e vítima da própria cultura. 

Viver neste planeta é viver num eterno círculo. Alguém pode imaginar um círculo com fronteiras? 

Somos escravos de nossos hábitos. 

Até quando?

Ou aprendemos a conviver ou o Universo não derramará uma lágrima pelo nosso fim.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Moshe Katsav, o presidente estuprador
Ex-presidente de Israel, Moshe Katsav condenado por assédio sexual e estupro
 Quem diria...um ex-presidente condenado por estupro.
Moshe Katsav, o ex-presidente de Israel é acusado de 3 estupros e 6 assédios sexuais.
Moshe nasceu no Iran com o nome de Mussa Kassab   ( em português seria Moisés o Açougueiro) e seus pais mudaram seu nome para Moshe Katsav quando foram viver em Israel.
Ministro, costumava atacar as secretárias( três delas o acusaram de assédio sexual) e ao ser escolhido presidente pelo parlamento, assediou outro tanto e estuprou três, segundo as denúncias.
Entre as estupradas, uma soldado de 19 anos que, para silenciá-la, convidou-a para trabalhar no gabinete presidencial.
E das 9, apenas uma teve coragem de denunciá-lo quando ele já exercia a presidência do estado de Israel.
A mídia israelense publica apenas a inicial A para referir-se ao nome da vítima.
Encorajadas, outras 8 vítimas o acusaram.
Moshe, ou Mussa, negociou sua renúncia à presidência em troca do perdão, o que realmente aconteceu.
No entanto, ele mesmo rompeu o acordo ao dar entrevista a uma TV israelense reafirmando o assédio e negando o estupro.
Ontem, a Corte de Israel condenou-o pelos assédios, o que significa de quatro a oito anos de prisão.
Se ele vai cumprir, ou não ainda não se sabe, já que a sentença será proferida na próxima semana.
Vamos aguardar.
  Manifestantes exigem condenação e prisão de Moshe Katsav

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


Quanta hipocrisia...

Os Estados Unidos mantêm negócios bilionários com o Iran.

A informação é do jornal The New York Times.

Somente neste ano, informa o jornal, foram realizadas mais de 10 mil transações.

Há inclusive empresas americanas ajudando a instalar gasodutos no  país.

Mas quanta hipocrisia, não?

E agora, como ficam todos aqueles que acreditaram na propaganda dos EUA?

E que cerraram fileiras contra o Iran?

Quer dizer então que aquela história do país fazer parte do eixo do mal não passa de um conto da carochinha?

E a denúncia do apedrejamento foi apenas um pretexto para os Estados Unidos conseguirem bons negócios?

E por falar em apedrejamento, assistam abaixo a mais um trecho, dublado, do filme A Vida de Brian do grupo inglês Monthy Píton. 
O apedrejamento

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Os tambores da guerra voltam a soar em Israel *

Ilan Pappé**

http://www.countercurrents.org/pappe271210.htm

Os tambores da guerra voltam a soar em Israel, porque mais uma vez está em questão a invencibilidade de Israel. Apesar da retórica triunfalista nas matérias comemorativas da mídia, dois anos depois da “Operação Chumbo Derretido”, o que todos sentem é que a campanha foi fracasso ainda maior que a segunda guerra do Líbano em 2006.

Infortunadamente, líderes, generais e o grande público no Estado Judeu só conhecem um modo de lidar com fracassos e fiascos militares. O único modo de redimi-los é outra operação de guerra, ainda mais violenta e mais sangrenta que a anterior, sempre na esperança de que o round seguinte levará a melhor resultado.

Força e poder, repetem os comentaristas da mídia israelense (papagueando o que ouvem dos generais), são indispensáveis para “deter”, para “dar-lhes uma lição”, para “enfraquecer” o inimigo. Não há qualquer novo plano para Gaza – não há nem desejo real de ocupar Gaza e por a região sob domínio direto de Israel. O que se planeja é agredir mais uma vez a Faixa e a população que ali vive, cada vez com mais brutalidade e por tempo mais curto. Seria o caso de perguntar-se por que alguém imagina que isso daria resultado diferente do que rendeu a “Operação Chumbo Derretido”? Mas essa não é a pergunta correta. A pergunta correta é o quê, senão mais violência e mais brutalidade, poderia oferecer a atual elite política e militar de Israel (governo e também os partidos de oposição)?

Há anos que todos sabem o que fazer na Cisjordânia – colonizar, fazer a limpeza étnica e condenar a região à morte, permanecendo, para efeito público, leal ao fútil discurso da paz ou, como se diz agora, do “processo de paz”. O resultado final esperado seria uma Autoridade Palestina dócil, numa Cisjordânia pesadamente judaicizada.

Mas ninguém sabe o que fazer da Faixa de Gaza, desde que Ariel Sharon “desengajou-se” dela. O povo de Gaza não aceita ser desengajado da Cisjordânia e do mundo, e parece cada dia mais difícil de derrotar, mesmo depois do terrível preço em vidas humanas que os que vivem em Gaza pagaram em dezembro de 2008, por resistir e desafiar o Estado Judeu.

O cenário para o próximo round está montado à frente dos nossos olhos e já se vê outra vez a terrível deterioração que antecedeu o massacre de Gaza há dois anos: bombardeamento diário da Faixa, e uma polícia que não faz outra coisa além de provocar o Hamás, para que reaja e, assim, ofereça pretexto para ataques mais violentos e mais devastadores. Como um general explicou, é preciso, hoje, considerar também o efeito prejudicial do Relatório Goldstone: em outras palavras, um próximo grande ataque tem, hoje, de parecer mais plausível que o ataque de 2009 (mas nem esse cuidado parece crucialmente importante ao atual governo de Israel; e dificilmente agirá como fator impeditivo).

Como sempre, nessa parte do mundo, há outros cenários possíveis – menos sangrentos e mais esperançosos. Mas é difícil identificar de onde poderia brotar um diferente futuro de curto prazo: do pérfido governo Obama? Dos regimes árabes emasculados? De uma Europa tímida, ou de uma ONU impotente? A resistência do povo de Gaza e do povo palestino significa em geral que a grande estratégia israelense para varrê-los do mundo – como o fundador do movimento sionista Theodore Herzl esperava fazer com as populações autóctones da Palestina já desde o final do século 19 – não está funcionando e não funcionará. Mas o preço a pagar aumenta sempre. E é tempo de todos os que se levantaram e falaram pelos palestinos, efetiva e poderosamente, depois do massacre de Gaza há dois anos, voltem a falar e tentem, agora, impedir que venha o próximo golpe.

Essa voz da resistência é acusada hoje em Israel de tentar “deslegitimar” o Estado Judeu. É a única voz que parece preocupar seriamente o governo e a elite intelectual de Israel (muito mais incômoda para eles, do que qualquer condenação ‘soft’ que lhes façam Hillary Clinton ou a União Europeia). A primeira tentativa de calar essa voz foi declarar que a deslegitimação do Estado Judeu seria antissemitismo camuflado. Não deu o resultado esperado e ricocheteou contra Israel, quando Israel quis saber quem, no mundo, apoiaria suas políticas; logo ficou bem claro que os únicos apoiadores das políticas de Israel no mundo ocidental hoje são a extrema direita – organizações e políticos tradicionalmente antissemitas.

A segunda tentativa para calar essa voz foi argumentar que movimentos como Boicote, Desinvestimento e Sanções tornariam Israel ainda mais determinada a continuar, e converteria Israel em ‘rogue state’, estado-bandido. Essa contudo, é ameaça vazia: as políticas israelenses não são geradas pela voz moral e decente que há em Israel. Ao contrário, essa voz é ainda um dos raros fatores que limitam a violência e a agressividade da política de Israel. Sabe-se lá se, quando os governos ocidentais aproximarem-se da opinião pública em seus países, como aconteceu na África do Sul do Apartheid, será possível por fim às políticas israelenses, sem as quais judeus e árabes poderão viver em paz em Israel e na Palestina.

Essa voz é efetiva, porque mostra claramente o vínculo entre o caráter racista do Estado judeu e a natureza criminosa das políticas que implanta contra os palestinos. Essa voz recentemente se converteu em campanha claramente definida e organizada, com mensagem clara: Israel continuará a ser vista como Estado pária, enquanto a Constituição, as leis e as políticas israelenses continuarem a violar todos os direitos humanos básicos e todos os direitos civis dos Palestinos, vivam onde viverem, inclusive o direito de viver e existir.

Agora, imediatamente, é preciso que a energia nobre, mas tantas vezes desperdiçada que o Bloco da Paz israelense e seus seguidores no ocidente investem no conceito de “coexistência” e em projetos de “diálogo”, seja reinvestida numa tentativa de impedir novo capítulo de genocídio na história da guerra de Israel contra os palestinos. É preciso fazê-lo já, antes que seja tarde demais.

*Tradução do coletivo Vila Vudu

**Ilan Pappé é coautor, com Noam Chomsky, de Gaza in Crisis: Reflections on Israel's War Against the Palestinians (Haymarket Books).

As Lágrimas de Gaza

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Escrevi o artigo abaixo  há alguns anos quando os carrascos da vez eram Bush e Sharon. E nada mudou.

O que é civilização?

Civilização é o mundo sem explorados ou exploradores, sem oprimidos ou opressores, sem fronteiras e uma só humanidade; onde o impossível não existe e onde o bem-estar de todos é o objetivo derradeiro do universo; onde a igualdade significa o direito de ser diferente sem sofrer tratamento desigual; onde liberdade significa viver como se achar melhor, sem impedir os outros de proceder como bem entenderem; onde o fim nunca é superior aos meios postos em prática para atingi-lo; onde a prática é mais importante que o discurso ou a crença; onde nenhuma causa é justa quando se alia à morte; onde cada ser humano é um fim em si mesmo; e onde o melhor dos seres é o mais solidário dos seres.

Dito isto, fica a indagação: por qual perversidade uma mesma humanidade consegue gerar um Bach e um Bush, um Mozart e um Sharon?
Responda quem puder.

E aqui vocês assistem a algumas imagens de manifestações pelo mundo em favor dos palestinos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Prefeito israelense não permite a Palestinos cristãos comemorarem o natal

Os palestinos cristãos de Nazareth Illi (Nazaré do alto) quiseram enfeitar as ruas e praças do bairro com arvores de Natal. Mas não tiveram permissão do prefeito Shimon Gapso, que considerou a solicitação uma provocação.

O prefeito afirmou que Nazaré Illi é uma cidade judia e não permitira “comemorações de natal este ano, nem no próximo ou enquanto eu for o prefeito”.

Os palestinos cristãos ficaram indignados e consideraram a atitude do prefeito racista.

“Nem Jesus Cristo esses racistas respeitam, afirmou Aziz Dahal, 35 anos, de uma família de cristãos palestinos “há mais de dois mil anos”.

E abaixo, vocês assistem a mais um vídeo que denuncia o racismo israelense, com legendas em espanhol.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quem foi Moisés?


Pretendia retornar com o blog apenas na segunda feira, mas um leitor de Israel me enviou a anedota abaixo e solicitou que  fosse compartilhada com os leitores.
Aí vai:

Na escola, em Tel-Aviv, a professora pergunta aos alunos.

-Ezequiel, quem foi Abraão?

-Abraão é o patriarca dos judeus!

-Muito bem, agora você, Samuel, quem foi Sara?

-Mulher de Abraão e mãe de seu segundo filho Isaac.

-Muito bem, agora você, Jacob, me diz quem foi Agar?

-Mãe do primogênito de Abraão de nome Ismael.

-Muito bem, agora você Judas, quem foi Moisés?

-Moisés foi um espião egípcio, professora.

Um ohhhh tomou conta da sala. A professora, abismada, pergunta.

-E por que você afirma que ele foi espião dos egípcios?

-Simples professora. Moisés tirou os judeus do Egito e os levou para o único país da região que não tem petróleo.

E abaixo, vocês assistem a um pequeno trecho do filme A Vida de Brian, do grupo Monthy Piton, legendado em português

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

                  Estrelas





Duas estrelas cruzaram o céu.
A primeira trouxe a salvação.
A segunda, destruição.
Está contada a história da Palestina.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Abaixo vocês assistem entrevista de um rabino à Rede de TV Al-Jazira, onde ele acusa Israel de crimes de guerra e agradece os muçulmanos pela proteção aos judeus. A entrevista é em árabe com legendas em espanhol. E aqui fica o meu agradecimento ao leitor espanhol Paco pelo envio do vídeo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010


Israel proíbe bombeiros palestinos de assistir cerimônia em sua homenagem


 Desta vez os israelenses extrapolaram a ponto de nem a mídia do país se conformar.

O adjetivo menos virulento utilizado foi o de insulto.

E toda essa indignação foi uma conseqüência de uma atitude preconceituosa e racista dos euro-sionistas.

Resumindo os fatos.

Quando a denominada floresta de Monte Carmelo começou a ser consumida pelo fogo no início deste mês, imediatamente os bombeiros palestinos acudiram os seus colegas israelenses.

 Foram os primeiros  não hebreus a combater as chamas, o que motivou uma declaração emocionada de agradecimento do primeiro ministro Netanyahu.

Não só agradeceu publicamente aos palestinos como prometeu que a partir daquele dia seu governo iria distribuir melhor a água.

Somente depois, e bem depois  dos palestinos, bombeiros de outros países desembarcaram em Israel para combater as chamas, que até aquele momento haviam vitimado mais de 40 israelenses.

Debelado o incêndio e findo o rescaldo, autoridades do estado sionista resolveram realizar uma cerimônia de agradecimento em homenagem  aos bombeiros de todos os países que participaram.

Mas deixaram de fora os palestinos, o que causou revolta e indignação da mídia israelense.

O governo israelense tentou se desculpar, mas...

É claro que você não ficou sabendo de nada disso porque a mídia das Capitanias Hereditárias ignorou solenemente esses fatos.

Quem tiver estomago forte e quiser continuar a se indignar, clique AQUI para ler, em inglês,  a reportagem da agencia israelense de noticias ynetnews.

Assim falou o presidente Lula

"Estou convencido que não haverá paz no Oriente Médio enquanto os EUA forem o tutor da paz".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Não me convence - 2

No dia 9 de dezembro escrevi um pequeno texto sobre o Wikileaks  sob o título   “Não me convence”, AQUI, estranhando que até aquela data nada havia sido publicado  de relevante sobre o Oriente Médio.

E assim continua até hoje.

E agora começam a surgir algumas manifestações de jornalistas bem informados estranhando também esse fato.

Alguns vão mais longe e dizem que teria havido um acordo entre o responsável pelo site Julian Assange e o governo de Israel.

Falam em vultuosas somas de dinheiro.

Se isso é verdadeiro ou não o tempo dirá.

Mas que é estranho, é.

De qualquer forma, e para provar que não sofro da doença do sectarismo, tenho publicado algumas análises a partir de informações divulgadas pelo Wikileaks.

No fundo, no fundo, elas não trazem nada de novo, pois todos sabemos que as embaixadas do Estados Unidos não passam de ninhos de agentes de espionagem.

 Que liberdade de imprensa nunca existiu, pois por trás de cada veículo existe um patrão, que entende por liberdade de imprensa a defesa de seus interesses e nada mais.

Os exemplos são vários, mas por enquanto fico por aqui convidando a você leitor a acompanhar o vídeo abaixo que exibe um encontro entre o presidente do Iran Mahmoud Ahmadinejad e um grupo de rabinos.

É importante ressaltar que o encontro ocorreu nos Estados Unidos. E aqui fica o meu agradecimento ao leitor Stefano que me enviou o vídeo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O verdadeiro anti-semitismo
                              
 Por  Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino, médico

                        Anti-semitismo é um termo inexato para descrever  a perseguição sofrida por judeus na Europa, em especial durante o século XIX.

                        O termo é inexato porque a maioria dos judeus na Europa são descendentes de convertidos aos judaísmo no século IX e X. e principalmente dos khazares.

                         Os Khazares constituíam  um império de tribos turcas na Ásia central e Rússia, que adotou o judaísmo como religião oficial do império, dando origem à população judaica na Europa oriental, em especial Rússia e Polônia.

                        A perseguição contra judeus na Europa foi motivada por  questões religiosas, políticas e  sobretudo econômicas.

                        A situação atual modificou-se de forma radical.

                        Os judeus gozam de situação privilegiada em termos econômicos, culturais e políticos.  Não  sofrem restrições  de acesso a postos importantes e cobiçados.

                        Hoje, são os palestinos, árabes e muçulmanos, as grandes vítimas da perseguição, discriminação e massacres nas mãos dos novos anti-semitas – os “sionistas” e  simpatizantes.

                        Enquanto muitos estudiosos questionam a origem semita dos atuais judeus, não há dúvida alguma de que os árabes (gênero)  e  os palestinos (espécie)  são povos semitas, que nunca abandonaram sua terra, muito menos sua história na região.

                        O Estado sionista não apenas ocupou a Palestina Histórica e expulsou a maioria do seu povo desde 1948, mas discrimina os palestinos que continuam vivendo em suas casas e terras no que é hoje conhecido como Israel.

                        Exemplo disso  é uma declaração recente feita por centenas de rabinos israelenses. O “decreto” religioso proíbe aluguel  ou venda de casas para cidadãos árabes que vivem em Israel e ameaça aqueles que violarem essa ordem de serem isolados “excomungados”  e   punidos.

                        Segundo a bula religiosa, “qualquer um que venda ou alugue casa para árabes causa grande prejuízo aos judeus, uma vez que os goym tem estilo de vida diferente  do nosso e o objetivo deles é nos prejudicar sempre”.

                        Até hoje, mais de trezentos rabinos influentes em Israel assinaram o decreto.

                        O chefe do movimento, rabino Shmuel Eliahu, da cidade de Safad, é conhecido por suas declarações e posições racistas contra a minoria palestina em Israel.

                        O que causou o movimento do rabino é a presença de alguns alunos árabes,  que estudam em uma faculdade local e são vítimas de agressões racistas diárias por parte  da comunidade judaica da cidade.

                        A solução encontrada pelos religiosos judeus é proibir os árabes de morar na cidade.

                        Vale lembrar que Safad é uma cidade palestina, construída pelos cananitas, há três mil anos e seu nome em aramaico significa Fortaleza. Situa-se  no litoral  norte da Galiléia.

                        No  século XVI, um pequeno grupo de judeus religiosos, fugindo da perseguição na Espanha e em Portugal, após a expulsão dos árabes  da Andaluzia, instalou-se na cidade. Eles viviam em harmonia e paz com os árabes-palestinos da cidade até  o início do século XX.

A chegada dos novos imigrantes sionistas, com a intenção de expulsar os nativos e criar um Estado exclusivo para os judeus em toda Palestina,  deu início a um novo capítulo na História da cidade e da região.

Safad foi ocupada no início de maio de 1948 por forças militares isarelenses, poucos dias antes da criação do Estado judeu.

Sua população árabe-palestina foi expulsa e suas casas foram destruídas. A população de várias aldeias circunvizinhas  foi massacrada, como por exemplo, as aldeias de Saasa, Ein Zeitun e várias outras localidades.

Nas ruínas dessas aldeias, os sionistas construíram fazendas para os imigrantes judeus recém-chegados, parques nacionais ou simplesmente deixaram a terra abandonada.

Safad, hoje, é uma cidade totalmente judaica. Os árabes nativos da região não apenas foram expulsos e proibidos de retornar a suas terras, mas são proibidos de comprar ou alugar casas  e terras na cidade.

Para os religiosos judeus, a proibição baseia-se  no Torah.  Dizem que no Torah está escrito que “Deus  deu a terra de Israel  ao povo de Israel. O mundo é tão grande e Israel tão pequena, mas todos a cobiçam. Isso é injusto”. São as palavras do rabino Yusef Sheinin, um dos líderes do movimento.

A “justiça” desse rabino é estranha. Ele prega não apenas expulsar um povo de sua pátria, mas discriminar a  minoria desse povo que ainda vive na sua terra.

O que o mundo não deve aceitar e permitir é  uma “justiça” desse naipe, que ainda usurpa o nome de Deus para encobrir práticas de ódio.

Outro rabino do assentamento Beit Il, dentro dos territórios palestinos ocupados desde 1967,   líder do movimento  Gush Emunin, Shlomo Aviner, declarou que “os árabes são 25% dos cidadãos de Israel e não devemos permitir que criem raízes aqui”.

Os palestinos não precisam criar raízes na terra, porque suas raízes são a própria terra. A cidade de Safad é exemplo disso: uma cidade cananita milenar, com nome aramaico (Aram = Síria) e alma árabe, onde viviam antes da invasão dos sionistas, muçulmanos e cristãos e judeus, em um mesmo espaço, com respeito e harmonia.

Os sionistas transformaram Safad em um gueto.

Colonos,  que enfrentam dificuldades em criar laços com a terra e os povos onde vivem , falando de  raízes,  é  pura hipocrisia.

A bula dos rabinos de Israel mostra a crise que uma sociedade racista e colonialista enfrenta para se afirmar e auto-definir.

O racismo, discriminação, expansionismo e militarismo são instrumentos indispensáveis não apenas para construir essas comunidades coloniais, como também para mantê-las.

A discussão sobre  o decreto religioso envolveu vários setores da sociedade israelense: religiosos e seculares, da esquerda e  da direita. Os rabinos ditos  moderados emitiram opinião que se mostrou tão racista  quanto à  dos extremistas.

Um dos rabinos considerados moderados, Haim Drucman, tentou amenizar os efeitos das declarações dos rabinos favoráveis aos pogroms contra os palestinos dentro de Israel.

Segundo Drucman, “é necessário diferenciar entre árabes leais ao Estado Judeu e árabes não confiáveis”. “Os primeiros devem ter direitos e devem ser tratados de forma diferente, mas os outros devem ser expulsos”.  O rabino não explicou como ser leal a um Estado,  que exclui e se  define como não seu, exclusivo de outro grupo.

A minoria árabe-palestina do Estado judeu (25%) é considerada uma ameaça, “a bomba demográfica” e a única solução, segundo muitos políticos sionistas é a expulsão dos palestinos.

Israel não é Estado de  todos os seus cidadãos, como qualquer outro Estado normal do mundo, mas Estado de uma parcela da população, cidadãos judeus. Os árabes em Israel são cidadãos de terceira categoria, tratados como estrangeiros na sua própria terra,  e  temem a toda hora  serem expulsos de suas casas.

O que Israel quer de fato é  a redefinição de conceitos humanos básicos, como liberdade, direitos humanos, cidadania, igualdade e fraternidade.

A ideologia sionista pode ser definida como nazi-sionista, uma vez que baseia-se nos mesmos fundamentos nazistas da pureza racial e mito da supremacia e separação total entre grupos  e etnias diferentes. O decreto do rabinato é irmão das leis de Nuremberg.

Em um artigo publicado no jornal Israel Hoje, em 13/12/2010, a jornalista Amona Alon, sugeriu que é obrigação de Israel mostrar ao mundo que a desigualdade não é discriminação, mas apenas reflexo de diferenças entre povos diferentes. Os brancos da África do Sul não foram tão longe.

Segundo a jornalista, as medidas tomadas por Israel,  para  forçar seu caráter de exclusividade judaica, são necessárias e justificáveis, mesmo contrariando os ideais liberais. O que a jornalista sugere é que os judeus em Israel tem direitos que os não judeus não  podem ter.  Fim da isonomia. Sua lógica é distorcida, racista, retrógrada e oportunistas, já que certamente se qualquer outro Estado tomasse essas medidas discriminatórias contra os seus cidadãos judeus, seria acusado de  crime, racismo, perseguição anti-semita.

Em resumo, a lógica israelense  se funda nas seguintes asserções:

1º Tenho direito de ser racista e o mundo deve  aceitar isso, porque é a  maneira  da minha auto-afirmação;

2º É direito meu praticar a discriminação contra os árabes cidadãos de Israel, porque  é  a única forma de manter o caráter de exclusividade judaica do Estado.

3º É meu direito viver em guerra permanente, já que é a garantia da minha existência, porque a paz  verdadeira  é justa e isso representa ameaça a meus privilégios.

4ª Matar e causar sofrimento é a única maneira encontrada por Israel para sobreviver, já que precisa subjugar a população nativa, para manter seus privilégios.


Isso não é lógica, isso é patológico!  Essas  anomalias e taras ameaçam o mundo!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Publico abaixo um artigo longo, de leitura imprescindível, que revela que a tão decantada “democracia americana” não passa de uma praticante contumaz de torturas contra inocentes.E com apoio da grande mídia daquele país.


As condições desumanas da prisão de Bradley Manning

Glenn Greenwald    Salon


Bradley Manning, 22 anos, o soldado do Exército dos Estados Unidos acusado de vazar documentos sigilosos para o site WikiLeaks, nunca foi condenado por esse nem por qualquer outro crime. Apesar disso, está trancado há cinco meses numa cela da Marinha americana em Quântico, Virgínia – e, antes disso, outros dois meses em prisão militar no Kuwait - sob condições cruéis e desumanas e, pelos padrões de muitas nações, de tortura. Entrevistas com várias pessoas familiarizadas com as condições da prisão de Manning, incluindo um funcionário de Quântico (o tenente Brian Villiard), confirmam o que vem sendo veiculado: essas condições podem criar lesões psicológicas de longo prazo.

Desde sua prisão, em maio, Manning é detento exemplar, sem episódios de violência ou problemas disciplinares; no entanto, foi declarado desde o início “prisioneiro de segurança máxima”, o nível mais alto e mais repressivo da detenção militar, base para as medidas desumanas que lhe são impostas.

Desde o início Manning é mantido em isolamento intensivo. Em 23 das 24 horas do dia - por sete meses seguidos e contando - ele fica completamente sozinho na cela. Mesmo em sua cela, suas atividades são muito restritas: ele é proibido de se exercitar e está sob vigilância constante. Por razões que parecem simplesmente punitivas, direitos básicos em prisões civilizadas lhe são negados, como travesseiro ou lençóis (ele não é e nunca foi de tendência suicida). Na única hora diária em que é retirado deste isolamento, é proibido de ver notícias ou programas ao vivo. O tenente Villiard desmentiu que as condições se assemelhem às de “filmes de prisão, em que o preso é jogado num buraco", mas confirmou que ele está em confinamento solitário, exceto pela hora diária em que sai da cela.

Em suma, Manning vem sendo submetido por muitos meses, sem interrupção, a condições desumanas de eliminação da personalidade, de destruição da alma, de indução à insanidade, em condições de isolamento similares às que foram aperfeiçoadas na penitenciária Supermax em Florence, Colorado – e tudo isso sem nem sequer ter sido condenado. E, como no caso de muitos prisioneiros submetidos a tratamentos desvirtuados como esse, o pessoal médico da Marinha agora lhe administra doses regulares de antidepressivos para evitar que seu cérebro se despedace pelos efeitos do isolamento.

Por si só, o confinamento solitário prolongado ao qual Manning está submetido por vários meses é visto em toda parte como altamente prejudicial, desumano, punitivo e, em muitos casos, como forma de tortura. Em seu artigo na New Yorker de março de 2009 "Is Long-Term Solitary Confinement Torture?", amplamente elogiado, o médico e jornalista Atul Gawande reuniu opiniões de especialistas e casos individuais para demonstrar que “todos os seres humanos percebem o isolamento como tortura”. Por si só, o isolamento prolongado rotineiro destrói a mente de uma pessoa e a leva à loucura. Artigo de março de 2010 em The Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law explica que "o isolamento é reconhecido como difícil de suportar; na verdade, estressores psicológicos como o isolamento podem ser clinicamente angustiantes como a tortura física."

Por essa razão, muitos países ocidentais - e mesmo alguns não-ocidentais notórios por violações dos direitos humanos – recusam-se a adotar o isolamento prolongado, exceto em casos mais extremos de prisioneiros violentos. "É uma coisa horrível, a solitária”, escreveu John McCain sobre sua experiência de confinamento no Vietnã. "Esmaga o espírito." Como Gawande documentou: "Estudo militar nos EUA com quase 150 aviadores navais que estiveram em prisão no Vietnã (...) constatou que o isolamento social foi tão torturante e angustiante quanto qualquer agressão física que tenham sofrido”. Para Gawande, a aplicação pela América desta forma de tortura a seus próprios cidadãos gerou o regime de tortura a que o presidente Obama prometeu dar fim:

No ano passado, tanto o candidato republicano quanto o democrata prometeram com firmeza proibir a tortura e fechar as instalações na Baía de Guantánamo, onde centenas de prisioneiros foram mantidos em isolamento por anos. Nem Barack Obama nem John McCain, no entanto, abordou a questão de saber se isolamento prolongado é tortura...

Este é o lado obscuro do excepcionalismo americano... Nossa [pouca, N.T.] disposição em descartar estas normas para prisioneiros americanos tornaram mais fácil o descarte das Convenções de Genebra que proíbem tratamento semelhante a prisioneiros de guerra estrangeiros, em detrimento da estatura moral dos EUA no mundo. Da mesma maneira que a geração anterior de americanos tolerou a legalização da segregação, a nossa tem tolerado a legalização da tortura. E não há manifestação mais clara disso do que o uso rotineiro do confinamento solitário.

Uma coisa é impor tais medidas punitivas, bárbaras a condenados que provaram ser violentos no convívio com outros presos; na Supermax de Florence, os presos condenados por crimes hediondos que constituam ameaça à ordem da prisão e à segurança dos demais são submetidos a tratamento até pior do que o imposto a Manning. Mas é completamente diferente impor essas condições a indivíduos, como Manning, que não tenham sido condenados e jamais tenham representado ameaça física ou desordem.

Em 2006 foi criada a Comissão Nacional de Penitenciárias dos Estados Unidos, bipartidária, que conclamou à eliminação do isolamento prolongado. Seu relatório documentou que as condições em que "os presos são trancados em suas celas 23 horas por dia, todos os dias (...) é tão grave que as pessoas acabam completamente isoladas, vivendo no que só pode ser descrito como condições torturantes". O relatório documentou numerosos estudos psiquiátricos de indivíduos mantidos em isolamento prolongado que demonstram "uma constelação de sintomas que inclui ansiedade extrema, confusão e alucinações, repentinas e autodestrutivas explosões de violência". O artigo acima citado em Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law afirma: "Os efeitos psicológicos podem incluir ansiedade, depressão, raiva, distúrbios cognitivos, distorções de percepção, pensamentos obsessivos, paranoia e psicose."

Quando se juntam os danos do isolamento prolongado às outras privações a que Manning está sendo submetido, torna-se provável em longo prazo o comprometimento psiquiátrico e mesmo físico. Segundo Gawande, "estudos de EEG [testes de encefalograma, N.T.] dos anos 1960 mostraram desaceleração difusa das ondas cerebrais em presos depois de uma semana ou mais de confinamento solitário". Testes realizados em 1992 em prisioneiros iugoslavos submetidos a seis meses de isolamento em média - como Manning, agora - revelaram "anomalias do cérebro meses depois, as mais graves nos prisioneiros que haviam sofrido traumatismo craniano ou, sim, solitária. Sem interação social, o cérebro humano pode ser tão prejudicado como numa lesão traumática”. O artigo de Gawande está repleto de histórias de horror de indivíduos que sofreram demorados surtos psicológicos depois de submetidos a isolamento semelhante ou ainda menos prolongado que o de Manning.

Manning está impedido de se comunicar com jornalistas, ainda que indiretamente, por isso nada do que ele tenha dito pode ser citado aqui. Mas David House, pesquisador do MIT de 23 anos que fez amizade com Manning após sua detenção (e, em seguida, ao entrar nos EUA, teve laptop, câmera e celular apreendidos pela Homeland Security), é uma das poucas pessoas que o visitaram várias vezes em Quântico. Ele descreve mudanças palpáveis na aparência física e no comportamento de Manning ao longo dos meses em que o visitou. Como a maioria dos indivíduos detidos em isolamento severo, Manning dorme boa parte do dia, está particularmente frustrado com a mesquinha, vingativa recusa de travesseiro e lençóis e sofre com o cada vez menor tempo ao ar livre.

É por isso que as condições em que Manning está detido já foram reconhecidas nos EUA - e ainda são reconhecidas em muitos países do Ocidente - não apenas como cruéis e desumanas, mas como tortura. Mais de um século atrás, tribunais americanos entenderam que o isolamento era punição cruel que prejudicava gravemente a saúde física e mental das pessoas. Decisão de 1890 da Suprema Corte em In re Medley observou que, como resultado do confinamento em solitária, muitos "prisioneiros caíram, mesmo após curto período, em semidelírio (...) e outros se tornaram violentamente insanos, outros ainda se suicidaram; (...) os que enfrentaram melhor a provação [muitas vezes] não recuperaram atividade mental suficiente para qualquer serviço em comunidade". Na decisão Chambers v. Florida, de 1940, a Corte caracterizou confinamento prolongado em solitária como "tortura" e comparou-o às práticas medievais do potro, do parafuso e da roda.

O tratamento desumano imposto a Manning pode ter implicações internacionais. Há vários processos pendentes no Tribunal Europeu de Direitos Humanos [ligado ao Conselho da Europa, emEstrasburgo, criado em 1949 para defesa dos direitos humanos, do desenvolvimento democrático e da estabilidade político-social da Europa, reconhecido em 47 Estados, incluindo os 27 que formam a União Europeia, N.T.] interpostos por detidos da "Guerra ao Terror" que contestam sua extradição para os EUA com base nas condições a que provavelmente serão submetidos - particularmente a solitária prolongada -, que viola a Convenção Europeia de Direitos Humanos; esta (juntamente com a Convenção contra a Tortura) proíbe que Estados signatários extraditem presos para países em que haja risco real de tratamento desumano e degradante. No passado, o tribunal encontrou condições de detenção violando esses direitos (na Bulgária): "o detento passou 23 horas por dia sozinho em sua cela, tinha limitada a interação com outros presos e só lhe foram permitidas duas visitas por mês”. A partir do artigo mencionado acima:

Organizações internacionais e especialistas em direitos humanos, incluindo a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê contra a Tortura e o relator especial da ONU sobre Tortura, concluíram que o confinamento solitário pode equivaler a tratamento cruel, desumano ou degradante, em violação ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e à Convenção contra a Tortura e outras Penas e Tratamentos Desumanos ou Degradantes. Eles criticaram especificamente o confinamento supermax nos Estados Unidos por causa do sofrimento mental que inflige.

Submeter um detento como Manning a estes níveis cruéis e desumanos de detenção, assim, pode comprometer a capacidade dos EUA de extraditar prisioneiros. Além disso, devido à dupla cidadania de Manning, americana e britânica (a mãe dele é britânica), é possível que agências e organizações de direitos humanos da Grã-Bretanha façam valer seus direitos consulares contra essas condições opressivas. Alguns esforços preliminares estão em andamento para explorar esse mecanismo como um meio de garantir tratamento mais humano a Manning. Isso tudo ilustra, no mínimo, o profundo abandono das normas internacionais pelo governo dos EUA.

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A situação de Manning foi amplamente ofuscada pela fixação da mídia no Wikileaks; então, vale a pena ressaltar do que ele é acusado de fazer e o que ele disse, em suas próprias palavras, sobre estes atos. Se se acredita na autenticidade do altamente editado registro das conversas online de Manning com Adrian Lamo [o ex-hacker que avisou FBI e Exército sobre as revelações, levando à prisão de Manning, N.T.], divulgado pela Wired (e a revista indesculpavelmente continua a encobrir grande parte dos registros), Manning claramente acreditava ser um informante agindo com o mais nobre dos motivos, e provavelmente foi exatamente isso. Se, por exemplo, foi realmente ele quem vazou o vídeo do helicóptero de ataque Apache - um vídeo que expôs de forma rara e muito necessária a verdade visceral do que realmente representam as guerras americanas -, assim como telegramas militares e diplomáticos revelando fraude substancial do governo, brutalidade, ilegalidade e corrupção, então ele é muito parecido com Daniel Ellsberg. Com efeito, Ellsberg disse a mesma coisa sobre Manning em junho na Democracy Now para explicar por que ele considera o soldado um "herói":

O que Manning diz nos informes de Lamo tem um elo muito familiar e convincente para mim. Manning disse que o que tinha lido e estava repassando era horrível - provas das horríveis maquinações sub-reptícias dos Estados Unidos por todo o Oriente Médio e, em muitos casos, como ele disse, quase crimes. E imagino que ele não seja advogado, mas acho que o que ele achou ser crime é crime, e estava expondo. Sabemos que ele divulgou, ou pelo menos é plausível que ele tenha divulgado, os vídeos de que se queixou com Lamo. E isso é suficiente para que o persigam e ao outro [Julian Assange].

Assim, o que ocorre, para mim - e digo isso aqui com cautela – é: o que ouvi até agora de Assange e Manning - e não conheci nenhum deles - é que são dois novos heróis para mim.

Para saber por que, basta lembrar algumas das coisas que Manning supostamente teria dito sobre a decisão de divulgar, pelo que publicou a Wired:

Lamo: qual é o sua jogada final, então?

Manning: bem, foi encaminhado [para Wikileaks] - e Deus sabe o que acontece agora - espero discussão em todo o mundo, debates e reformas - senão, estamos condenados - como espécie - eu vou desistir oficialmente da sociedade que temos, se nada acontecer - a reação ao vídeo me deu imensa esperança; o iReport, da CNN, foi maciço; o Twitter explodiu - pessoas que viram sabiam que havia algo errado... Washington Post caiu sobre o vídeo ... David Finkel conseguiu uma cópia... - quero que as pessoas vejam a verdade... independentemente de quem sejam... porque sem informação, você, como público, não pode tomar decisões informadas.

se eu soubesse antes o que eu sei agora - ou talvez eu seja apenas jovem, ingênuo e estúpido... espero que o primeiro não seja o último, porque se for estamos ferrados (como sociedade) - e eu não quero acreditar que estejamos ferrados.

Manning descreveu o incidente que primeiro o fez questionar seriamente o governo dos EUA: instruído a trabalhar no caso dos iraquianos "insurgentes" detidos na distribuição da chamada literatura "insurgente", quando Manning leu a tradução viu que nada mais era do que "uma crítica acadêmica ao primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki":

um intérprete leu para mim... e quando descobri que era uma crítica política benigna intitulada "Para onde foi o dinheiro?", seguindo o rastro da corrupção no gabinete do primeiro-ministro, peguei imediatamente as informações e corri até o oficial para explicar o que estava acontecendo... ele não quis ouvir nada disso, disse para calar a boca e explicar como ajudar a fazer mais detentos...

sempre questionei como as coisas funcionavam, e investiguei para descobrir a verdade... mas estava num ponto em que era parte... ativamente envolvido em algo que eu era totalmente contra...

E Manning explicou por que nunca considerou a ideia de vender informações classificadas a alguma nação estrangeira em troca de lucro substancial, ou mesmo apenas transmiti-las secretamente a potências estrangeiras, como poderia facilmente ter feito:

    Manning: quero dizer, se eu fosse alguém mais mal-intencionado poderia ter vendido à Rússia ou à China, encher a conta bancária.

    Lamo: por que não?

    Manning: porque são informações públicas

    Lamo: Quero dizer, os telegramas

    Manning: pertencem ao domínio público - a informação deve ser livre -repassar a outro Estado seria apenas tirar proveito da informação... e tentar obter alguma vantagem - sendo aberta... deveria ser um bem público.

Este é um informante em sua forma mais pura e nobre: descobrir segredos de atos criminosos e corruptos do governo e, em seguida, divulgá-los ao mundo sem fins lucrativos, não para dar vantagem a outras nações, mas para disparar "discussão em todo o mundo, debates e reformas”. Dada a demonização de Manning - ao mesmo tempo em que o silenciaram pela proibição de contato com qualquer mídia -, vale a pena manter tudo isso em mente.

Mas, afinal, o que se pensa dos supostos atos de Manning é irrelevante para a questão aqui. Os EUA deveriam pelo menos respeitar padrões mínimos de tratamento humano na prisão dele. Isso é verdadeiro para todos os prisioneiros, em todos os momentos. Mas o abandono de tais normas é particularmente flagrante quando, como aqui, o detento foi meramente acusado, nunca condenado de qualquer culpa. Essas condições desumanas transformam em piada a repetida promessa de Barack Obama de acabar com abuso e tortura de detentos, como o isolamento prolongado, que - agravado pelas outras privações - é no mínimo tão prejudicial quanto a tortura, violando normas jurídicas internacionais, e quase tão deplorado em todo o mundo como a simulação de afogamento, a hipotermia e outras táticas da era Bush que causaram tanta controvérsia.

O que tudo isso permite é claro. Com o conhecimento de que os EUA podem desaparecer - e de fato desaparecem - com as pessoas à vontade em locais clandestinos, assassiná-las com drones [pequenos aviões operados por controle remoto] invisíveis, aprisioná-las por anos seguidos sem o devido processo legal, mesmo sabendo serem inocentes, torturá-las sem piedade e comportar-se nas ações em geral como um poder imperial desonesto e sem lei, está criado um grave clima de intimidação e medo. Quem haveria de desafiar o governo dos EUA de alguma forma - mesmo que legítima - sabendo que poderia e iria desencadear tal conduta, sem lei, violenta, sem restrições ou repercussões?

Isso é claramente o que está acontecendo aqui. Qualquer um remotamente ligado ao Wikileaks, incluindo cidadãos americanos (e muitos outros críticos do governo), tem seus bens apreendidos e dispositivos de comunicação recolhidos na fronteira sem sequer um mandado. Julian Assange - embora nunca acusado, menos ainda condenado por qualquer crime - passou mais de uma semana na solitária com restrições severas que seu advogado chama de "condições dickensianas". Mas Bradley Manning sofre muito pior, e não por uma semana, mas durante sete meses, sem fim à vista. Se você tomou conhecimento de informações secretas que revelam irregularidades graves, fraude e/ou crimes por parte do governo dos EUA, teria coragem - sabendo que pode ser e provavelmente seria preso sob tais condições de repressão e tortura por meses a fio sem ao menos um julgamento, apenas trancado sozinho 23 horas por dia, sem recurso - de expô-las? Este é o clima de medo e intimidação que estas condições de detenção desumanas são destinadas a criar.

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Quem desejar contribuir para o fundo Bradley Manning de defesa pode fazê-lo aqui. Todos esses meios são respeitáveis, mas todos devem ler atentamente as várias opções apresentadas a fim de decidir qual a melhor.


ATUALIZAÇÃO: Fui procurado pelo tenente Villiard, que afirma que há um erro factual no que escrevi: ele afirma especificamente que Manning não está impedido de ver notícias ou acontecimentos atuais no período em que tem permissão para assistir televisão. Isso é claramente incompatível com os relatos de pessoas com conhecimento em primeira mão da prisão de Manning, mas é questão bem menor.