A longa jornada para um exame medico de um paciente de 87 anos
Diz a lenda que em caso de suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC)o paciente deve ser atendido em, no máximo, 12 horas.
Mas isso é lenda, pois se você consegue ser atendido em 44 dias pode-se considerar com sorte.
Sorte ou azar, depende da gravidade.
Agora imagine você que dedicou toda a sua vida ao Hospital das Clinicas ser ignorado e, com certeza, destratado, quando precisou de atendimento médico.
Agora imagine você que recebeu distinções, homenagens, etc, etc por relevantes serviços prestados e, aos 87 anos, não conseguir sequer tratamento digno.
Aí, naturalmente, você começa a refletir sobre a natureza humana.
Os jovens médicos de hoje talvez se imaginem imortais. Que jamais envelhecerão, que jamais ficarão idosos e jamais serão pacientes um dia.
A língua portuguesa muitas vezes é sábia. Pois a palavra paciente vem de paciência, resignação, conformismo, e não é isso que todos nos tornamos?
Talvez melhor seria se dissesse reféns.
Sim, cada vez nos tornamos reféns de médicos e hospitais.
Aos poucos estamos perdendo nossa humanidade, vitimas de uma sociedade que enaltece o individualismo e o salve-se quem puder.
Diogo Aras tem 87 anos e por mais de 30 foi um dos diretores do Hospital das Clinicas(AQUI ). Mas isso parece que não sensibilizou aqueles a quem deveria sensibilizar e que prestaram o juramento de Hipócrates.
Ficou refém da vida e da morte, da sanidade e da insanidade, por 44 dias, quando deveria ser atendido em, no máximo, 12 horas conforme reza a medicina.
Sobreviveu e está bem, mas a carta que me escreveu relatando as agruras de idas e vindas, de horários marcados e posteriormente desmarcados, de longas esperas até a meia noite, ver aquele hospital pelo qual dedicou toda sua vida caminhando para o precipício, sinceramente ninguém merece isso…
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