segunda-feira, 16 de maio de 2011

       Zenon e os senhores das trevas



A verdadeira finalidade do homem é viver em harmonia com a natureza, pois essa harmonia produz a virtude e a virtude é a lei do universo.

A frase é de um libanês da cidade de Tiro, fundador da Escola Estóica e que passou para a história com o nome de Zenon de Cítion.

Pobre Zenon...

Como explicar esse libanês propondo em 300aC. a fraternidade universal entre os homens sem distinção e, em pleno século 21, um israelense e um americano fazendo da brutalidade e da morte a essência de suas crenças?

Pobre humanidade...

O que dizer dos terríveis massacres perpetrados diariamente na Palestina, Iraque e Afeganistão pelo anti-humano governante de Israel  e anti-humanidade governante dos EUA?

Raivosos e anti-semitas, os dois exercem a lógica ensandecida dos castigos coletivos onde o parentesco torna todos culpados.

Um e outro destroem casas, explodem escolas e assassinam inocentes pelo fato de serem parentes de resistentes.

Mas não concordam quando as vítimas, em desespero, são levadas a responder com a mesma lógica. Sacrificando-se e sacrificando aqueles que julgam responsáveis por seus algozes estarem no poder.

Haverá comparações?

O que diria o filósofo Sêneca, ele que, além de estóico, foi preceptor do imperador Nero?

Com certeza, responderia que comparar Nero aos governantes dos Estados Unidos e de Israel é uma grande injustiça.

Primeiro, porque Nero não foi nenhum monstro. pois é dele a expressão quando assinava, relutante, uma sentença de morte: “Melhor seria se eu nunca tivesse aprendido a escrever”. Além do mais ele possuía um talento multiforme: desenhava, pintava, modelava e fazia versos. Foi patrono das artes e encorajador dos concursos musicais dos quais, para escândalo da corte, ele democraticamente participava.

Fez de tudo para minorar o sofrimento das vítimas do incêndio de Roma que consumiu, também, sua casa. Na verdade, talvez o seu grande pecado tenha sido o de não crer num único deus, ao contrário dos fundamentalistas USA-sionistas.

Esses senhores das trevas precisam entender que não adianta assassinar inocentes ou saquear museus e destruir bibliotecas na crença de que estariam destruindo a cultura de um povo, porque cultura é uma riqueza que tirano algum consegue confiscar.

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