quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

De Moisés a Moisés, não houve outro Moisés*

 Manuscrito de Moisés Maimônides em árabe, a língua de Deus

Perguntei a Maimônides porque escreveu todas a suas obras em árabe.

Porque o árabe é a língua de Deus, respondeu.

E nada mais perguntei e ele seguiu sua jornada.



Este encontro aconteceu quando estava relendo algumas anotações sobre a influência islâmica no judaísmo.

 Então  deparei com Os 13 Artigos de Fé, uma de suas grandes obras.

Mussa Ibn Maimún Ibn Abdallah al-Qúrtubi,( cuja tradução para o português seria Moisés filho de Maimônides, filho do Servo de Deus o Cordobês, foi um grande filósofo, matemático, físico e médico judeu.

Um leitor mais apressado diria que, a exemplo de A Divina Comédia de Dante Alighieri, os textos de Moisés seriam também meras compilações de sábios muçulmanos notadamente Razes, al-Farabí, Ibn Sina (Avicena) e particularmente seu vizinho cordobês Ibn Rushd (Averroes).

Além de Moisés, muitos outros judeus beberam nas fontes islâmicas, alguns chegando a se converter como o poeta sevilhano Abu Ishaq Ibrahim Ben Sahl.

Maimônides nasceu na cidade muçulmana de Córdoba (Espanha), viveu em Futsat (atual Cairo) onde foi médico de Salah-ud-Dín al-Ayubí  o Saladino que derrotou os cruzados.

Considerado o maior pensador judeu da Idade Média, escreveu todas as suas obras em árabe, abarcando vários temas, sendo por isso considerado um polígrafo. 


Sua obra filosófica mais importante é Dalalat al-Ha'irín que em português seria Guia dos Perplexos Vacilantes.

O humanismo islamo-judaico de Maimônides o transforma num daqueles autores que não pertencem a nenhum grupo ou credo particular, mas a toda humanidade.

Enquanto isso, em Israel…


*Frase dita pelos judeus, antes do sionismo.

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