sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Quem é judeu?



Abraão não era judeu.

Moisés não era judeu.

Davi não era judeu.

Salomão não era judeu.

Sobrou Israel que era judeu e na acepção da palavra significa inimigo de Deus.

Como é que ficamos?

Mas vamos aos fatos para que não pairem dúvidas.

Abraão não era judeu porque ele é anterior ao judaísmo.

Historicamente, Abraão era iraquiano da cidade de Ur.

Moisés era egípcio no nome e pelo nascimento e não se sabe quem foi sua mãe.

Davi não era judeu porque os judeus só reconhecem quem é judeu pelo lado materno. E a mãe de Davi era moabita.

Salomão, filho de Davi, era neto de Ruth, a moabita.

E por falar em descendência, Jesus, o Messias, é descendente, de acordo com a Bíblia, de Davi, o neto da moabita.

Jesus era palestino de nascimento.

Sobrou Israel.

Israel era judeu e arrogante.

O nome verdadeiro de Israel é Jacó e recebeu o nome de Israel porque ofendeu e lutou contra o anjo do Senhor.

Isso também está na Bíblia.

E quem agride um anjo não se torna seu amigo, mas inimigo.

Portanto, tecnicamente Israel significa inimigo de Deus.

Talvez agora consiga-se entender porque os governantes de Israel são tão arrogantes e cruéis.

4 comentários:

  1. O que é ser judeu?

    Jaime Pinsky

    Mesmo para aqueles que acham que judaísmo é apenas uma religião, o assunto provoca divergências. Não é por acaso que se conta a história do náufrago judeu que, após dez anos desaparecido, é encontrado numa ilha deserta por um navio que por lá passava. O capitão encantou-se com as estratégias de sobrevivência dele, que incluíam a construção de uma casa bastante sólida, a confecção de redes de pesca e arpões e, para sua surpresa, duas sinagogas. “Duas sinagogas”, perguntou o capitão, “para que construir duas sinagogas se você está sozinho na ilha”? “Muito simples”, respondeu o náufrago. “Naquela eu rezo todos os sábados. Já na outra eu não entro de jeito nenhum”.
    Assim são os judeus religiosos: uns, ortodoxos, outros conservadores, os terceiros liberais e ainda os reformistas, alem de várias outras denominações. A convivência nem sempre é pacífica, mas a ausência de um poder central e de uma função sagrada para os rabinos (eles não falam em nome de Deus, não dão sacramentos, e qualquer ato religioso judaico pode ser realizado sem a sua presença) faz com que as diferentes comunidades contratem diferentes tipos de rabino. Há, inclusive, rabinos gays e “rabinas”. Seu papel mais importante é adaptar leis milenares às práticas de cada grupo. É por isso que uma comunidade tão pequena como a brasileira (menos de 0,1% da população do país) tem tantas sinagogas, organizações e porta-vozes. É muito cacique para pouco índio.
    Mas limitar o judaísmo à identidade religiosa é não responde todas as situações. É possível dizer que Philip Roth não seja um escritor judeu, que Woody Alen não é um cineasta judeu, que Marc Chagall não foi um pintor judeu, que Sigmund Freud não tenha sido judeu? O judaísmo está presente em suas obras de todos esses gênios.
    Uma parcela significativa da juventude israelense, como protesto pela inexistência do casamento civil no Estado de Israel, recusa-se a se casar na sinagoga e viaja até Chipre para oficializar sua união. Seriam esses jovens não judeus?

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  2. Não há uma única forma de identificar os judeus. Eles não permaneceram identificados como tais apesar da História, mas por causa da História. Não fossem necessários, teriam desaparecido como povo. O grande segredo da sua permanência é que não permaneceram, mudaram. Nada mais distante de um judeu do gueto do que um outro que transcenda a idéia da nação. Quando, depois de muitos séculos, os judeus obteveram sua emancipação como cidadãos – isso tudo só após a Revolução Francesa – muitos saíram da cidadezinha para o mundo, tocando música, escrevendo, pintando, marcando, enfim, sua presença no mundo a partir do início do século XX.
    Isso, contudo, só ocorre para uma pequena fração de judeus. A maioria continuava nas aldeias e nos bairros pobres das cidades da Europa Oriental. E é nesses ambientes que surge o nacionalismo judaico. Deve-se localizar as raízes da identidade nacional judaica no século XX, na Europa Centro Oriental e atribuí-la a três fatores complementares: o esgotamento das formas de existência judaica nas cidadezinhas e nos guetos das cidades da Polônia e região; a “primavera das nações”, então em curso, que se apresentava como panacéia universal, remédio destinado a superar pobreza e perseguições (não foi, como sabemos); o profundo sentimento de identidade cultural.
    Embora a colonização moderna da Palestina pelos judeus tenha se iniciado no final do século XIX , ela não era ainda muito significativa em termos quantitativos até a década de 1930. A ascensão de Hitler ao poder, a “solução final” concebida e executada pelos nazistas, (com o assassinato sistemático da maioria da população judaica européia) fez com que grande parte dos judeus não percebessem outra solução que não a “reconstrução” de um estado que pudesse funcionar como refúgio a todos os judeus do mundo que se sentissem perseguidos. Essa é a história de Israel.

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  3. Isso faz com que todos os judeus sejam israelenses e que todos os israelenses sejam judeus? Claro que não. Em Israel existe um importante número de israelenses árabes, muçulmanos ou cristãos. E bem menos da metade da população judaica do mundo vivem em Israel, por qualquer critério que se queira identificar esses judeus.
    Há, sempre, quem olhe o judeu de forma preconceituosa, francamente negativa ou falsamente positiva, mas nem por isso menos discriminatória. Há quem diga que existe um judaísmo gastronômico, outro ufanista (esgrimindo com violinistas, escritores e cientistas judeus que ganharam o prêmio Nobel). Há mesmo quem ainda acredite que os judeus sejam o povo eleito. Tenho, contudo, a convicção de que sua experiência como discriminados habilitou os judeus a lutar contra qualquer discriminação, e o período da vida na aldeia isolada ou nos guetos desenvolveu em muitos judeus o ódio ao etnocentrismo, ao horizonte limitado.
    Há um judaísmo universal e ele pode ser praticado.

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  4. Prezado sr. Urbano
    Nada a opor sobre o texto do sr. Jaime Pinsky, que eu respeito.
    Nada a opor contra Marx e Engels, que respeito muitíssimo e estranhamente o sr.ignorou.
    Respeito, e muito, todos os de confissão judaica que pegaram em armas contra as ditaduras, sejam de que país ou religião. Aqui mesmo, tive um grande amigo que o sr. deve conhecer de nome - Vladimir Herzog - trabalhamos juntos e ele, mesmo não pegando em armas, foi brutalmente torturado e assassinado.
    Não tenho, absolutamente nada contra qualquer tipo de religão, mas admiro muito os textos de Bakunin, que o sr. deve tambem conhecer. O sr. reparou que sø citei humanistas judeus? Pena que esses humanistas sejam ignorados nos dias de hoje.
    Um abraço e volte sempre

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