domingo, 27 de fevereiro de 2011


Números de uma sociedade moralista

Em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, o cientista e astrônomo Carl Sagan relata o seguinte:

1- Uma em cada quatro mulheres USAamericanas sofreu abuso sexual na infância;
2- Um em cada seis homens USAamericanos sofreu abuso sexual na infância;
3- Uma em 10 mulheres foi estuprada.
4- Dois terços delas antes de completar 18 anos;
5- E uma quinta parte delas foi estuprada pelos pais;

Esses números já são defasados já que o livro é de 1997. Mas ele serve para dar uma idéia da condição humana, principalmente da moralista sociedade dos Estados Unidos.

Enquanto isso, no Iraque...



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Dois burros conversavam quando um perguntou ao outro:

- Imagina você que quando um humano quer ofender a outro humano o acusa de burro. Por que será?
- Não tenho a mínima idéia.
- Quando será que isso começou?
- E quem sabe?
- Realmente é estranho isso...Humano chamar o outro de burro como ofensa.
- Talvez porque chamá-lo de humano fosse ofensa maior.
- Você acha?
- Claro! Você já viu algum burro explorar outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro oprimindo outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro abandonar a cria?
- Não.
- Você já viu algum burro sem teto?
- Não.
- Você já viu algum burro sem terra?
- Não.
- Você já viu algum burro torturando outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro declarando guerra a outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro invadindo o território de outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro matando ou morrendo em nome de Deus?
- Não.
- Então, qual ofensa é maior, chamar de burro ou de humano?


Negros, o que você pensou?




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


O que fazer?



O que fazer quando a água cristalina vira um mar de lama?

O que fazer quando a fome vira um número que não alimenta?

O que fazer quando o passado vira referencial para quem prometia o futuro?

O que fazer quando o júbilo, envergonhado, busca abrigo na solidão?

O que fazer quando a virtude se cobre de trevas?

O que fazer quando a mentira escarra na verdade?

O que fazer quando a soberba se torna filha dileta no banquete do cerrado?

O que fazer quando se perde a esperança?

O que fazer quando os olhos não querem enxergar e o coração fica cego?

O que fazer quando a bondade se cobre de mau hálito?

O que fazer quando a ternura se vê brutalizada?

O que fazer quando a desigualdade social é incentivada?

O que fazer quando o sonho vira pesadelo?

O que fazer?...

Amigo, se você sobreviveu a tudo isso, você pode tudo!

Lembre-se! a História conspira a seu favor e o bem-estar da humanidade é o objetivo derradeiro do universo.

Hasta siempre
Uma homenagem musical dos companheiros turcos a Che guevara


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Kadafi, Berlusconi e o Milan




Berlusconi está mais preocupado com a sorte do presidente da Líbia, Muammar Kadafi do que a acusação de que ele, Berlusconi, transformou  a Itália num imenso bordel.

Explica-se: já estavam bem adiantadas as negociações para a compra do Milan pelo filho do Kadafi, Saif AL-Islam.

E só não foram concluídas porque Kadafi achou que seu filho estava sendo enganado pelo capo italiano.

Kadafi considerou muito os dois bilhões de euros que Berlusconi pediu pelo time, já que de acordo com o seu raciocínio, o time não valia tudo isso.

 Fez uma contra-oferta de um bilhão e 200 milhões de euros.

Saif Al-Islam, que já estava se preparando para suceder o pai no poder, tinha viagem programada para esta semana a Milão, quando esperava bater o martelo.

Mas a revolta popular acabou jogando areia na negociação.

Vejam que acima escrevi presidente, apesar do Kadafi estar no poder há mais de 42 anos.

E por que não escrevi ditador?

Simples, ser ditador ou presidente ultimamente não tem feito a mínima diferença.

Os Bush, pai e filho, são denominados de presidentes, apesar de terem invadido duas nações soberanas, e transformado a paradisíaca e ocupada Guantánamo centro de tortura de fazer inveja aos israelenses.

E o que dizer dos israelenses?

Ocupam a Palestina, Síria e Líbano e são denominados de democratas.

Ah! miséria humana, teu nome é semântica...

sábado, 19 de fevereiro de 2011


       O mini-poodle Obama

   Cara de um, focinho do outro...

Obama fez aquilo que os Estados Unidos melhor fazem.

Independente do governante de plantão.

Vetou a resolução da ONU que considera ilegais a construção de colônias israelenses em terras palestinas.

Os 14 membros do Conselho de Segurança votaram unanimemente contra a construção mas de nada valeram esses votos por causa do veto dos Estados Unidos.

Quem imaginava que Obama seria um governante diferenciado enganou-se.

Ele é mais um mini-poodle do sistema.

Sistema esse governando por  corporações, independente do país, do presidente, rei, ditador.

São todos meros capitães do mato, violentos alguns, simpáticos outros, dependendo do momento e da necessidade.

Não se enganem.

Não existem nações soberanas nem governantes independentes.

Somos todos reféns.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hitler falava em nome dos cristãos?


        Hitler é o da direita

Estou cansado de ler textos analíticos de esquerda e de direita sobre o Oriente Médio.

E todos acabam se perdendo em elucubrações sobre o islamismo.

Como se o islamismo fosse  um bicho papão.

Isso na verdade é o preço que se paga ao se ilustrar pela mídia corporativa que não vende informações, mas adjetivos.

O islamismo, como toda religião, tem seus altos e baixos.

O perigo é a generalização.

Associar o radicalismo ao islamismo é o mesmo que associar o cristianismo ao nazismo e o sionismo ao judaísmo.

Nem todo cristão é nazista e nem todo judeu é sionista.

Ambas as religiões tem seu lado bom e seu lado ruim.

O que está acontecendo no Oriente Médio não tem nada a ver com religião.

Tem a ver com a miséria, exclusão, fome e opressão.

No Oriente Médio ha nações ocupadas fisicamente – Iraque, Palestina, Líbano, Síria, o que as transforma em nações colonizadas em pleno século 21.

E há nações ocupadas monetariamente por corporações que mantêm no poder títeres cuja única preocupação é assaltar seus países e manter suas populações sob o jugo dos carrascos.

O que ocorre agora na região não tem nada a ver com religião, mas com revoluções que num primeiro momento prescindem das armas, mas todos sabemos o que pode acontecer num segundo momento.

Sempre se fala que a vontade do povo é soberana, que a voz do povo é a voz de Deus, mas ai do povo que acreditar nisso.

Acaba pagando um preço muito alto.

No entanto e independente disso, a roda da História sempre caminha para frente.

Pode até haver alguns recuos para que o sistema tenha alguma sobrevida, mas que ela anda para a frente, ela anda.

E se o povo do Oriente Médio entender que o islamismo pode sim ajudar na realização de bons governos, que assim seja.

Pelo menos o islamismo não produziu a inquisição, nem as duas guerras mundiais e nem jogou bombas atômicas sobre Nagazaki e Hiroshima.

Então que tal deixarmos o islamismo em paz e nos atermos ao que de fato interessa?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E tudo começou com São Marcos

cristãos coptas promovem  cordão de segurança para proteger muçulmanos durante a oração

Os Estados Unidos continuam em sua corrida desenfreada para seqüestrar a Revolução Egípcia.

Em postagens anteriores já escrevi sobre essa tentativa, mas a foto abaixo aumenta o meu otimismo sobre os egípcios e o fracasso sobre essa tentativa do Império.

E o que diz essa foto?

Cristãos coptas fazendo um cordão de segurança para proteger os muçulmanos que oram na Praça da Liberdade.

Para quem ainda não sabe, o cristianismo no Egito é anterior ao islamismo e foi São Marcos quem o introduziu na terra dos faraós.

Hoje os cristãos coptas são aproximadamente 20% da população egípcia    ( cerca de 80 milhoes), em sua maioria muçulmana, graças, entre outros, ao muçulmano fatímida Saladino.

Mas como esse texto não é sobre religião, fica apenas o lembrete sobre a importância da solidariedade.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


Mubarak estaria hospedado num hotel de luxo na cidade israelense de Eliat

A informação é da agencia de notícias Maan, AQUI.

Moradores da cidade informaram sobre a existência de forte presença de agentes de segurança israelenses que estariam protegendo o ex-ditador egípcio.

Aviões e helicópteros foram enviados ao local para reforçar a proteção.

Apesar do hotel não comentar, um funcionário revelou que Mubarak, chegou ao hotel assim que renunciou.

Arcebispo de Jerusalém saúda muçulmanos por ocasião do aniversario do profeta Muhammad 

Dom Teodósio Atallah Hanna, arcebispo de Jerusalém,  foi ao bairro de Sheikh Jarrah para cumprimentar a coletividade muçulmana por ocasião do aniversario do profeta Muhammad (Maomé).

Dom Teodósio pertence ao patriarcado grego-ortodoxo e escolheu o bairro de Sheikh Jarrah para solidarizar-se também com a população palestina que é vítima constante do governo israelense.

Diariamente moradores são expulsos e suas casas demolidas desse bairro de Jerusalém Oriental e futura capital do Estado palestino.

Na ocasião ele ressaltou a importância das relações entre muçulmanos e cristãos  que sempre conviveram harmoniosamente na cidade sagrada.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


O planeta está um caos,  ótimo!

Finalmente a humanidade começa a acordar.

Até no invadido e maltratado Iraque as manifestações começam a tomar conta das ruas.

Ninguém mais suporta a tal democracia americana.

O Egito continua em busca de seu destino.

Por enquanto os militares estão fazendo aquilo que melhor fazem.

Seqüestraram a revolução popular em nome deles mesmos.

A tal junta militar em nada perde ao Mubarak.

E a mídia, como sempre está sempre confundindo as coisas.

Confunde ditadura com estado feudal.

Nos países de língua árabe não existem ditaduras por um motivo simples.

São estados feudais e para serem ditaduras precisam atingir o status de nação.

E isso nenhum deles ainda é.

São estados feudais, e só.

Mas isso são semânticas midiáticas que confundem democracia com plutocracia.

Ou alguém acha que os EUA são uma nação democrática?

E o que dizer de Israel?

É o único estado teocrático do planeta, mais teocrático que o próprio Vaticano.

Ou alguém duvida?

O sim e o não do plebiscito egípcio

Já está decidido como vai ser o plebiscito no Egito.

Os eleitores responderão a duas perguntas: SIM e NÃO.

SIM! é para que a junta militar governe o país.

NÃO! É para que a junta militar não deixe o governo.

Como no tempo de Mubarak. 

É a tal democracia que os EUA adoram...



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Filme turco sobre as maldades de Israel é censurado pelo Ocidente


Acostumados a mostrar os muçulmanos como terroristas, os governos ocidentais utilizam-se de todos os meios para evitar que as populações de seus países conheçam o outro lado da História.

Digo isso a propósito de dois filmes turcos, sucesso em todos os países que não são subjugados pela “cultura” ocidental.

O primeiro filme retrata a humilhação sofrida por um batalhão turco pelas tropas americanas durante a invasão do Iraque.

O segundo narra o ataque israelense à Flotilha da Paz que tentava levar ajuda à sofrida população de Gaza.

Em ambos os filmes, o personagem principal é Polat Alemdar, um super-herói turco, no melhor estilo James Bond.

A trama do filme gira em torno da caçada de Polat Alemdar ao comandante israelense que ordenou a ação militar.

O enredo envolve o plano israelense de criação de uma “Grande Israel” e, em uma das cenas, mostra um soldado israelense perguntando a Alendar por que ele veio ao país. “Eu não vim a Israel”, responde o herói. “Eu vim à Palestina”.

A partir daí o herói turco transforma Israel em terra arrasada.

Em uma outra cena, um soldado israelense ameaça Alemdar, dizendo: “Saiba que você não tem como escapar da nossa terra prometida!”. O herói retruca: “Eu não sei onde foi que lhes prometeram isso... Mas eu prometo a vocês sepulturas!”.

O filme bateu todos os recordes de bilheteria em todos os países muçulmanos por onde passou, mas continua proibido nos cinemas ocidentais porque mostra os judeus israelenses como malvados, cruéis e imorais, ao contrário dos palestinos, que lutam para se livrar do jugo colonial.

Abaixo, um pequeno trailer do filme

sábado, 12 de fevereiro de 2011


É preciso cortar a cabeça da Hidra



A mídia ocidental está querendo seqüestrar a vitória do povo egípcio.

Mas não vai conseguir.

Alias, pior do que a mídia ocidental são alguns analistas de “esquerda” que não conseguem analisar absolutamente nada.

Se perdem em elucubrações falando ora em xiitas, ora em sunitas, esquecendo que xiitas e sunitas são  antes de mais nada egípcios e eles é quem fizeram a revolução.

Se vão conseguir governar ou não isso já é outra história.

Não se pode esquecer que Estados Unidos e Israel farão de tudo para negociar os anéis com o intuito de preservar os dedos.

É o que eles estão fazendo no Líbano e Tunísia.

Mas possivelmente eles não terão tempo de acomodar as coisas à sua imagem e semelhança.

Argélia está aí para provar isso, Iêmen segue na mesma direção.

 Todo cuidado é pouco já que a  hidra está nos EUA, Israel e no Hijaz, cujo nome os sauditas tentam sepultar até hoje.

É bom que fique claro que o povo egípcio nada obteve ainda.

livrou-se apenas de um nódulo quando o importante é extirpar o câncer em sua totalidade.

Para tanto, é necessário cortar a cabeça da hidra.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Judia israelense da a luz em Hospital de Ramallah (Cisjordania) para que o filho tenha  cidadania palestina

A criança nasceu com 2,3kg e passa bem

Ela é casada com um palestino e recusou atendimento em hospital de Israel.

A criança nasceu com 2,3kg e passa bem.

O presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas enviou um buquê de rosas a ela.

Clique AQUI para ler a íntegra da informação, em ingles,  no jornal israelense Haaretz e AQUI na Agência de Notícias Ma'an.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


É o sistema, estúpido


Vamos deixar uma coisa clara.

A queda de Mubarak, e já vai tarde, não vai resolver o problema dos egípcios.

A não ser que eles rompam definitivamente com o sistema.

E romper com o sistema significa mandar para as calendas tudo que o neoliberalismo impingiu ao país e começar tudo de novo.

E podem começar fazendo o que o presidente Nasser fez ao depor o rei Faruk.

A começar pela recuperação do canal de Suez e das poucas industrias de base que Sadat e mubarak entregaram ao capital eletrônico.

Não precisam se preocupar com a indústria de turismo que ela anda por si só.

Encontro muita semelhança entre as ditaduras egípcia e dos países árabes com a ditadura brasileira de 64.

 Quando os militares voltaram aos quartéis, saciada sua sede de prender e arrebentar, o que os brasileiros ganharam?

Sarney.

Sarney e sucedâneos.

Até a chegada ao governo do presidente Lula.

Vejam que eu disse governo e não poder, como muito bem salientou o então ministro da Casa Civil Jose Dirceu “ somos governo e não poder”.

Mesmo não sendo poder, o presidente Lula fez mais pelo país do que todos os seus antecessores juntos.

E ele está pagando um alto preço por isso.

Que o digam os entreguistas de sempre.

É verdade que os egípcios pagarão um preço altíssimo por qualquer tentativa de rompimento com o sistema, já que os Estados Unidos e Israel farão tudo para evitar esse rompimento.

Principalmente Israel, que até hoje não aprendeu a conviver em paz com seus vizinhos.

O palavreado de seus dirigentes supera, em muito, os conceitos de George Orwell.

A diferença entre o nosso 64 e o 2011 dos egípcios, é que o mundo tornou-se muito pequeno e como disse aquele barbudo, ainda no século 19, a história só se repete como farsa.

Dai porque precisamos ficar atentos para evitar os erros do passado e avançar cada vez mais em busca de uma sociedade mais humana e mais solidária.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

       Uma proposta para a paz - 2

 


Antes de mais nada vamos esclarecer um fato.Não existe nenhum conflito na Palestina como insiste a mídia sicofanta. O que há é uma ocupação e, portanto onde se lê conflito leia-se resistência. Resistência dos semitas palestinos contra o ocupante euro-israelense.

Se os israelianos (governantes arianos de Israel), não entenderem isso, e entender isso significa abandonar os territórios ocupados, não haverá a mínima possibilidade de paz.

O que é lamentável.

Sou daqueles que entendem que o diálogo é sempre o melhor caminho. E o melhor caminho, se me permitem, tanto para israelenses como palestinos é a criação de um Estado único, laico e democrático onde todos possam conviver sejam eles ateus, cristãos, judeus, muçulmanos ou quem mais.

Nada de Estado teocrático.

Não generalizando, mas a religião só tem servido para o usufruto dos canalhas.

Basta consultar a História.

Na impossibilidade momentânea de um Estado único, ficam valendo as propostas do artigo anterior (Leiam post abaixo).

Há três mil anos que a Palestina sofre ocupações. E há três mil anos que os palestinos resistem.

A Palestina foi usada invadida por Persas, gregos, egípcios, hebreus, romanos, bizantinos, cruzados e finalmente turcos, para ficarmos apenas nos mais conhecidos.

E no século 20 a Palestina foi novamente invadida, desta vez pela Inglaterra que abriu a porta para europeus de quase todas as etnias, seguidos de norte americanos, latinos americanos e por todos aqueles que se intitulavam e se intitulam descendentes dos antigos hebreus, que teriam herdado a terra diretamente de Deus.

E citam a Bíblia por testemunho.

É verdade que de acordo com a Bíblia Deus teria dito algo nesse sentido ao iraquiano Abraão e ao egípcio Moisés. Mas isso já faz mais de três mil anos.

Aliás, utilizar o texto bíblico como contexto para a usurpação é crer que o cérebro humano é feito de excremento.

E a se considerar esse tipo de argumento, muito mais direito têm os denominados índios das Américas, que foram massacrados e tiveram suas terras usurpadas pelos europeus que por aqui aportaram a partir do século XVI.

O povo palestino resiste há três mil anos e com certeza continuará resistindo.

Só quem não entende a natureza humana pode acreditar na vitória da opressão.

Por isso, o melhor caminho para os israelenses é o caminho da negociação e da paz.

A humanidade agradece.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

          Uma proposta para a paz



Agora que os países de língua árabe tentam se livrar de seus dirigentes fantoches do Império, entendo ser de suma importância republicar o artigo  com o titulo acima que sinaliza uma paz definitiva para a região.

É claro que o ator principal é Israel e depende de seu povo decidir se querem continuar como um reles posto militar ou tornar-se uma nação.


A proposta, com 10 pontos, poderá ajudar na resolução do “conflito” entre israelenses e palestinos.

1-Demolir o muro erguido para segregar os palestinos, atitude que envergonha qualquer nação civilizada;

2-Devolver todos os territórios ocupados a partir de 1967;

3-Reconhecer o direito dos palestinos ao retorno;

4-Respeitar e acatar as Resoluções da ONU para a região.

5-Definir suas fronteiras porque até agora Israel é o único país do mundo sem fronteiras definidas, ocupando três países (Palestina, Síria e Líbano);

6-Seguir o exemplo dos palestinos e criar uma Constituição;

7-Abolir de vez o crime hediondo de tortura, legitimado por sua Corte Suprema;

8-Punir os militares que assassinam adolescentes palestinos para a extração de órgãos, pratica essa denunciada por Hanna Friedman, dirigente do Comitê Público Contra a Tortura em Israel.

9-Abolir as barreiras e os postos de vigilância que impedem os palestinos de ir e vir;

10-Punir exemplarmente seus soldados que utilizam crianças palestinas como escudos humanos.

Feito isso, os israelenses terão os palestinos como principais aliados e parceiros, colocando um ponto final nesse conflito que já dura mais de 60 anos. 

Em seguida, os israelenses completarão esse acordo, sempre em parceria com os palestinos, com a reconstrução dos hospitais, escolas, estradas, além, naturalmente, de dividir eqüitativamente a água, tão importante para os dois países. 

Poderão ajudar também na reconstrução das casas demolidas por seus buldozers e abolir o castigo coletivo.

Como se vê, a aplicação desses pontos é simples, basta vontade.

As novas gerações agradecem.

domingo, 6 de fevereiro de 2011


A análise de Uri Avneri pode ser resumida numa única questão: Palestina, como, alias, este blog tem alertado sistematicamente  seus leitores desde o inicio das manifestações nos países árabes. E elas não cessarão enquanto não for criado o Estado Palestino.

"Uma villa na selva"?*

Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel,

Estamos passando por evento geológico. Terremoto de vastíssimas dimensões está mudando a paisagem do Oriente Médio. Montanhas convertem-se em vales, ilhas emergem do mar, vulcões cobrem de lava a terra.



As pessoas temem mudanças. Quando acontecem, tendem a negar, ignorar, fingir que nada de importante estaria acontecendo.



Os israelenses não fogem a essa regra. Enquanto no vizinho Egito têm lugar eventos que mudam a face da terra, Israel está absorvida num escândalo no alto comando do Exército. O ministro da Defesa detesta o atual comandante do estado-maior e não faz segredo. O novo chefe presuntivo foi denunciado como mentiroso e a nomeação foi cancelada. É o que se vê nas manchetes. 



Mas o que está acontecendo no Egito mudará a vida de todos em Israel.



Como sempre, ninguém anteviu coisa alguma. O tão incensado e temido Mossad foi colhido de surpresa, como também a CIA e todos os demais serviços secretos do gênero. 



Pois qualquer um poderia prever que aconteceria o que aconteceu – exceto talvez a incrível força da irrupção. Nos últimos poucos anos, temos dito várias vezes nessa coluna, que em todo o mundo árabe multidões de jovens estão chegando à idade adulta tomados por profundo desprezo por seus líderes, e que, mais cedo ou mais tarde, esse desprezo geraria um levante. Não são profecias, mas simples análise atenta das probabilidade.



O torvelinho no Egito foi causado por fatores econômicos: a carestia, a miséria, o desemprego, a nenhuma esperança entre os jovens saídos das universidades. Mas que ninguém se engane: há causas muito mais profundas, que se podem resumir numa palavra: a Palestina.



Na cultura árabe, nada é mais importante que a honra. As pessoas sabem sobreviver à miséria, mas não admitem ser humilhadas. 



E o que todos os jovens árabes viam, do Marrocos a Omã, todos os dias, é sempre os seus respectivos líderes políticos deixando-se humilhar, se auto-humilhando, traindo os irmãos palestinos para obter algum favor a mais, um pouco mais de dinheiro, dos EUA; colaborando com a ocupação israelense, curvando-se aos novos colonizadores. É humilhação profunda para os jovens árabes criados à luz das conquistas da cultura árabe em tempos passados e das glórias dos antigos califas.



Em nenhum outro ponto do Oriente Médio essa desonra era mais visível que no Egito, que declaradamente colaborava com os governos israelenses, impondo o escandaloso bloqueio contra a Faixa de Gaza, que condenava 1,5 milhões de árabes à fome e à miséria. Jamais foi bloqueio só israelense. Não haveria bloqueio sem a colaboração do Egito. Sempre foi bloqueio israelense-egípcio, lubrificado anualmente por 1,5 bilhão de dólares dos EUA.



Já pensei várias vezes – e várias vezes disse e escrevei – sobre como me sentiria se tivesse 15 anos e vivesse em Alexandria, Amman ou Aleppo, vendo os políticos agir como servos abjetos dos EUA e de Israel, ao mesmo tempo em que oprimem e torturam os próprios cidadãos. Aos 15 anos, eu próprio alistei-me numa organização terrorista. Por que qualquer jovem árabe faria diferente?



É possível tolerar-se um ditador, se ele manifesta a dignidade nacional. Mas ditador que manifeste a vergonha nacional é como árvore sem raízes – qualquer vento mais forte a derruba.   

Para mim, a única dúvida sempre foi em que ponto o mundo árabe começaria a agitar-se. O Egito – e a Tunísia – não era o primeiro da minha lista. E, contudo, aí está: a grande revolução árabe acontecendo no Egito.



São perfeitas maravilhas. Se a Tunísia foi pequena maravilha, a revolução dos egípcios é maravilha gigante.

Sempre amei os egípcios. Claro que não se pode amar igualmente 88 milhões de indivíduos, mas pode-se, sim, gostar mais de um povo que de outro. Alguma generalização se permite.



Os egípcios que se veem nas ruas, com quem se fala na casa de intelectuais e nas vielas mais pobres dentre as mais pobres sempre me pareceram inacreditavelmente tolerantes. São dotados de senso de humor que ninguém consegue esconder. E orgulham-se imensamente dos seus 8.000 anos de história.



Do ponto de vista de um israelense, já habituado à agressividade dos israelenses, a quase total ausência de agressividade dos egípcios é sempre surpreendente. Lembro claramente de uma cena: estava num táxi no Cairo, que bateu noutro táxi, no trânsito. Os dois motoristas saltaram dos respectivos veículos e puseram a gritar ameaças, as mais terríveis, um contra o outro. De repente, pararam e puseram-se a rir, às gargalhadas.



Um ocidental que chegue ao Egito, ou ama ou odeia. No instante em que se põe os pés no Egito, o tempo já não é o tirano que o ocidente conhece. Tudo deixa de ser tão urgente, tudo é mais lento, mas, como que por milagre, tudo sempre toma jeito. A paciência dos egípcios parece sem limites. É traço que pode iludir ditadores, porque paciência é coisa que, de repente, acaba.

É como uma represa, num rio. A água sobe sem que ninguém veja, silenciosamente, imperceptivelmente – mas se ultrapassa o limite crítico, e a represa não a contém, a água explode e varre tudo o que encontrar pela frente.

Meu primeiro encontro com o Egito foi embriagador. Depois da surpreendente visita de Anwar Sadat a Jerusalém, viajei imediatamente para o Cairo. Não tinha visto. Jamais esquecerei o momento em que apresentei meu passaporte israelense ao funcionário do aeroporto. Ele folheou e folheou o passaporte, cada vez mais intrigado – e de repente levantou a cabeça e abriu um sorriso. Disse “marhaba”, bem vindo. Naquele momento éramos só três israelenses naquela enorme cidade, e fomos tratados como reis, como se, a qualquer momento, alguém nos fosse levantar sobre os ombros, em triunfo.

A paz estava no ar, e as multidões egípcias riam de prazer.

Mas apenas poucos meses depois, tudo mudou profundamente. Sadat esperava – creio que sinceramente – que a paz implicaria libertação também para os palestinos. Sob intensa pressão de Menachem Begin e Jimmy Carter, aceitou uma declaração em termos vagos sobre os palestinos. Rapidamente Sadat percebeu que Begin nem sonhava cumprir o que prometera. Para Begin, o acordo de paz com o Egito só lhe interessava com paz em separado, que lhe permitiria concentrar-se na guerra contra os Palestinos.



Os egípcios – começando pela elite cultural e chegando às massas – jamais perdoaram essa traição dos israelenses. Sentiram-se enganados. Amem ou não amem os palestinos – nada é mais vergonhoso na tradição árabe que trair parente pobre. Ver Hosni Mubarak colaborar nessa traição levou muitos egípcios a desprezá-lo. Esse desprezo existe em cada movimento do que se viu acontecer semana passada. Conscientemente e inconscientemente, os milhões que gritam “Mubarak fora!” ecoam esse desprezo.



Em todas as revoluções há um “momento Yeltsin”. As colunas de tanques foram mandadas para a capital para reafirmar a ditadura. No momento crítico, as massas enfrentam os soldados. Se os soldados recusam-se a atirar, o jogo terminou. Yeltsin subiu num dos tanques, ElBaradei falou às massas na Praça Tahrir. É o momento em que qualquer ditador prudente parte, como fez o Xá e, agora, também o chefete tunisiano.

Depois, há o “momento Berlin”, quando o regime desaba e ninguém, no poder, sabe o que fazer, e só as massas anônimas parecem ver com clareza o que querem: em Berlim, queriam derrubar o Muro.

E vem o “momento Ceausescu”. O ditador vai ao balcão e fala à multidão, e, das ruas, sobe um coro de “Abaixo o tirano!”. Por um instante, o ditador fica sem ter o que dizer, movendo os lábios sem que ninguém o ouça. Depois, desaparece. De certo modo, já aconteceu a Mubarak, que fez discurso ridículo, tentando conter a maré.



Se Mubarak perdeu o contato com a realidade, o mesmo se pode dizer de Binyamin Netanyahu. Ele e seus colegas parecem incapazes de ver o significado terrível desses eventos, para Israel.

Quando o Egito se move, o mundo árabe move-se com ele. O que quer que aconteça no futuro imediato no Egito – democracia ou ditadura militar – é questão de (pouco) tempo antes do fim das ditaduras em todo o mundo árabe, e as massas modelarão uma nova realidade, sem generais.


Tudo que os governos de Israel fizeram nos últimos 44 anos de ocupação ou 63 anos de existência vai ficando obsoleto. Estamos diante de realidade nova. Israel pode ignorá-la – insistir que Israel ainda seria “uma villa na selva”, na famosa fórmula de Ehud Barak – ou poderá descobrir o lugar que adequado que caiba a Israel na nova realidade.


A paz com os palestinos deixou de ser artigo de luxo.
Hoje, é absoluta necessidade.
Paz agora, paz rápida, paz já. 

Paz com os palestinos e, depois, paz com as massas democratizantes em todo o mundo árabe, paz com as forças islâmicas racionais (como o Hamás e a Fraternidade Muçulmana, absolutamente diferentes da al-Qaeda), paz com as novas lideranças políticas que brotarão no Egito e por toda parte.

*tradução Coletivo Vila Vudu