segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Saudita oferece um milhão de dólares pela captura de um soldado de Israel


 O príncipe Khaled bin Talal oferece um milhão de dólares por cada soldado de israel  capturado


 Os  Libman de Israel estão oferecendo 100 mil dólares para quem assassinar o revolucionário palestino que teria causado a morte de Shlomo Libman membro da citada família.

Esse revolucionário teria sido um dos palestinos trocados pelo soldado Gilad Shalit.

Shlomo morreu em 1998 na colônia Ytzhar, plantada em território palestino.

Essa atitude dos Libman causou revolta num dos mais famosos clérigos da Arábia Saudita, o Dr. Awad al-Qarni.

Imediatamente ele anunciou um prêmio de 100 mil dólares para quem capturasse um soldado de Israel.

Ato contínuo, o príncipe saudita Khaled Bin Talal AL-Saudi, acrescentou aos 100 mil dólares mais 900 mil, totalizando um milhão de dólares pela captura.

Ressalte-se que o soldado tem que ser capturado e não seqüestrado.

Em Israel o prêmio oferecido pelo príncipe e pelo clérigo causou certa preocupação.

Num país onde mais de 10 por cento da população está desempregada, onde os sobreviventes do holocausto realizam manifestações por sentirem-se abandonados pelo  governo (AQUIonde o nível de pobreza já supera os 20 por cento (AQUI),um milhão de dólares não é nada desprezível.


Isto, alias, já estaria causando desconforto nos quartéis.

Os soldados estariam temendo atos de traição dos companheiros de armas.

Na terra do olho por olho, dente por dente, todos correm o risco de ficarem cegos e desdentados.

E dizer que tudo isso poderia ser resolvido numa mesa de negociação.

Uma pena que os palestinos não tenham um parceiro para a paz.

domingo, 30 de outubro de 2011

             Um livro imprescindível



Uma obra que sistematiza o pensamento jurídico com o materialismo dialético.

Isto por si só já seria mais do que suficiente para recomendá-lo.

Mas o jurista e filosofo Damião Trindade, por duas vezes presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, cujo texto elegante e de fácil leitura, transforma Os Direitos Humanos na Perspectiva de Marx e Engels numa obra obrigatória para os estudiosos.

E para os leigos também, por que não? 

Afinal, ler o livro significa, alem do mais, viajar pela História e acompanhar a incansável batalha da humanidade pela sua emancipação.

É um livro para ser lido, relido e estudado. 


...................................................................................................................................................................

O meu agradecimento aos italianos que traduziram e estão divulgando o meu artigo sobre a Líbia AQUI

sábado, 29 de outubro de 2011

Arábia Saudita e Emirados Árabes vão doar 300 milhoes de dólares para a campanha de Obama

Obama curva-se diante do rei saudita. Reparem na turma de pedintes logo atrás

A doação é em agradecimento ao assassinato de Kadafi.

Esse é o mundo no qual vivemos, hoje subjugado pela indústria de entretenimento e pela mídia.

 Ambas associadas ao Império.

Que lhes recompensa regiamente pela servidão.

E as migalhas que sobram ele distribui à mídia terceiro-mundista.

Entre elas a mídia da Casa Grande que já está com o bico torto de tanto ciscar.


Vejam que eu escrevi mídia terceiro-mundista e não do Terceiro Mundo.

Mas voltemos ao Hijaz.

Hijaz, como os leitores deste blog já sabem, é o atual território geograficamente surrupiado pelos colonialistas ingleses e presenteado à tribo saudita e aos emires do golfo.

Eles sempre odiaram Kadafi em razão de seus apelos às populações daquela região para derrubarem seus governantes-opressores.

Que ele chamava de "infiéis, hereges e de ofenderem o Alcorão".

E ao invés de iniciar seus discursos como habitualmente fazem os muçulmanos: “Em nome de Deus, o Clemente e Misericordioso”, ele o iniciava com outra frase do Alcorão: “Tudo o que há no céu e na terra a Deus pertence”.

O recado era bem claro.

Toda riqueza é impura.

Todo acúmulo de bens ofende Allah.

E como exemplo ele mostrava como distribuía a riqueza da Líbia.

Isso, evidentemente, irritava profundamente os governantes perdulários da região.

Hoje, sauditas e golfistas desconfiam de todo muçulmano e sua segurança pessoal é feita por agentes da CIA estadunidense e pelo MOSSAD  Israelense.

Mas esses ditadores travestidos de reis e emires sabem que até a paciência de Deus tem limites.

Daí porque eles contam com Obama ou qualquer outro governante  dos Estados Unidos para livrá-los de qualquer incômodo.


E a recompensa é régia.


Não escolhe lado.


Até o pré-candidato republicano  Mitt Romney será recompensado se ajudar a derrubar o presidente sírio Bashar al-Assad.


Mitt declarou que "Deus criou os Estados Unidos para que o país liderasse o mundo".


Outro que poderá receber apoio será o pastor  evangélico, e agora candidato  a presidente, Terry Jones.


Terry Jones foi aquele pastor que queimou publicamente o Alcorão.


Tudo em nome de Deus.


Pobre diabo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

África  chora a morte do 'rei dos reis'


 Manifestação a favor de Kadafi. Essa imagem você não vê na mídia

A manchete do blog é do jornal New York Times. 

A nota do jornal prossegue:

“Muitos na África Subsaariana lamentam a morte de Muamar Kadafi, celebrado por sua generosidade e posição de confronto com o Ocidente.

Para eles, sua morte violenta foi mais um capítulo triste da longa tradição de interferência das potências ocidentais nos assuntos da África”.

E prossegue o jornal:

 “Na sexta-feira, cerca de 30 mil pessoas lotaram a mesquita para homenagear o líder assassinado.

O Daily Mirror, importante jornal independente de Uganda, noticiou que o xeque Amir Mutyaba, ex-embaixador na Líbia, chorou quando disse a seus seguidores que Kadafi "morreu como um herói". 

E acrescentou que "Allah o abençoará", enquanto os "exploradores de petróleo estrangeiros serão punidos", referindo-se à convicção difundida na África de que o Ocidente interveio na Líbia principalmente por causa de sua riqueza em petróleo.

No Zimbábue, onde o presidente Robert Mugabe liderou a luta pela libertação contra um regime de minoria branca que acabou em 1980, um porta-voz presidencial disse que Kadafi será lembrado por seu apoio à luta pela independência, e criticou a interferência externa”.

Clique  AQUI para ler a noticia em sua íntegra e repare que, apesar dos elogios dos africanos, o jornal insiste em difamar a imagem do líder líbio.

Nas entrelinhas você percebe que ele tenta também descaracterizar os elogios apresentando os africanos como pessoas mal informadas, pois elas afirmam que a Líbia foi invadida e Kadafi assassinado por causa do petróleo.

Mas não explica que o Zimbábue é a antiga Rodésia, cujo regime do apartheid era semelhante ao da África do Sul.

E ao acrescentar na manchete subsaariana, quer descaraterizar o próprio continente africano.

Como se a Africa do Sul não lamentou a invasão do país e o linchamento do líder.

Esses "jornalistas" continuam ofendendo a inteligência do leitor.

Se o neto de Nelson Mandela tem o nome de Kadafi, precisa mais?

E apenas dois países mantinham relações com as racistas Africa do Sul e Rodésia. 

Estados Unidos e Israel.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Líbia que eu conheci – Final


Qual foi o grande erro de Kadafi?

Eu não tenho a menor dúvida.

Foi acreditar nos euro-estadunidenses e desistir de sua bomba atômica.

Os pacifistas que me perdoem.

Aqui não se trata de incentivar a produção de ogivas nucleares, mas de persuasão.

O Brasil que tome jeito e comece a produzir a sua.

Caso contrário, a própria mídia brasileira, associada ao Império, fará de tudo para que o país seja invadido e ocupado.

Kadafi não ficou rico, como os produtores de petróleo do Golfo.

Dividiu a riqueza do país com a população.

Apoiou todos os movimentos revolucionários de esquerda do mundo.

Inclusive os brasileiros.

Em nenhum momento esqueceu a população negra da África.

E da África do Sul, onde, em agradecimento, um neto de Nelson Mandela chama-se Kadafi.

Quando Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente da África do Sul em 1994, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton fez de tudo para que Mandela parasse com os agradecimentos quase diários a Kadafi pelo seu apoio à luta dos revolucionários africanos.

"Os que se irritam com nossa amizade com o presidente Kadafi podem pular na piscina", respondeu Mandela.

O presidente de Uganda Yoweri Museveni afirmou que "quaisquer que sejam as falhas de Kadafi, ele é um verdadeiro nacionalista. Prefiro nacionalistas do que marionetes de interesses estrangeiros".

E disse mais:

" Kadafi  deu contribuições importantes para a Líbia,  para a África e para o Terceiro Mundo. Devemos lembrar ainda que, como parte desta forma independente de pensar, ele expulsou bases militares britânicas e americanas da Líbia após tomar o poder".

Alem disso,  o ex-líder líbio também teve papel importante na formação da União Africana (UA).

A principal coordenadora da guerra contra a Líbia, Hillary Clinton, andou pela África pregando abertamente o assassinato de Muamar Kadafi.

Como não teve sucesso, começou a recrutar mercenários.

Alias foram esses mercenários, inclusive os esquadrões da morte colombianos, que lutaram na Líbia. E eles não foram dizimados graças à Organização Terrorista do Atlântico Norte (OTAN) e EUA.


Quem puder pesquisar, quando Kadafi nacionalizou as empresas petrolíferas e os bancos, a mídia Ocidental referia-se a ele com Che Guevara Árabe.

Antes de ser deposto e linchado pelos mercenários a mando dos terroristas OTAN e EUA, a Líbia possuía o maior índice de desenvolvimento humano da África, e até hoje maior que o do Brasil.

E o que pouca gente sabe, em 2007 inaugurou o maior sistema de irrigação do mundo.


Transformou o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.

Alias, assim que subiu ao poder os líbios que quiseram produzir alimentos receberam terra,  equipamentos, sementes e 50 mil dólares para sobreviver até a safra.

Foi uma Reforma Agrária total e irrestrita.


Ele também pressionou pela criação dos Estados Unidos da África(EUA) para rivalizar com os eua e união européia.


 Ele lutou por uma África una: “Queremos militares africanos para defender a África. Queremos uma moeda única. Queremos um só passaporte africano".

Lamentavelmente esqueceu a Bomba Atômica. E pagou por isso.

As nações que querem se emancipar que pensem nisso.

E abaixo você ouve os presidentes Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo...cantando Hasta Siempre, em homenagem a Che Guevara. Eles também que se cuidem.
O video foi postado originalmente por Regina schmitz no Facebook.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Líbia que eu conheci – 6


“Sobreviverei ao meu verdugo” - Omar Moukhtar o herói nacional da Líbia, preso e arrebentado pelos colonialistas italianos

Quando desembarcamos em Benghazi, a belíssima Benghazi, tamareiras enfeitavam suas praias.

Estavam ali como os coqueiros nas praias do nordeste.

Era colher e comer tâmaras dulcíssimas.

Um jornalista suíço que chegara a Benghazi uma  semana antes, me confidenciou que não deveria perder um casamento. Qualquer um, disse.

Estava realmente deslumbrado com a festa e o que o deixou mais impressionado, é que os noivos, depois da cerimônia, recebem um envelope do governo com o equivalente a 50 mil dólares de presente.

Bem, essa era a Líbia que pouca gente conhecia e a mídia ocidental não fazia nenhuma questão de mostrá-la.

E não poderia, pois como explicar a seus leitores que havia ascendido ao poder um jovem coronel que não utilizou a riqueza em benefício próprio?

Pelo contrario.

Havia dividido a riqueza com a população do país.

Que não queria ver ninguém sem teto, sem fome, sem educação e sem
muitas outras coisas mais.

Eu, naturalmente, iria sem dúvida nortear a minha entrevista a partir desses pontos.

Mas antes da entrevista, fomos a três festas com músicos árabes de diversos países.

E haja doce.

E haja suco.

E nem um “uisquinho”, lamentavam alguns jornalistas que, sinceramente, acho que estavam no país sem saber porque e para que.

As festas corriam em tendas beduínas, algo que Kadafi sempre prezou.

Finalmente cara a cara com Kadafi.

Em sua tenda.

Aparentava cansaço.

Alguns dos assuntos discutidos:

1-Socialismo líbio;
2-Educação;
3-Reforma agrária;
4-Moradia
5-Alinhamento
6-Arabismo
7-Socialismo chinês, soviético, cubano;
8-Apoio aos movimentos revolucionários;
9-Che Guevara;
10-Estados Unidos;
11-Brasil;
12-liberação feminina
13-Reencarnaçao de Omar Moukhtar.

A entrevista, que seria de 40 minutos, durou mais de duas horas e creio que passaríamos a noite conversando se ele não fosse a toda hora solicitado.

Naturalmente a Globo achou melhor não colocar o programa no ar, pois poderia melindrar a ditadura.

Foi feita uma proposta para que um programa de 15 minutos fosse ao ar no Fantástico.

Foi realizada a reedição, mas o programa teria sido proibido pelos  censores oficiais da ditadura (civil-militar-midiatica.)

Tudo culpa da ditadura.

Será?

Óh  céus! óh terrra! Quando nos livraremos desse sistema putrefato?

terça-feira, 25 de outubro de 2011


A Libia que eu conheci – 5

A bela Benghazi, antes da invasão dos EUA-OTAN

Vamos falar francamente.

Eu estava me esforçando para realizar um programa que dificilmente seria exibido.

Naquela época o Globo Repórter registrava uma audiência enorme, entre 50 e 65, com pico de 72.

Alem do mais, vivíamos sob o tacão da ditadura.

Mas já que estávamos lá, vamos tocar o barco e ver no que vai dar.

À noite, no hotel, alguém abre a porta e me pergunta se posso conversar um pouco.

Era o chefe da delegação de Guiné-Bissau e estava empolgado. Nunca imaginara conhecer um país como a Líbia.

Perguntou como foi o meu encontro com Kadafi.

Respondi que o encontro seria no dia seguinte em Benghazi.

Enquanto conversávamos, um “fiscal” do governo, entra no quarto e nos cumprimenta sorridente.

Dá uma olhada rápida e com aquele sorriso de comissária de bordo, nos agradece e vai embora.

Mal passaram 10 minutos e a porta novamente é aberta. Um jornalista do Rio de Janeiro, meu vizinho de quarto entra desesperado.

-Uma coca cola pelo amor de Deus. Meu reino por uma coca-cola. Vou descer até saguão, alguém precisa me informar onde consigo comprar coca cola nesse país de birutas.

E nem esperou o elevador. Desceu pela escada mesmo.

-Maluco esse seu vizinho, me confidenciou o guine-bissauense( é assim mesmo que se diz?). E alem do mais ainda ofendeu  Shakespeare.

Em seguida ele me revela que conheceu muitos revolucionários de países diferentes que se encontravam na Líbia em busca de recursos.

Inclusive sul africanos.

-Entregaram uma carta de Nelson Mandela para o Kadafi pedindo para ele não esquecer seus irmãos africanos, respondeu feliz dando a entender que eles foram atendidos.

Novamente o “fiscal” com sorriso de comissária de bordo entra. Desta vez para nos convidar a assistir no salão do hotel a um filme sobre os “horrores” da herança colonialista.

Na verdade não era um filme, mas um documentário de 15 minutos e se a idéia era para que a platéia se indignasse, o efeito foi o contrário.

O documentário mostrava a noite em Trípoli. Garotas seminuas andando nas ruas em busca de clientes, “inferninhos”, cabarés, bebidas alcoólicas, muitas bebidas, e por aí vai.

E o pior, terminada a exibição vários aplausos da platéia, principalmente de jornalistas, pedindo a volta dos colonizadores...

Isso sim é que era época boa, exclamou o jornalista carioca, agora ao lado de um colega mineiro que completou: “eta paizinho que nem coca-cola tem”.

Quatro da manhã somos acordados. Do aeroporto de Tripoli seguimos  para Benghazi, onde finalmente vamos entrevistar Kadafi.

Continua...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Líbia que eu conheci – 4


 Kadafi libertou as mulheres alistando-as nas Forças Armadas

Então o senhor considera Kadafi um Gênio?

Sim! Respondeu o embaixador. Um Gênio! E amanhã o senhor vai ter uma prova disso.

Não entendi.

Amanhã vai haver um desfile em comemoração ao décimo aniversario da Revolução. Assista e veja se não tenho razão.

O dia seguinte amanheceu glorioso. E eu já estava preocupado.

Se o país vai parar para comemorar o décimo aniversário da Revolução, será que Kadafi vai encontrar tempo para a entrevista?

A população lotava a praça e as ruas onde seriam realizados os desfiles.

Um fato me chamou a atenção.

Havia milhares de meninas adolescentes com uniformes militares prontas para o desfile.

Sorriam um sorriso que somente as adolescentes possuem. 


Impressionante a sua alegria.

Foi assim que Kadafi libertou as mulheres, que antes não podiam atravessar a porta de casa e nem tirar as vestimentas que cobriam seu corpo de cima abaixo, me confidenciou o embaixador.

É ou não um gênio?

Essas adolescentes saem de casa bem cedinho usando o uniforme militar e retornam para suas casas no fim do dia. Elas só não dormem no quartel.

E têm autorização para não tirar o uniforme.

Depois do serviço militar elas jamais voltam a se vestir como anteriormente.

Então é por isso que as mulheres líbias se vestem como as ocidentais?

Mas vez ou outra deparamos com mulheres com roupas tradicionais.

Terminado o desfile, um membro do governo me diz que Kadafi nos receberia não mais em Trípoli, mas em Benghazi, a bela cidade mediterrânea.

E que nos buscariam de madrugada pra viajarmos os 600 quilômetros que separam as duas cidades.

Fico sabendo nesse dia que a energia elétrica que ilumina o país é de graça.

Ninguém recebe a conta de luz, seja em casa ou no comércio.

E quem tiver aptidão para empresário, pode buscar os recursos necessários no banco estatal e não paga nenhum centavo de juros.

A divisão da riqueza do país  com sua população, em nome do islamismo, criou um sério problema para os demais países muçulmanos, principalmente Arábia Saudita.

E desde então, Kadafi nunca poupou os dirigentes sauditas que acusou de terem se apossado de um país que jamais lhes pertenceu e de serem “infiéis que conspurcavam o verdadeiro islamismo”.

“Trocaram o Profeta pelo petróleo”.

Pela primeira vez usava-se o Alcorão contra aqueles que se diziam seus defensores.

Os sauditas, acuados, só conseguiam dizer que ele era “comunista”.

Kadafi respondia que ele apenas seguia o Alcorão ao pé da letra.

Várias revoltas começaram a eclodir na Arábia Saudita e países do Golfo.

Estados Unidos e mídia associada começaram a arregaçar as mangas.

Era preciso defender a vassala Arábia Saudita e transformar Kadafi num pária.

Na volta ao hotel, dou de cara com revolucionários da África do Sul. Estavam na Líbia em busca de fundos para lutar contra o apartheid.

Continua...

domingo, 23 de outubro de 2011


A Líbia que eu conheci – 3


 Kadafi ao lado de seu eterno ídolo, o presidente Násser do Egito

Belo e os dois policiais estão parados ao lado de um reluzente carro Mercedes Benz novinho em folha.

Perguntei o que estava acontecendo.

Um dos policiais me disse que o meu companheiro não parava de apontar a chave do carro na ignição. E que eles não sabiam a razão, pois Belo não falava o árabe e nem eles o “brasileiro”.

Então era por isso que eles saíram juntos do hotel.

Nada preocupante.

Belo me explicou e eu traduzi para o policial que ele, ao ver a chave na ignição, ficou preocupado de alguém roubar o carro.

Os dois policiais começaram a rir e disseram tratar-se de um carro abandonado.

Era um costume no país.

Quem não gostasse do carro bastava abandoná-lo com a chave dentro. O interessado podia levá-lo.

Essa era a Líbia da época.

Muita fartura, nenhuma miséria e a abundância ao alcance de todos.

Alias isso podia se observar nas pessoas.

Os mais velhos, que viveram sob o domínio dos colonialistas e durante a monarquia, eram pessoas alquebradas, corpo seco.

As crianças e os jovens eram saudáveis e alegres.

Só para se ter uma idéia da Líbia sob Kadafi, tudo custava mais ou menos o equivalente a 3 dólares.

Havia supermercados gigantescos, mas nada era vendido a varejo.

Quem quisesse arroz, por exemplo, pagava 3 dólares pelo saco de 50 quilos.

Tudo era nessa base.

Fomos visitar o parque industrial de Trípoli e eu pedi para conhecer uma tecelagem.

Perguntei como era a relação com os clientes e um técnico  alemão  que ali se encontrava para montar o maquinário, começou a rir.

“Os líbios são loucos”, me disse. E completou: “eles não vendem nada aqui por metro, somente a peça  inteira. E para qualquer um que entrar na fábrica e pedir”.

Perguntei o preço da peça: 3 dólares a peça de 50 metros...

Mas se você, por exemplo, quisesse comprar uma gravata, qualquer uma, o preço mínimo era o equivalente a 200 dólares.

Um cachimbo, 300 dólares.

Ou seja, todo produto que que lembrasse os colonizadores e, de acordo com eles, representasse ou sugerisse consumo supérfluo, era altamente taxado.

Bebida alcoólica, nem pensar. Dava prisão sumária.

E foi o que aconteceu com dois jornalistas argentinos, cuja “esperteza” os remeteu ao porto e ali compraram de um cargueiro, uma garrafa de uísque.

Um dos funcionários do hotel sentiu o bafo e os denunciou.

É verdade que eles não foram presos, porque eram convidados do governo.

Mas não puderam entrevistar ninguém, muito menos o Kadafi...

E nós só soubemos disso porque o embaixador do Brasil, uma figura simpaticíssima, uma noite nos convidou para a Embaixada e, ali, nos ofereceu um uísque de não sei quantos anos (guardado a sete chaves num cofre), que Manse e Belo acharam delicioso.

Claro que eu também bebi um gole, apesar de detestar uísque.

Seja de que marca for, de que ano for.

Sempre me lembrou o gosto de iodo.

Evidentemente não faria uma desfeita ao embaixador tão solícito.

Não estalei a língua porque aí seria demais.

Antes de nos despedirmos, o embaixador nos ofereceu um litro de  leite para cada um, pois segundo ele o leite disfarçaria o nosso hálito.

Na porta, perguntei ao embaixador se ele poderia nos dar um depoimento.

“O Kadafi é um Gênio”, respondeu.

Surpreso, perguntei.

O senhor considera o Kadafi um Gênio?

Sim! Um Gênio!
Continua...

sábado, 22 de outubro de 2011

A Líbia que eu conheci - 2


A bela Tripoli antes da invasão dos Estados Unidos e da OTAN

Estamos em Tripoli, ano 1979.

Esta noite quase não consegui pegar no sono.

No hotel onde estava hospedado, alem dos diplomatas e alguns jornalistas, estavam também delegações de países africanos de língua portuguesa.

Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, etc.

E foram eles que não me deixaram pegar no sono já que, sabendo que eu teria um encontro com Kadafi no dia seguinte, queriam que eu lhe pedisse mais explicações sobre o socialismo Líbio.

Disseram que nunca haviam visto algo igual. Nem mesmo em livros.

Ficaram admirados com a Lei do Colchão (veja post abaixo), com a assistência medica, remédios e educação tudo gratuito.

E pelo fato de ninguém ser obrigado a trabalhar na Líbia e mesmo assim receber uma remuneração “ fantástica”  no dizer de um angolano.

Prometi que tentaria obter uma resposta, desde que, de fato, eu conseguisse falar com Kadafi, por saber  que ele era imprevisível e não poucas vezes deixou jornalistas aguardando ad infinitum.

Antes, preciso esclarecer que as portas dos apartamentos dos hotéis não possuíam fechaduras.

Por isso todos podiam entrar no apartamento de todos razão pela qual nossos apartamentos eram sempre “visitados”.

Perguntei ao gerente do hotel a razão da falta de fechaduras.

Respondeu que na Líbia não havia ladrões como na “época da colonização italiana e por isso as fechaduras eram prescindíveis”.

Mas um diplomata me esclareceu que a falta de fechaduras era para que os “fiscais” do governo pudessem entrar a qualquer hora do dia ou da noite para ver se não havia mulheres “convidadas” nos apartamentos.

“Porque, prosseguiu o diplomata, os líbios até hoje falam que durante a colonização italiana e o reinado de Idris, os hotéis serviam apenas para orgias”.

No dia seguinte me preparo para o encontro com Kadafi.

Manse, com a sua câmera e Belo com seu gravador Nagra me aguardavam ao lado do elevador.

Com cara de sono, reclamaram que seus apartamentos foram “penetrados” umas três vezes de madrugada e foi um susto só.

O carro enviado pelo governo nos esperava na entrada, mas Manse queria tomar mais um cafezinho.

Entrei no carro e aguardei.

Cinco minutos depois Luis Manse, com sua inseparável câmera chegava sozinho.

Perguntei pelo Belo, ele disse que o imaginava comigo.

Perguntei ao nosso acompanhante se ele havia visto o nosso companheiro.

Imediatamente ele foi à portaria perguntar.

Um rapaz simpático respondeu que tinha visto Belo acompanhado por dois policiais uniformizados a caminho da praça que ficava a uns cinqüenta metros do hotel.

Fiquei preocupado, imaginando o pior.

Jornalista acompanhado por policiais no Brasil nunca era um bom augúrio.
Continua...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Líbia que eu conheci - 1

Nelson Mandela assim que foi libertado foi agradecer a Kadafi o seu apoio ao povo sul-africano contra o regime do aparheid.

Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.

Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo ( por onde andarão?).

Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.

Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.

Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.

 A resposta me surpreendeu ainda mais.

Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.

Os líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.

O pais era um imenso canteiro de obras.

E mais: Uma lei em vigor, A LEI DO COLCHÃO, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.

Inúmeras embaixadas sofreram com essa lei já que foram ocupadas por líbios.

O próprio embaixador me contou na ocasião que a embaixada brasileira não ficou imune a essa lei.

Um motorista líbio que ali trabalhava informou a um amigo que ainda não tinha casa, que a embaixada do Brasil era alugada.

Imediatamente esse amigo atirou um colchão e reivindicou a propriedade( uma mansão que pertencia a um italiano que retornou à Itália apos a subida ao poder de Kadafi).

O governo líbio precisou intervir para evitar maiores dissabores.

O Brasil acabou ganhando a embaixada e o líbio uma casa nova.

Isto tudo aconteceu na década de 70, quando a Líbia era uma potência riquíssima, com apenas 3 milhões de habitantes, em quase 1.800.000 quilômetros quadrados.

Os líbios, por lei, eram proibidos de trabalhar como empregados de estrangeiros.

O líbio que não quisesse trabalhar recebia o equivalente, valores de hoje, a cerca de  7 mil dólares por mês.

E mais: médico, hospital e remédios era tudo de graça.

Ninguém pagava escola e o líbio que quisesse aperfeiçoar seus estudos fora do país ganhava uma substancial bolsa.

Conheci muitos desses líbios na França, Itália, Espanha e Alemanha, e outros países onde estive como jornalista.

Continua...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Veja quem ganha e quem perde na troca de prisioneiros palestinos pelo militar israelense

Colono judeu atira vinho em idosa palestina

 Ganham o Hamas, Síria, Iran, Rússia, China e o Hizbullah.

Perdem os Estados Unidos e seus satélites europeus, Israel e Arábia Saudita.

Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina não perde e nem ganha.

A troca foi um jogo de xadrez mal calculado pelos dirigentes sionistas.

Com a troca, Israel esperava desqualificar Abbas como interlocutor  em sua determinação pelo reconhecimento do Estado Palestino na ONU.

Para Israel, de acordo com o raciocínio tacanho de seus dirigentes, isso seria um golpe mortal.

Justiça feita aos Estados Unidos.

Em nenhum momento eles apoiaram a troca, mas nada fizeram para impedi-la.

Porque eles também precisavam desqualificar o dirigente palestino.

Mas temiam fortalecer o Hamas.

Ao que tudo indica nem Israel e nem Estados Unidos percebem as mudanças que vêem ocorrendo no mundo diariamente.

O problema para os palestinos agora são os colonos euro-sionistas que invadem suas terras,  avançando fortemente armados.

Com apoio dos militares que lhes fornecem armas e treinamento.

Não sem receio, é verdade.

Temem ser capturados para servir de moeda de troca.

E por que não?