quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Para que serve a ONU?


A Organização das Nações Unidas(ONU) está possessa.

É que estudantes iranianos resolveram fazer uma limpeza na embaixada do Reino Unido.

A ONU até divulgou um comunicado no qual pede às “autoridades iranianas que protejam os diplomatas".

Nada contra o comunicado se ele fosse feito por gente honesta e não por gângsteres.

Quer dizer que o Conselho de Segurança da ONU protesta contra a invasão de uma embaixada e não se incomoda com a invasão, ocupação e saque de países?

Cadê o protesto contra a invasão e assassinato em massa da população civil do Iraque?

Do Afeganistão?

Da Líbia?

Cadê o protesto contra as masmorras de Abu-Ghraib que continuam funcionando a pleno vapor?

Cadê o protesto contra as masmorras de Baghran e Guantánamo?

Cadê os protestos contra a tentativa de invasão da Síria?

Quer dizer que estudantes iranianos invadem ( mas não  ocupam) um embaixada que, mais do que embaixada, é um conhecido ninho de espiões e provoca tamanha celeuma?

E mutismo total contra a invasão, ocupação, saques e assassinatos em massa de populações de nações soberanas?

Onde está a autodeterminação dos povos?

Por que a ONU se cala?

Que democracias são essas que invadem países e criam centros de tortura?

Crimes por crimes ( e, por favor, não entendam isso como justificativa) quem assassinou mais, os governantes ou os invasores?

Vejam o caso da Palestina.

Invadida e ocupada por racistas que necessitam criar muros para protegê-los contra o olhar dos diferentes.

Será que os europeus que invadiram a Palestina querem terminar o trabalho que os nazistas não conseguiram?

Exterminar os semitas?

Sim!

Os palestinos são semitas, os autênticos semitas, e não a Babel euro-sionista que invadiu e ocupa o país.

Cadê os protestos da ONU?

Ato falho.

Pedir coerência à ONU é o mesmo que acreditar que países são invadidos em nome de democracias.

Concretamente, a ONU até agora só serviu para duas coisas: inventar uma tribo denominada Israel e chancelar a invasão de nações soberanas.
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terça-feira, 29 de novembro de 2011


Manipulação grosseira



A BBC já não sabe mais o que fazer para mostrar serviço ao Império.

A informação que ela divulga hoje mundo a fora, inclusive na edição brasileira, está repleta de mentiras.

Eu poderia ser menos cruel e dizer equívocos ao invés de mentiras.

Mas não é possível tamanha a falta de respeito com os leitores.

A começar pela manchete da noticia: “Assad deu ordem para atirar para matar manifestantes na Síria, diz ONU”.

E quando você lê a noticia vê que não foi bem isso. E o que é mais grave.

A imagem que acompanha o texto é um absurdo de desonestidade.

A imagem, veja acima, é uma manifestação com  centenas de milhares de pessoas a favor do presidente sírio.

E a legenda da foto diz: Pelo menos 3.500 pessoas morreram na repressão aos protestos, que tiveram início em março”.

O que leva o leitor mais apressado a imaginar que a manifestação é contra o presidente sírio e custou a vida de 3.500 pessoas.

São tão desonestos esses controladores da mídia que mereciam ser levados ao Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

Eles e seus vassalos que aceitam redigir tamanhas mentiras.

Querem transformar Assad em “monstro” semelhante ao que fizeram com Kadafi, que na foto abaixo brinca com seus netos, antes de ser brutalmente assassinado.


Israel continua ofendendo a humanidade

Considerada a oliveira mais velha do planeta( cerca de 5mil anos) essa oliveira palestina já sofreu diversas tentativas de destruição pelas hordas sionistas

Israel não está honrando nenhum dos compromissos assumidos.

E não me refiro a compromissos passados, sempre ignorados.

Mas aos mais recentes.

O principal deles é o acordado quando da  libertação do soldado Gilas Shalit.

Israel continua retendo mais de mil prisioneiros que já devia ter libertado, principalmente mulheres e crianças seqüestradas e mofando em masmorras sionistas.

Não reabriu as passagens para Gaza.

Remédios não entram no território palestino e nem material de construção para recuperar os hospitais intensamente bombardeados.

Escolas continuam fechadas e os alunos perseguidos.

Toda ajuda econômica dirigida à nação palestina está sendo retida pelo governo do estado judeu.

Os palestinos continuam sem água potável.

Não conseguem alcançar suas lavouras cercadas por colonos invasores.

Este ano a colheita de azeitonas foi ínfima.

Oliveiras continuam sendo destruídas.

E ninguém, absolutamente ninguém, se manifesta contra tamanhas barbaridades.

 Por que a Liga Árabe  se cala?

É muito estranho esse silêncio.

Diria até um silêncio cúmplice.

Mais uma vez fica claro que os palestinos só podem contar com eles mesmos.

Até quando os sionistas continuarão calando nossas vozes?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A grande muralha, o grande senhor Tannous



Mariana  Tannous Dias Batista


Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza! Foi isso que aconteceu no último dia 21 de novembro de 2011, quando meu avô, depois de mais de vinte dias de batalha cumpriu a sua missão. Um sentimento que não tem explicação, que não faz lógica.
O grande senhor Tannous, aquele que por diversas vezes me fez rir de suas bobeiras ou apenas chegava de mansinho, me dava um beijo e ficava quietinho no seu canto. Torcedor fanático do Flamengo, com sua televisão alta, as conversas durante o sono e seu sofá com a almofada azul, se fez presente na vida dos filhos, netos e bisnetos, noras e genro.
Continue lendo AQUI
Por que  os árabes temem a democracia que EUA, ONU e OTAN oferecem?


                 Será por isto?



                Ou será que é por isto?

                Talvez por isto...

E na Palestina, a democracia israelense em sua plenitude

sábado, 26 de novembro de 2011

O recado de Gandhi  aos judeus na Palestina


"A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses".                         


                           M. K. Gandhi

"Recebi muitas cartas solicitando a minha opinião sobre a questão judaico-palestina e sobre a perseguição aos judeus na Alemanha. Não é sem hesitação que ouso expor o meu ponto-de-vista.

Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu os conheci intimamente na África do Sul. Alguns deles se tornaram grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os "intocáveis" do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os "intocáveis" dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.

O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.

Por que eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?

A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.

É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.

O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.

Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?

Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.

E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um ato de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.

Se houver sempre uma guerra justificável em nome da humanidade, a guerra contra a Alemanha para prevenir a perseguição desumana contra uma raça inteira seria totalmente justificável. Mas eu não acredito em guerra nenhuma. A discussão sobre a conveniência ou inconveniência de uma guerra está, portanto, fora do meu horizonte. Mas se não pode haver guerra contra a Alemanha, mesmo por crimes que estão sendo cometidos contra os judeus, certamente não pode haver aliança com a Alemanha. Como pode haver aliança entre duas nações que clamam por justiça e democracia e uma se declara inimiga da outra? Ou a Inglaterra está se inclinando para uma ditadura armada, e o que isso significa?

A Alemanha está mostrando ao mundo como a violência pode ser eficientemente trabalhada quando não é dissimulada por nenhuma hipocrisia ou fraqueza mascarada de humanitarismo; está mostrando como é hediondo, terrível e assustador quando isso aparece às claras, sem disfarces. Os judeus podem resistir a esta organizada e desavergonhada perseguição? Existe uma maneira de preservar a sua auto-estima e não se sentirem indefesos, abandonados e infelizes? Eu acredito que sim. Ninguém que tenha fé em Deus precisa se sentir indefeso, ou infeliz. O Jeová dos judeus é um Deus mais pessoal que o Deus dos cristãos, muçulmanos ou hindus, embora realmente, em sua essência, Ele seja comum a todos. Mas como os judeus atribuem personalidade a Deus e acreditam que Ele regula cada ação deles, estes não se sentiriam desamparados.

Se eu fosse judeu e tivesse nascido na Alemanha e merecido a minha subsistência lá, eu reivindicaria a Alemanha como o meu lar, do mesmo modo que um "genuíno" alemão o faria, e desafiaria qualquer um a me jogar na masmorra; eu me recusaria a ser expulso ou a sofrer discriminação. E fazendo isso, não deveria esperar por outros judeus me seguindo em uma resistência civil, mas teria confiança que no final estariam compelidos a seguir o meu exemplo.

E agora uma palavra aos judeus na Palestina:

Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.

Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.

Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.

Deixemos os judeus, que clamam serem os Escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra. Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.

Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização, de Cecil Roth. O livro nos dá uma idéia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.

Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da ação da não-violência".


Harijan, 26 de novembro de 1938

In M.K.Gandhi, My Non-Violence
Editado por Sailesh K. Bandopadhaya
Navajivan Publishing House
Ahmedabad, 1960

E AQUI você lê que Israel proibiu a entrada do neto de Gandhi na Palestina.

Assista e divulgue o documentário abaixo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O pedófilo e o estuprador


O titulo poderia  ser O Poeta e o Camponês, mas aí, pobre humanidade, como é que ficaria o compositor Franz Von Suppé?

 Pensou-se também num titulo menos hostil, As Mil e Uma Orgias, por exemplo, mas aí, ai de nós, por que ofender Shahrazade?

Portanto, fiquemos com o titulo da postagem e passemos a explicar do que se trata.

O pedófilo, os leitores mais atentos já deverão ter intuído. Trata-se do novo canário da Itália, o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi.

O estuprador é um exímio atleta de uma prática esportiva muito exigida, em tempos não remotos, no salão oval da Casa Branca.

Sim, estou falando do ex-presidente de Israel, Moshe Katsav, cujo exercício matinal era rodear-se de suas secretárias em busca de um carinho mais acentuado.

O sr. Katsav, orgulho do sionismo, não aceitava um não, daí que, por ordem de um cupido vesgo, acabou fazendo prevalecer sua força contra uma negativa.

O que lhe custou uma condenação de sete anos de cadeia.

Um ex-presidente de Israel, condenado a sete anos de prisão por estupro.

Imaginem o exemplo que ele dá às jovens gerações.

Antigamente a frase “fecha os olhos e abre a boca” , carregava outro significado.

Mas desde Clinton, o marido, não a mulher, a citada frase passou a impregnar outro entendimento.

Azar de Israel e sorte do Iran. É que Katsav é iraniano de nascimento e israelense por adoção.

Quanto ao canário italiano, esse fez o que quis, quando quis e não escondia sua predileção por adolescentes e, dizem, mancebos de tenra idade.

E continua impune.

Parece que na Itália a justiça realmente é cega.

E o sistema cada vez mais putrefato.

E se estou me referindo a esses dois casos é apenas para que não caiam no esquecimento.

Apesar do esforço da mídia para que isso aconteça.

Mas convenhamos.

Alguém ainda se importa com essa mídia?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Das pedras de Davi aos tanques de Golias

José Saramago*
Afirmam algumas autoridades em questões bíblicas que o Primeiro Livro de Samuel foi escrito ou na época de Salomão ou no período imediato, em qualquer caso antes do cativeiro da Babilônia. Outros estudiosos não menos competentes argumentam que não apenas o Primeiro, mas também o Segundo Livro de Samuel, foram redigidos depois do exílio da Babilônia, obedecendo a sua composição ao que é denominado por estrutura histórico-político-religiosa do esquema deuteronomista, isto é, sucessivamente, a aliança de Deus com o seu povo, a infidelidade do povo, o castigo de Deus, a súplica do povo, o perdão de Deus. Se a venerável escritura vem do tempo de Salomão, poderemos dizer que sobre ela passaram, até hoje, em números redondos, uns três mil anos. Se o trabalho dos redatores foi realizado após terem regressado os judeus do exílio, então haverá que descontar daquele número uns 500. 


Esta preocupação de rigor temporal tem como único propósito propor à compreensão do leitor a idéia de que a famosa lenda bíblica do combate (que não chegou a dar-se) entre o pequeno pastor Davi e o gigante filisteu Golias anda a ser mal contada às crianças pelo menos desde há 25 ou 30 séculos. Ao longo do tempo, as diversas partes interessadas no assunto elaboraram, com o assentimento acrítico de mais de cem gerações de crentes, tanto hebreus como cristãos, toda uma enganosa mistificação sobre a desigualdade de forças que separava dos bestiais quatro metros de altura de Golias a frágil compleição física do louro e delicado Davi.
Tal desigualdade, segundo todas as aparências enorme, era compensada, e logo revertida a favor do israelita, pelo fato de Davi ser um mocinho astucioso e Golias uma estúpida massa de carne, tão astucioso aquele que antes de ir enfrentar-se ao filisteu apanhou na margem de um regato que havia por ali perto cinco pedras lisas que meteu no alforje, tão estúpido o outro que não se apercebeu de que Davi vinha armado com uma pistola. Que não era uma pistola, protestarão indignados os amantes das soberanas verdades míticas, que era simplesmente uma funda, uma humílima funda de pastor, como já as haviam usado em imemoriais tempos os servos de Abraão que lhe conduziam e guardavam o gado. Sim, de fato não parecia uma pistola, não tinha cano, não tinha coronha, não tinha gatilho, não tinha cartuchos, o que tinha era duas cordas finas e resistentes atadas pelas pontas a um pequeno pedaço de couro flexível, no côncavo do qual a mão esperta de Davi colocaria a pedra que, à distância, foi lançada, veloz e poderosa como uma bala, contra a cabeça de Golias, e o derrubou, deixando-o à mercê do fio da sua própria espada, já empunhada pelo destro fundibulário.
Não foi por ser mais astucioso que o israelita conseguiu matar o filisteu e dar a vitória ao exército do Deus vivo e de Samuel, foi simplesmente porque levava consigo uma arma de longo alcance e a soube manejar. A verdade histórica, modesta e nada imaginativa, contenta-se com ensinar- nos que Golias não teve nem sequer a possibilidade de pôr as mãos em cima de Davi. 

A verdade mítica, emérita fabricante de fantasias, anda a embalar-nos há 30 séculos com o conto maravilhoso do triunfo de um pequeno pastor sobre a bestialidade de um guerreiro gigantesco a quem, afinal, de nada pôde servir o pesado bronze do capacete, da couraça, das perneiras e do escudo. 

Tanto quanto estamos autorizados a concluir do desenvolvimento deste edificante episódio, Davi, nas muitas batalhas que fizeram dele rei de Judá e de Jerusalém e estenderam o seu poder até a margem direita do Eufrates, não voltou a usar a funda e as pedras. 

Também não as usa agora.
Nestes últimos 50 anos cresceram a tal ponto as forças e o tamanho de Davi que entre ele e o sobranceiro Golias já não é possível reconhecer qualquer diferença, podendo até dizer-se, sem insultar a ofuscante claridade dos fatos, que se tornou num novo Golias. Davi, hoje, é Golias, mas um Golias que deixou de carregar pesadas e afinal inúteis armas de bronze. Aquele louro Davi de antanho sobrevoa de helicóptero as terras palestinas ocupadas e dispara mísseis contra alvos inermes; aquele delicado Davi de outrora tripula os mais poderosos tanques do mundo e esmaga e rebenta tudo quanto encontra na sua frente; aquele lírico Davi que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a "poética" mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestinos para depois negociar com o que deles restar. 


Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, com ligeiras variantes meramente tácticas, a estratégia política israelita. Intoxicados mentalmente pela idéia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada "certeza" de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores passados e dos medos de hoje, todas as ações próprias resultantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na idéia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que padeceram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. 


Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronômio: "Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago". Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, direta ou indiretamente, pelos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles já é um exercício de fato: a impunidade absoluta.
Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazistas, esses que foram perseguidos ao longo da História, esses que foram trucidados nos progrons, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos atos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o fato de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros. 

As pedras de Davi mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo americano.
Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos chamados terroristas suicidas... Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida. Mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba. 
*Prêmio Nobel de Literatura

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Chamamento aos sionistas


Devolvam Israel aos palestinos, peçam desculpas pelos estragos e vão viver no Ocidente.

Os judeus agradecem.

Os árabes sempre foram amigos dos reais descendentes das tribos hebraicas, até o dia em que os europeus inventaram uma nação chamada Israel e para lá despacharam os supostos judeus para aliviar sua consciência anti-semita.

Esses supostos judeus, de judeus não tinham nada.

Eram sionistas.

Os sionistas são racistas de fazer inveja até aos  militantes da ku klux klan.

Os sionistas adoram um apartheid  a ponto de envergonhar o menor dos muros.

Os sionistas odeiam a natureza.

Não podem ver uma oliveira, uma figueira, um pé de uva.

Não podem ver um semita.

Perguntem aos palestinos.

Os sionistas são tão cruéis que pelaram o Monte das Oliveiras.

Os sionistas são a antítese do judaísmo.

Assistam ao vídeo abaixo.

Judeus unidos contra o sionismo

terça-feira, 22 de novembro de 2011


O verdadeiro governante do planeta


Espanha quebrou.

Portugal quebrou.

Grécia quebrou.

Irlanda quebrou.

E falando claramente, a Europa está quebrada, os Estados Unidos também.

Mas os bancos estão cada vez mais robustos.

Alguém tem dúvidas sobre quem governa o planeta?

Eles é que decidem quem continua no poder e quem deve ceder o lugar.

O melhor exemplo é Berlusconi.

Que reinou como quis até o momento em que recebeu ordem para arrumar as malas.

Era um intocável.

Era.

Mas quem são esses bancos?

A quem pertencem?

Será  que eles não têm face como nos querem fazer crer?

Dirão: bancos quebraram, outros fecharam, outros estão agonizantes.

Bobagem.

Os bancos pulverizados não passam de meros varejistas que são sempre sacrificados para manter as aparências.

O grande banco tem nome e endereço e há séculos manipula o sistema a seu bel prazer.

É o banco da família Rothschild.

Que desde o século XIV reina.

Seja o governo monarquia ou republica, capitalista ou socialista.

Jamais sofreu qualquer abalo, nem mesmo durante todas as guerras ou revoluções que afligiram a humanidade.

Até a Alemanha nazista teve que se curvar diante de seu poderio econômico.

Ou alguém acha que as guerras se ganham apenas com armas?

Não se esqueçam que sem fundos não se compra armamento.

O banco da família Rothschild controla também, através de prepostos, a mídia e a industria de entretenimento.

É tão poderosa essa família que controla até a Organização das Nações Unidas (ONU) que foi criada principalmente para criar o Estado de Israel.

E ameaçar e apoiar a invasão de nações que se recusam a se curvar ou entregar seus tesouros.

Alias essa família é tão poderosa que possui o titulo de “Guardiã do Tesouro do Vaticano”.


Quem quiser aprofundar esse texto, e ele precisa ser muito mais aprofundado e detalhado, basta consultar a História.

Alguém se habilita?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Palavra da Bíblia


Ganhei uma bíblia, mas tive que assistir a missa.

O que acabou me remetendo à minha infância no Líbano quando era obrigado a assistir a missa todos os domingos.

Dos cinco aos nove anos de idade fui coroinha.

Explico: meu tio-avô era o padre da nossa aldeia. 

Padre católico melquita, esclareça-se.

O sacerdote que me presenteou a Bíblia pediu para que eu lesse o capítulo que fala de Ruth.

Disse ao padre que já havia lido e relido a Bíblia, assim como também o Alcorão.

Ele insistiu para que eu lesse a história de Ruth.

Li e reli.

É impressionante como a gente deixa passar fatos tão importantes.

Repito, li, reli e conheço muitos trechos da Bíblia devidamente decorados, mas a leitura de Ruth me surpreendeu.

Principalmente quando descubro que ela não era judia, mas moabita.

Ruth, como os leitores do Livro Sagrado sabem, vem a ser Avó de David e bisavó de Salomão e, naturalmente de todos os seus descendentes, principalmente o mais nobre de todos, Jesus Cristo, o ilustre filho da  Palestina.

E o que isso significa?

Tudo e muito mais.

Como se sabe, os judeus reconhecem como judeu somente quem nasce de mãe judia.

Em poucas palavras, Ruth era moabita, portanto David, Salomão e Jesus não são judeus.

É verdade que isso não teria a menor importância não fosse a avassaladora propaganda judaica, em nome deles e de Abraão, para justificar a invasão e a ocupação da Palestina.

E pesquisando ainda mais, não encontrei nenhuma escritura onde Deus oferece a Palestina ou qualquer pedaço de terra a Abraão e seus descendentes.

E se houve alguma oferta de Deus, ela sem dúvida alguma  coube ao primogênito de Abraão, pois nas sociedades semíticas, o primogênito era  sempre  o herdeiro.

E o primogênito de Abraão como todos sabem foi Ismael, considerado o pai dos árabes.

Portanto meus amigos e de acordo com o Livro Sagrado, a Palestina  ( incluindo Israel) sempre foi terra árabe e aos palestinos  pertence.

Palavra da Bíblia.

Ou será que a Bíblia está equivocada?

sábado, 19 de novembro de 2011

O sonho de um sacerdote



Ontem, por um desses acasos, um padre veio conversar comigo quando me preparava para sentar num dos bancos da orla de Santos.

O sacerdote, leitor do blog, me perguntou sobre a cidade Síria de Maalula. Seu interesse residia no fato de que na referida cidade ainda falam o aramaico, língua original de Jesus Cristo, conforme eu havia escrito neste mesmo blog AQUI.

Foi uma longa conversa, graças ao interesse do padre pela língua aramaica. Me revelou ainda que o seu sonho é um dia poder viajar até a Síria, mais precisamente até a milenar Maalula.

Fica aqui também a minha esperança de que ele consiga realizar esse sonho e aproveito para homengea-lo e a todos cristãos com o vídeo abaixo, onde se canta Ave Maria em Aramaico, com legendas em aramaico, árabe e português.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Russellianas


A justiça americana não aceitou novo julgamento para Sacco e Vanzetti, apesar do assassinato ser confessado por outra pessoa. A justiça alegou que o criminoso que confessou era mau caráter. Ao que parece, na opinião dos juízes americanos, apenas as pessoas de bom caráter cometem homicídios.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Churchil e as eleições no Líbano*


Winston Churchil disse certa vez que a democracia é o melhor sistema que o dinheiro pode comprar. Fiquei intrigado com essa declaração, ainda mais dita por quem. É muita maldade, pensei comigo. Pois é sabido que, pelo menos no Ocidente, jamais se comprou ou vendeu voto. Aqui mesmo, nesta maltratada terra de Santa Cruz, alguém consegue imaginar candidato ou eleitor fazendo comedeira?

Enquanto refletia sobre afirmação tão absurda, uma voz ao telefone pergunta se gostaria de ir ao Líbano para votar. Passagem de ida e volta por conta do candidato.

Isso pode? Perguntei. Candidato pagar passagem de ida e volta ao Líbano apenas para votar?

E você teria outras regalias, respondeu a voz ao telefone. E prosseguiu: Se você pedir aos seus parentes (que sobreviveram ao genocídio israelense, completo eu) votarem no nosso candidato, eles serão substancialmente recompensados.

O que?

“Sim, eles podem receber entre 800 e 1.500 dólares por voto”.

Aí sou informado que qualquer pessoa de origem libanesa, seja ela brasileira ou Argentina, australiana ou senegalesa, enfim, de qualquer região do planeta está recebendo essa mesma oferta.

São dezenas de partidos disputando 128 vagas no Majlis al-Nuwab . O voto não é obrigatório e candidato precisa ter mais de 25 anos.

O Pacto Nacional libanês, acordado na cidade saudita de Taif, decidiu que a distribuição dos lugares no parlamento será da seguinte maneira: os cristãos serão representados por 64 deputados, assim distribuídos: maronitas, 34; ortodoxos gregos, 14; católicos gregos, 8; ortodoxos armênios, 5; católicos armênios, 1; protestantes, 1; outros cristãos, 1.

Os muçulmanos também serão representados por 64 deputados: sunitas, 27; xiitas, 27; drusos, 8; alauitas, 2.

É coisa de louco, não? Mas é assim que coisa funciona na terra dos cedros.

Esclareça-se que esse exagerado número de partidos está mais para o virtual do que para o real. No fundo, no fundo, serão apenas quatro famílias a controlarem o país, vença quem vencer. Isto acontece desde a independência.

Democracia no Líbano é como liberdade de imprensa no Brasil, onde também apenas quatro famílias controlam a mídia.

Ou alguém duvida?

*Esse convite aconteceu em 2009. Vamos ver o que oferecem em 2013...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

                       Tchekhoviana


                Democracia dos EUA tipo exportação

Certa vez perguntei a um clérigo muçulmano porque a palavra "democracia" o assustava tanto. Me contou então que um homem queria ensinar uma gatinha a pegar ratos. Quando não corria atrás deles, batia-lhe, e o resultado foi que mesmo depois de adulta a gata se encolhia de pavor na presença de um camundongo.

“Foi esse homem  que me ensinou democracia”.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mahmud Darwish censurado


Em 2008, ano do falecimento do poeta Mahmud Darwish, este blog alertou:

“Vários leitores me escrevem perguntando sobre o trecho "amam o comunismo" que consta na poesia Carteira de Identidade, publicada neste blog em 2007.

Afirmam que nas inúmeras traduções dessa poesia de Mahmud Darwish, ela não consta.

De fato, o verso foi suprimido em diversas traduções e até mesmo nas edições em árabe. Por que?, não se sabe. No entanto, o original permaneceu na revista At-Tariq.

Esclareço também que Darwish foi Redator-Chefe da Revista Al Jadid, porta-voz da ala árabe do Partido Comunista de Israel, o Rakah.

Abaixo, você lê a poesia na íntegra e sem censura”.


Carteira de identidade

Registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono... virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes...
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai... da família do arado
e não dos senhores do Nujube
meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum

Registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos... negros
olhos... castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
as palmas ásperas como rochas
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido... esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens... no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixaste
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas... se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado...cuida-te
de minha fome
e minha cólera.
De Folhas de Oliveira

Mahmud Darwich